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Um alce na Amazônia: A mortífera aventura de Teddy Roosevelt no Brasil

O presidente caçador tinha fama de durão, mas no ecossistema errado, o Velho Alce quase perdeu sua vida

Redação Publicado em 21/10/2019, às 09h00

Roosevelt era durão, mas não foi páreo para meses na Amazônia. A expedição foi de 9 de dezembro de 1913 a 27 de abril de 1914
Roosevelt era durão, mas não foi páreo para meses na Amazônia. A expedição foi de 9 de dezembro de 1913 a 27 de abril de 1914 - Library of Congress

Em 1912, o duas vezes presidente americano Theodore Roosevelt falhou em conseguir a nomeação por seu partido para mais uma eleição. Frustrado, o legendário amante da natureza, cujo apelido era Bull Moose – o alce macho –, decidiu embarcar numa nova aventura.

Chegando ao Brasil, afirmou que queria fazer um passeio pelo Rio Amazonas. Recebeu então do diplomata Lauro Müller uma sugestão muito mais ousada: embarcar na expedição do Marechal Cândido Rondon e mapear o, como o nome sugere, misterioso Rio da Dúvida.

Roosevelt não resistiu ao desafio. O curso do rio, então totalmente inexplorado, começa em Rondônia e termina no Mato Grosso. Eram então partes do mesmo estado, simplesmente Mato Grosso. O nome vinha da hipótese de que ele seria uma ligação entre as bacias Amazônica e do Prata. Rondon queria ver se era fato.

Crédito: Domínio Público

 

A expedição foi um desastre. Logo no começo, a equipe teve de se dividir, metade desistindo, porque não havia comida para todos. Quem prosseguiu passou fome, teve que carregar barcos nas costas, descendo cachoeiras, e foi acometido por malária.

Percorrendo apenas um quarto do trajeto, já haviam perdido três membros da expedição: um caiu nas corredeiras, outro foi assassinado, e o assassino foi abandonado no mato. O ex-presidente estava à beira da morte, com uma séria infecção na perna, após perder 15 quilos. A salvação veio dos seringueiros, que os ajudaram a chegar à foz. 

A famosa foto de Roosevelt na canoa foi tirada por seu filho Kermit. Ele embarcou na expedição a pedido explícito de sua mãe, para proteger o velho alce fora de seu habitat natural. Desde aquela viagem, o rio passou a ser conhecido como Rio Roosevelt. 

Em 1992, Tweed Roosevelt, bisneto e biógrafo do ex-presidente, veio ao Brasil para percorrer novamente o roteiro da Expedição Roosevelt-Rondon. Com meios modernos e seguros de transporte, navegou pelas águas que seu antepassado havia ajudado a mapear. Hoje, a extensão do rio Theodore Roosevelt não vai mais até o Madeira. E, na fala dos habitantes da região, ele é chamado simplesmente de Teodoro.


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