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Preto Amaral: a injusta saga do 'primeiro serial killer do Brasil'

Em 2012, um julgamento simbólico alegou que o filho de escravos, na verdade, foi vítima de racismo; entenda!

Caio Tortamano e Victória Gearini Publicado em 16/01/2021, às 10h00

Preto Amaral, o primeiro serial killer brasileiro
Preto Amaral, o primeiro serial killer brasileiro - Divulgação / Youtube / Dra. Plague Asylum

Filho de escravos, José Augusto do Amaral tornou-se um homem livre aos 17 anos, por meio da Lei Áurea. No entanto, como as opções de trabalho eram muito escassas, o rapaz se alistou no exército brasileiro e chegou a lutar, ainda, na guerra de Canudos. Entretanto, na época, seu nome ficou conhecido após ter sido acusado de três assassinatos.

Nascido em Minas Gerais, em 1871, Preto Amaral entrou para o exército brasileiro, mas provavelmente devido à discriminação e aos maus tratos, desertou, sendo condenado a sete meses de prisão.

Quando foi libertado, o rapaz não conseguiu um emprego fixo e mudou-se para São Paulo, onde começou a trabalhar fazendo alguns bicos. Entretanto, a vida de Amaral mudou drasticamente quando em 1927 foi preso novamente, desta vez, acusado de ser autor de três homicídios.

Na época, a polícia alegou que o homem teria um padrão para atrair as vítimas: oferecia pequenos serviços ou refeições para rapazes humildes, em seguida os levava para lugares desertos, onde os matava e praticava necrofilia com seus corpos. 

Retrato de Preto Amaral / Crédito: Divulgação / Youtube / Dra. Plague Asylum

 

Conforme aponta a Superinterresante, 'Amaral' teria confessado ao menos três mortes. De acordo com as autoridades que investigaram o caso, a primeira vítima teria 27 anos, e o corpo teria sido encontrado perto do aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo.

As investigações apontaram que a segunda vítima tinha apenas 10 anos e teria sido atraída enquanto o homem vendia balões. A morte teria ocorrido na véspera de Natal de 1926, mas o corpo só foi encontrado 13 dias após o crime.

A terceira e última vítima tinha 15 anos e se chamava Antônio Lemos. Conforme apontam os inquéritos da polícia da época, o garoto passeava tranquilamente pelo Mercado Municipal quando supostamente teria sido abordado por Amaral.

Falta de julgamento

Segundo às autoridades, o homem foi preso após tentar fazer a sua quarta vítima, um engraxate de apenas 9 anos. Enquanto estrangulava o garoto embaixo de um viaduto, ele teria escutado vozes e abandonando a vítima. O menino, por sua vez, conseguiu fugir e imediatamente dirigiu-se à uma delegacia, onde relatou o ocorrido.

Em seguida, Amaral foi preso, sob circunstâncias suspeitas, pois mesmo após ter sido detido, outros homicídios semelhantes continuaram acontecendo. O homem veio a falecer pouco tempo depois, antes mesmo de ser julgado, em decorrência de uma tuberculose.

Júri simulado 

Em 2012, profissionais com uma vasta experiência em tribunais do júri, estudaram o inquérito policial e reportagens da época. Quase 85 anos após a prisão e morte de Amaral, foi montado um júri simulado para analisar o caso, como aponta o site Jusbrasil.

Jornal da época noticiando a morte de Preto Amaral / Crédito: Divulgação / Youtube / Dra. Plague Asylum

 

Presidido pelo Juiz José Henrique Torres, o julgamento contou com a acusação de Carlos Roberto Talarico e Augusto de Arruda Botelho Neto. Já a defesa foi feita por Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Renato Campos de Vitto.

Os advogados de defesa alegaram que não houve um julgamento e que a investigação foi conduzida por pressupostos "racistas e eugênicos" — usando como exemplo, que naquela época muitas pessoas negras foram presas injustamente.

Além disso, fora relatado que no período que compreendia os crimes, o trabalho dos peritos ainda era recente, o que pode ter colaborado para que a mídia criasse uma imagem negativa do acusado.

O advogado Mariz de Oliveira defendeu que o homem foi vítima de racismo, pois a sociedade da época “talvez não admitisse um crime assim praticado por um branco”, disse em suas palavras. Além disso, o especialista alegou que o acusado havia sido torturado pela polícia para confessar os crimes.

Já com relação a cobertura da imprensa, Mariz disse que  “teve um papel fundamental, porque em nenhum momento deixou em aberto a possibilidade de inocência de Amaral. E a teoria da raça superior aumentou o pedido pela culpa desse homem”, como revela o site Jusbrasil. 

Após 85 anos dos crimes que escandalizaram São Paulo o júri presente decidiu por absolver o réu. Com 257 votos a favor e apenas 57 contra, Preto Amaral foi absolvido das acusações de homicídio. 


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