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Princesa pé no chão: a melancólica saga de Alice do Reino Unido, filha da Rainha Vitória

A filha da monarca serviu de alicerce para a sua família ainda muito nova, no entanto, encontrou um triste fim

Penélope Coelho Publicado em 24/06/2020, às 13h16

Fotografia da Princesa Alice, em 1871
Fotografia da Princesa Alice, em 1871 - Wikimedia Commons

A princesa Alice do Reino Unido foi a terceira filha da Rainha Vitória com o príncipe Albert, entretanto, apesar do luxo e das regalias da nobreza, sua história foi marcada por grandes perdas enquanto viva.

Conhecida por sua personalidade doce e dedicada, apesar de sua triste história, Alice foi uma pessoa descrita como bondosa, que ainda jovem demonstrava interesse por enfermagem e tinha certo envolvimento com causas de caridade.

Primeiros anos

Nascida em 25 de abril de 1843, a princesa foi criada na maior parte do tempo por seus irmãos mais velhos, já que seus pais não estavam sempre presentes. Porém, quando Albert adoeceu, a garota não poupou esforços para cuidar do pai.

Sempre dedicada, no período em que estava estudando, a menina aprendeu a arte do bordado e da carpintaria, além de demonstrar facilidade com idiomas, como o francês e alemão.

Após a morte de Albert em 1861, Alice percebeu que sua vida iria mudar para sempre. A menina precisou amadurecer e passou a cuidar de quem estava a sua volta, principalmente de sua mãe.

O falecimento do marido abalou fortemente a saúde emocional da Rainha Vitória. Como consequência, durante esse período a princesa se viu na obrigação de assumir a função de secretária não oficial da monarca, com o intuito de tornar as coisas mais fáceis para a sua mãe.

Casamento e mais perdas

Mesmo enfrentando um período de luto, o casamento de Alice já havia sido programado antes da morte de seu pai. Entretanto, a garota não demonstrava mais interesse de se casar em uma época como essa, mas, para agradar sua mãe, ela o fez.

Alice e seu marido Louis, na década de 1860 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para a Rainha era importante que seus filhos se casassem por amor, contanto que esse sentimento permanecesse somente entre membros da nobreza. O homem em questão, que foi escolhido para se casar com Alice era o príncipe alemão Louis de Hesse.

A cerimônia do casamento foi realizada em 1 de julho de 1862 e foi descrita mais como um funeral do que uma festa. Apesar de a relação ter começado em um momento triste na vida da princesa, os primeiros anos da relação foram bons.

Após a saída da princesa do palácio, Vitória chegou a compartilhar seus sentimentos em um diário: “Já faz quase duas semanas desde que nossa querida Alice saiu e é estranho dizer, por mais que ela tenha sido querida e preciosa comigo, quase não sinto falta dela”, escreveu a monarca.

Apesar do belo dote da princesa, Louis não era um homem tão rico quando ela, por isso, a filha da rainha teve que se mudar para uma casa bem mais simples da qual estava acostumada. Todavia, isso não foi um grande problema para ela.

Alice, Louis e duas de suas filhas / Crédito: Wikimedia Commons

 

O casal seguia mantendo uma relação boa, além disso, tinham acabado de ter filhos. Para Alice era importante amamentar as crianças, algo que sua mãe repudiava. Ela seguiu fazendo, porém, mais uma tragédia seria responsável por abalar o emocional da alteza.

Em maio de 1873, seu filho mais novo sofreu uma queda de uma janela e acabou falecendo. Nesse momento triste, Alice se sentiu sozinha e não recebeu de volta o apoio que sempre deu para sua mãe e marido.

Depois dessa infelicidade, seu casamento nunca mais foi o mesmo e a relação entre ela e Louis começou a se tornar cada vez mais distante. Para tentar ocupar seu tempo, a princesa decidiu se dedicar de cabeça a trabalhos de caridade.

Dias finais

Quando havia acabado de começar suas obrigações como grã-duquesa de Darmstadt, a mulher viu suas responsabilidades aumentarem. Contudo, o período acabou se tornando mais um marco triste na vida da nobre.

Alice fotografada na década de 1870 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1878, a maior parte de sua nova família foi atingida por uma enfermidade — a difteria causada por uma bactéria, que tinha grandes chances de ser fatal na época. Quase todos os filhos de Alice e Louis contraíram a doença, menos Elisabeth. A mulher perdeu o chão quando sua pequena Marie de quatro anos faleceu.

Alice acabou contraindo a doença ao beijar seu filho Ernest, que estava triste com a morte da irmãzinha. A princesa não resistiu aos sintomas e faleceu em 14 de dezembro de 1878, aos 35 anos. A data coincidiu com o aniversário de morte de seu pai.

O legado da princesa vive até hoje. Suas ações, principalmente em hospitais, ficaram marcadas para sempre na história do Reino Unido. Apesar das inúmeras tristezas, perdas, e relações difíceis, Alice sempre se manteve fiel ao que ela acreditava: que o cuidado era a chave de tudo.


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