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Matérias / Tropa de Elite

Preparação e assalto real: 5 curiosidades sobre filme Tropa de Elite

Entenda a preparação por trás da história, o crime que ocorreu nos bastidores e a polêmica que marcou o filme para alguns críticos

Redação Publicado em 17/07/2022, às 15h00

Fotografia do filme - Divulgação/ Universal Pictures
Fotografia do filme - Divulgação/ Universal Pictures

O "Tropa de Elite: Missão Dada é Missão Cumprida", que foi lançado em 2007, consiste em um filme policial que acompanha o personagem Capitão Nascimento enquanto ele lidera um batalhão de policiais militares encarregados de combater o narcotráfico presente uma favela do Rio de Janeiro, em uma verdadeira rotina de guerra. 

Embora seja uma história ficcional, o longa é inspirado em fatos reais descritos no livro "Elite da Tropa", que fala sobre o "Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro" (BOPE). A obra possui, entre os autores, o ex-capitão Rodrigo Pimentel, usado como modelo para a construção do protagonista interpretado por Wagner Moura

A produção possui um tom impactante, que não hesita em abordar problemas relevantes para o país, traçando um retrato tanto da violência urbana que de fato marca o cotidiano de algumas comunidades pobres cariocas, como da traiçoeira corrupção das instituições designadas a manter a ordem social. 

Sua temática pesada e reflexiva da realidade, assim como a qualidade de produção e da atuação entregue por Moura, levaram o filme a ser aclamado não apenas no Brasil, como também internacionalmente. 

Confira abaixo algumas curiosidades a respeito dessa famosa produção, que pode ser considerada um dos grandes orgulhos do cinema brasileiro. 

1. Preparação intensa

Uma narrativa com a quantidade de detalhes e a profundidade psicológica trazidas não apenas pelo primeiro Tropa de Elite, mas também por seus predecessores, não tem como surgir de um dia para outro, e o nível de esforço colocado no filme por sua equipe de produção exemplifica isso. 

Conforme divulgado por uma matéria de 2017 do site Extra, o diretor José Padilha, juntamente de outros profissionais envolvidos no desenvolvimento no longa, fizeram um trabalho de campo durante dois anos antes de começarem a criar o ícone cinematográfico. 

Fotografia de José Padilha em 2013 / Crédito: Divulgação/ Wikimedia Commons Gage Skidmore/ Arquivo Pessoal

Durante este período, eles entrevistaram diversos policiais, incluindo integrantes do BOPE, além de falarem com outros funcionários que atuam dentro do sistema de formação desses oficiais, como professores e psiquiatras.

Esse trabalho preliminar gerou nada menos que um documento formado por 1.700 páginas, um material valioso que é tão parte do filme quanto aquilo que é explicitamente mostrado pelas câmeras.


2. Consultoria 

Mesmo depois de toda a preparação, a equipe de produção ainda contou com a consultoria do próprio Rodrigo Pimentel enquanto gravava as cenas, para garantir maior fidelidade à realidade por parte da narrativa ficcional que estava sendo pintada.

Para muitos espectadores, afinal, o Tropa de Elite acabou servindo como uma introdução informal ao tema da guerra civil entre policiais e criminosos (sem que essa distinção seja necessariamente clara) nas favelas cariocas.


3. Crime durante gravações

Além de falar sobre atividades criminosas, curiosamente, o filme policial protagonizado por Wagner Moura foi alvo de uma. Após um dia de gravação no Morro do Chapéu Mangueira, o caminhão da equipe de cinema foi assaltado. 

Dentro do veículo, estavam 60 réplicas de armas de fogo, e outras 30 que haviam sido adaptadas para dispararem balas de festim, que possuem uma aparência semelhante à de munições tradicionais, porém não possuem a estrutura conhecida como projétil, que é o que as torna letais. 

Essas 30 armas, todavia, ainda podiam voltar a disparar balas reais caso suas adaptações fossem revertidas. Embora os bandidos considerados responsáveis pelo furto tenham sido presos mais tarde, os objetos usados no set de filmagem nunca foram recuperados, ainda de acordo com portal Extra.


4. Violência nas telonas

Um das grandes controvérsias cercando a franquia Tropa de Elite, é a crítica de que a produção glorifica ou até mesmo legitima a violência policial, além de criminalizar usuários de drogas, não apenas por caracterizar cenas de tortura e assassinato como esteticamente artísticas, mas também por partir da perspectiva dos oficiais, sem mostrar o outro lado. 

Não se pode filmar bem no Brasil uma cena violenta, senão se está glorificando a violência. Tem que ser meio bom? O fato do filme ser bem feito não faz com que as pessoas não consigam pensar sobre ele", afirmou José Padilha em uma entrevista com o portal Gazeta do Povo em 2007. 

O diretor ainda apontou que é um erro "identificar o ponto de vista do personagem, ou a construção desse ponto de vista dentro do filme, como o ponto de vista dos autores do filme", e explicou que possui uma opinião é favorável à descriminalização das drogas e legalização da maconha. 

Padilha ainda esclareceu ao veículo que a perspectiva policial através do qual a história é contada não foi "inventada" por ele, e sim baseada em conversas com pessoas desse meio.


5. Sucesso

Após sua estreia nos cinemas brasileiros em 5 de outubro de 2007, o longa chegou a arrecadar 10,3 bilhões de reais apenas com compras de ingresso, tornando-se o mais bem-sucedido filme daquele ano, ainda segundo informações repercutidas pelo portal Extra, da Globo.