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Presa em um caixão e torturada durante 7 anos: o sequestro de Colleen Stan

Quando não estava dentro do seu cativeiro sufocante, a mulher raptada foi alvo de grandes horrores

Vanessa Centamori Publicado em 04/06/2020, às 12h20

Colleen Stan com a idade em que foi sequestrada
Colleen Stan com a idade em que foi sequestrada - Divulgação/Youtube

Em 1977, nos Estados Unidos, Colleen Stan, de 20 anos, planejava sair de Eugene, sua pacata cidade no interior, no estado do Oregon, para se divertir em uma festa de aniversário. O problema era que a festança ocorreria a 600 km de onde ela vivia — e a jovem estava sem carro. 

Ainda assim, Colleen não quis que aquele contratempo a impedisse de festejar com seus amigos. Ela decidiu pegar uma carona. Cuidadosa, acabou rejeitando duas oportunidades. Até que se aproximou uma van azul, conduzida por um casal de passageiros com um bebê no banco de trás.

Logo de cara, ela concluiu que era apenas uma tranquila família comum. Que mal poderia haver em pegar carona com eles? Colleen prontamente aceitou aquele favor e entrou na van, acreditando que estava segura. 

Colleen Stan mais velha / Crédito: Divulgação

 

Engano medonho 

Amargamente, a garota acabou descobrindo que cometeu um terrível engano. A segurança e o bem-estar de Colleen Stan estavam em risco. E pior ainda: sua vida estaria por um fio dentro daquele automóvel. 

O motorista, um homem chamado Cameron Hooker, de 23 anos, saiu da estrada e entrou em uma área remota. A esposa dele, Janice Hooker, de 19 anos não o impediu, mas agiu como cúmplice. 

Cameron tinha fantasias doentias que envolviam escravidão sexual e usava a esposa, Janice, para concretizá-las. A vítima, porém, agora seria outra: aquela inocente jovem desconhecida, que esperava apenas uma carona.

Em choque, Colleen foi ameaçada com uma faca em seu pescoço. A seguir, foi obrigada a entrar em um caixa, que impedia a entrada de ar. Levada desse modo até o porão de uma casa, a jovem sofreu torturas inimagináveis — amarrada ao teto pelos pulsos, foi espancada, eletrocutada, chicoteada e queimada.

O casal Cameron e Janice Hooker / Crédito: Divulgação/Youtube 

 

No começo, ela não foi abusada sexualmente, mas era atormentada por imagens perturbadoras do casal praticando sexo. No entanto, mais tarde, Cameron também a obrigou a transar com ele como forma de tortura. Quando não era violentada, a vítima foi obrigada a ficar presa dentro de uma nova caixa, um enorme caixão. 

Na escuridão da caixa

A família perturbada de Cameron e Janice se mudou de sua antiga residência. No novo local, Colleen Stan continou a ser mantida na caixa de madeira parecida com um caixão, que era colocado debaixo da cama do casal. Por lá, ela permanecia por até 23 horas por dia.

Enquanto Colleen sofria terrivelmente, as filhas da dupla esdrúxula mal imaginavam o que ocorria. A vítima, aos olhos das meninas, era uma empregada, que limpava e tomava conta das crianças.

Uma seita 

Apesar de ser escravizada e agredida, Colleen considerava o pior tipo de tortura o medo que sentia de um culto satânico. Cameron dizia fazer parte dessa seita, intitulada de A Companhia. O grupo supostamente  vigiava a vítima e ela temia que se fugisse algum mal pudesse ocorrer com sua família. 

Intimidada e submetida às atrocidades do seu cativeiro, a jovem se comportava sempre resignada às ordens de Cameron. Até que ele passou a confiar mais nela — a ponto de Colleen poder trabalhar no jardim e finalmente poder visitar seus familiares. 

Caixão onde Colleen Stan era presa durante o sequestro / Crédito: Divulgação/Youtube 

 

A família da moça acreditava que ela estava bem. Uma foto dela com Cameron foi tirada de ambos, como se fossem um casal. Porém, eles começaram a desconfiar, principalmente devido à falta de comunicação e de dinheiro, que a jovem fazia parte de uma seita. 

Porém, não tomaram atitudes para libertá-la, ao considerarem que algum tipo de lavagem cerebral tinha a tomado. Não queriam que Colleen resolvesse desaparecer para sempre. 

Redenção 

Colleen Stan padeceu horrendamente por sete anos, até 1984. Nessa época, Cameron pediu que ela fosse sua segunda esposa, o que não agradou nada Janice Hooker. A mulher logo mudaria seus conceitos sobre o próprio marido. 

Em uma entrevista concedida mais tarde à Revista People, Colleen relatou que Janice a procurou para que ambas fugissem. "Não sei por que ela esperou tanto tempo e, até hoje, não sei exatamente por que", afirmou a vítima.

Segundo a mulher, provavelmente Cameron contou ou fez algo à esposa para que ela temesse por sua própria vida. Então a fuga de Janice com Colleen realmente ocorreu. A jovem foi levada para a casa dos pais da mulher do doentio sequestrador, enquanto o homem infame estava no trabalho. 

Colleen pediu socorro para o pai por telefone. E assim, finalmente ganhou liberdade. "Meu primeiro sentimento foi que eu estava livre. Me reuni com minha família, eu estava tão cheia de alegria", relembrou. 

Cameron Hooker e autoridade policial / Crédito: Divulgação/Youtube 

 

Cameron Hooker foi declarado culpado e recebeu uma pena total de 104 anos de prisão. Em 2015, ele foi negado a liberdade condicional e poderá recorrer em 2022. Janice, por outro lado, recebeu imunidade em troca de seu testemunho contra ele. A mulher alegou que também era vítima de abuso físico e psicológico. 

A principal vítima da história, Colleen Stan, também ficou com sequelas irreparáveis, senão muito piores. Tem dores crônicas nas costas e nos ombros como resultado de seu confinamento no caixão. Sua narrativa de sobrevivência foi ilustrada em 2016, no filme A Garota na Caixa, do diretor Stephen Kemp. 

Não só o triste incidente emocionou nas telonas, mas também na vida real. Collen realmente deu a volta por cima. Casou-se e teve uma filha. Além disso, formou-se em contabilidade e é hoje parte de uma organização comprometida em ajudar mulheres vítimas de abuso.


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