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Dos Gulags ao regime do Khmer Vermelho: 7 processos sangrentos promovidos pelo comunismo

Algumas revoluções comunistas pelo mundo foram sangrentas e instauraram regimes totalitários

Jânio de Oliveira Freime Publicado em 11/10/2019, às 08h00

Os rastros do genocídio cambojano
Os rastros do genocídio cambojano - Divulgação

1. Tragédia no Vietnã

Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois de anos em situação colonial, sucedido pela experiência do capitalismo subdesenvolvido e, depois, uma grande guerra repleta de chacinas, o Vietnam se unificou num só país. Em 1975, o Vietnam do Norte, que passara pelo processo de revolução comunista, assumiu o poder em toda a região dos Vietnames.

O governo instaurou uma série de campos de trabalho forçado onde o contingente era dividido em dois grupos: os mais disciplinados trabalhavam de dia e podiam retornar às suas casas à noite, enquanto o outro grupo era restringido de sua vida pessoal, passando dia e noite em claro, trabalhando em condições péssimas. Estima-se que aproximadamente 700 mil vietnamitas passaram pelos campos de trabalho.


2. Terror vermelho

Crédito: Wikimedia Commons

 

O nome faz referência aos anos que seguiram a Revolução de Outubro, a Guerra Civil e a instauração do regime leninista na Rússia. Em um regime revolucionário, que instaurava o sistema soviético de governo, muitos foram publicamente executados e perseguidos em nome da ascensão de um novo sistema.

Como consequência, muitos cidadãos foram encarados como contrarrevolucionários ou inimigos da revolução vermelha, por fazerem oposição à junta revolucionária que assumia o governo ou por pertencerem às classes dominantes do mundo urbano ou rural, tidos como obstáculos para a libertação do proletariado.

Mãe da KGB, a Tcheca, liderada por Felix Dzherzinsky, foi o principal braço da perseguição soviética, assumindo o papel de inteligência e polícia secreta de interesses políticos.


3. Gulags

Crédito: Domínio Público

 

Os insólitos campos de trabalho forçado da URSS foram uma invenção do governo revolucionário durante a Guerra, mas foram disseminados como braço político do Estado por Stálin, que aumentou o número de gulags de 80 para 300 em poucos anos.

Nesses campos, os presos políticos eram obrigados a trabalhar em minas ou terras em cenários absurdamente gélidos da Sibéria, além de passarem por um processo forçoso de reeducação ideológica.

Embora estivessem em maioria, os presos políticos não eram a unicidade dos presos nos gulags. Com os expurgos stalinistas, uma diversidade de vítimas acabou nos campos, como artistas, ativistas e até cidadãos que se posicionavam de alguma maneira contra o regime.

As condições de sobrevida eram horríveis, sendo espaços de forte propagação de doenças que, junto à exaustão e o frio, mataram milhares de soviéticos.


4. Holodomor

Crédito: Wikimedia Commons

 

Trata-se de um processo genocida do governo Stalin contra as populações da Ucrânia. O termo significa algo como “deixado para morrer de fome” em ucraniano, referindo-se ao período entre 1931 e 1933, época de dominação soviética do país.

Sob governo stalinista, a URSS passava por reformas econômicas que obrigavam os camponeses a produzir enormes quantidades de grãos destinados aos silos do Estado, possibilitando o total controle da produção e distribuição.

Como a Ucrânia era um forte ponto de resistência à União e ao processo de russificação do país, nela encontrou-se importante discordância com o projeto russo para o campo. A URSS passou a cobrar quantidades intencionalmente inatingíveis de grãos, obrigando-os a transmitir cereais ao governo sem eles terem comida o suficiente.

Instaurou-se uma fome generalizada na Ucrânia, a ponto de ser possível encontrar pilhas de corpos de ucranianos nas ruas das cidades. Estima-se que foram pelo menos 5 milhões de mortos nesse processo genocida de Stalin.


5. Campos de concentração de Belene

Crédito: Divulgação

 

Assim como os campos de concentração do regime nazista, os campos de Belene, na Bulgária, foram espaços de forte repressão e tortura dos opositores do regime. Trata-se de um complexo de campos feitos para enclausurar perseguidos políticos e opositores de força e obrigá-los a trabalhar com produtos de extração - um ambiente de trabalho historicamente degradante, marcado pelo desmatamento, agricultura e mineração.

Os campos búlgaros foram marcados pelo contingenciamento dos recursos de subsistência dos presos, como água e comida. O ambiente também era repleto de repressões ideológicas e religiosas. Relatos apontam o sadismo dos guardas desse campo, que forçavam os presos a renunciarem suas crenças religiosas e assumirem a adoção do ateísmo. Era aplicada punições severas aos que se recusavam.

Um dos relatos mais insólitos testemunha o aprisionamento de religiosos, que não aceitaram se declarar ateus, para usá-los como alvos vivos em treinamentos de tiro do Exército Vermelho, associado à Bulgária pelo Pacto de Varsóvia.


6. Khmer Vermelho

Crédito: Wikimedia Commons

 

O Khmer Vermelho foi um regime de exceção que se instaurou no Camboja entre 1975 e 1979, com a ascensão do Partido Khmer do líder Pol Pot. O regime tinha como objetivo o controle social associado a um projeto de autossuficiência econômica e dinamização da produção agrária que não possuíam qualquer embasamento prático (ou seja, pautado numa utopia).

O regime foi responsável por constantes perseguições e controle das massas camponesas que conduziram o país a um cenário bélico de execuções públicas, campos de trabalho forçado, tortura sistemática e morte - 2 milhões de cambojanos perderam suas vidas.  

A perseguição de Pol Pot não enxergava limites práticos entre presos políticos, perseguição a intelectuais ou execuções de camponeses desligados da política. O regime foi responsável por uma série de queimas públicas de livros e a perseguição de temas e obras consideradas estrangeiras.


7. Prisões de Pitești

Crédito: Divulgação

 

Entre 1949 e 1951, o complexo carcerário de Pitești, na Romênia, foi praticamente um cenário de guerra. Na direção de Ana Pauker e Eugen Turcanu, a prisão era espaço de uma série de atrocidades como torturas e experimentos pseudocientíficos que testavam a produção artificial de um soldado comunista a partir de presos políticos.

A lei consistia em punir a oposição para forçá-los a se adequar à ideologia do regime. Além de presos políticos, também foram encurralados intelectuais, clérigos, ativistas, proprietários de terra e membros da burguesia romena.

Entre as torturas relatadas, existia o estupro sistemático de mulheres e uma espécie de batismo realizado com fezes e urina, em que era realizada uma confissão forçada.

A prisão fechou as portas em 1950 e seu diretor, Turcanu, foi executado por fuzilamento. O Partido Comunista Romeno declarou-se contrário ao projeto e colocou que as atrocidades lá realizadas eram responsabilidade da mente sádica de Turcanu e Pauker. No entanto, o Estado Romeno deu apoio à instituição no início do projeto.


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