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Proprietária da morte: Dorothea Puente, a assassina de inquilinos

Ao comprar uma casa de três andares, Puente encontrou o cenário perfeito para iniciar uma velhice marcada por brutais crimes

Caio Tortamano Publicado em 21/01/2020, às 18h22

Dorothea Puente durante seu julgamento
Dorothea Puente durante seu julgamento - Getty Images

Dorothea Helen Puente teve uma infância conturbada. Seus pais eram dois alcóolatras que viviam brigando na maior parte do tempo. Seu pai não conseguia se estabelecer em nenhum emprego por conta do alcoolismo e tentou cometer suicídio na frente de Dorothea ainda garota. Sobrevivendo à tentativa, acabou morrendo por tuberculose em 1937, quando a garota tinha 8 anos.

Sua mãe era prostituta e não demorou muito para deixar a filha: morreu em um trágico acidente de carro no ano de 1938. Órfã de ambos os pais, a menina desamparada foi enviada para um orfanato, onde foi abusada sexualmente durante muito tempo.

Aos 16 anos, Dorothea se casou pela primeira vez com um soldado chamado Fred McFaul. A relação dos dois foi conturbada. Para se ter ideia, após o nascimento de três filhas, o casal acabou enviando as crianças para longe (uma com a família do pai, outra para um orfanato) - a terceira morreu logo após o parto.

Depois de McFaul partir, ela ficou casada durante 14 anos em outra relação bizarra com  Axel Johanson. Durante a década de 60, Puente foi presa por proxenetismo (ela trabalhava como cafetina) e ficou presa durante 90 dias. No entanto, logo após ser solta, foi capturada novamente.

Depois desse período na cadeia, ela entrou de vez no mundo dos delitos, mas encontrou um emprego como cuidadora de idosos, atendendo pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade.

A experiência teria feito com que Puente identificasse os mais velhos como presas fáceis para golpes. Durante um tempo, forjou assinaturas de homens idosos que ela conseguia enganar, mas foi pega em flagrante pela polícia, cumprindo pena em condicional. Todavia, A situação ficaria ainda pior.

Depois de seu casamento de dois anos com Roberto Puente, ela comprou uma casa de três andares com 16 quartos em Sacramento, na Califórnia. A residência e um apartamento na mesma rua passaram a serem usados por ela para alugar, dando preferência a idosos.

Casa da Rua F, onde Dorothea alugava quartos para idosos / Crédito: Getty Images

 

O apartamento foi palco do primeiro assassinato registrado de Puente. Uma senhora de 61 anos chamada Ruth Monroe morava no local, mas foi encontrada morta pouco tempo depois vítima de uma overdose por codeína e paracetamol. Ao ser interrogada, Dorothea afirmou que Ruth vivia deprimida pela doença terminal de seu marido, e as investigações apontaram para um suicídio. A situação era, no mínimo, suspeita.

Semanas depois, a polícia foi chamada novamente para atender o pedido socorro do inquilino Malcom McKenzie. Ele afirmou que Dorothea Puente tentou droga-lo com o objetivo de roubar seus pertences. A denúncia rendeu três acusações para a perturbada mulher, e ela foi sentenciada à três anos de prisão.

Na prisão, começou a trocar correspondências com um aposentado de 77 anos, chamado Everson Gillmouth. O senhor, inclusive, foi buscar Dorothea assim que a sentença dela acabou, em 1980, a levando para casa com sua picape vermelha.

Cinco anos depois, a mulher contratou Ismael Florez para alguns serviços na casa em que alugava para idosos. Por 800 dólares e mais o pagamento pelo trabalho em instalar placas de madeiras nos apartamentos, Puente deu a picape vermelha de seu namorado afirmando que o mesmo não precisava mais da mesma.

Além disso, ela pediu para que Flores construísse uma caixa que se assemelhava muito a um caixão. Ela afirmou que precisava se livrar de alguns livros e os dois juntos saíram pela estrada para se livrar do, aparentemente, conteúdo inocente.

A caixa foi encontrada alguns meses depois, na beira de um rio. Quando os policiais abriram o baú, lá estava Gillmouth, em estado crítico de decomposição, o que tornava a identificação difícil (tarefa que somente seria cumprida três anos depois).

Enquanto isso, Puente continuava recebendo a pensão de seu falecido namorado, falando para a família dele que Everson não os contatava pois estava muito doente. Ao mesmo tempo, 40 novos inquilinos faziam parte do pequeno império que ela havia criado em Sacramento.

A proprietária ganhou notoriedade no local. Isso porque era ela quem aceitava os locatários indesejados e difíceis de lidar. Os agentes da condicional não percebiam nenhuma irregularidade cometida por ela, e os abusos feitos pela dona foram imperceptíveis aos olhos da lei, ao menos por ora.

A casa caiu

Tudo parecia ir bem, até Puente contratar um morador de rua conhecido para fazer alguns serviços suspeitos. A proprietária pediu para que ele cavasse um buraco seu porão, e depois cobrisse com concreto. Pouco tempo depois de finalizado o trabalho, o do homem havia desaparecido.

O serviço, feito por um amador em construção civil, deixou diversas imperfeições, e o solo do porão estava extremamente irregular. Durante a busca por um inquilino chamado Alberto Montoya, que sofria de esquizofrenia, um assistente social notara a ausência. As autoridades foram chamadas e iniciou-se a suspeita de que a obra tivesse sido realizada para ocultar cadáveres.

A suspeita se confirmou verdadeira, e sete corpos foram encontrados na propriedade. Ao todo, Dorothea Puente foi denunciada por nove assassinatos, sendo o de Everson Gillmouth, Ruth Monroe e os sete corpos encontrados durante a investigação da propriedade.

Dorothea após ser presa / Crédito: Getty Images

 

Utilizando-se de uma frieza anormal, Dorothea usava soníferos em seus inquilinos. Quando adormecidos, eles estavam à mercê das maldades da mulher, que partia para o estrangulamento e depois pedia para que ex-prisioneiros os enterrassem.

Puente foi declarada culpada de três dos nove assassinatos (os outros seis não foi possível obter provas concretas da autoria), mas foi o suficiente para receber duas condenações à prisão perpétua no estado da Califórnia. Morreu de causas naturais em 2011, aos 82 anos.


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