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"Qualquer pessoa merece contar sua história": o aplicativo que promete eternizar memórias

Em conversa exclusiva com a AH, o fundador do projeto, Deibson Silva, contou tudo sobre sua criação inusitada

Pamela Malva Publicado em 18/10/2020, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa de inteligência artificial
Imagem meramente ilustrativa de inteligência artificial - Divulgação/Pixabay

Em fevereiro de 2013, a Netflix lançou o episódio Be Right Back (Volto já, em tradução livre), da segunda temporada da série Black Mirror. Na trama, Martha, uma mulher viúva, volta a interagir com seu falecido marido através de uma tecnologia inovadora.

Após a estreia do enredo, amantes da série consideraram toda a história bastante atípica, já que, no episódio, uma inteligência artificial recriava o esposo de Martha. Baseando-se nas redes sociais de Ash, um robô falava e agia como o homem.

Hoje, o cearense Deibson Silva criou algo muito parecido com a tecnologia retratada no episódio de Black Mirror. Com o nome de Legathum, no entanto, o aplicativo tem um intuito muito mais puro e gentil do que apenas trazer as pessoas "de volta à vida".

Fotografia do neuropsicólogo Deibson Silva / Crédito: Divulgação

 

Filosofia e tecnologia

Em entrevista à Aventuras na História, o neuropsicólogo explicou como o novo projeto irá funcionar e quais são os próximos passos do Legathum. "Seria uma prepotência nossa achar que vamos dar a vida eterna ao ser humano", explica Deibson. "Mas as nossas memórias, lembranças e conhecimento podem ser eternizados."

É nesses aspectos, então, que o Legathum se concentra. De acordo com Deibson, o aplicativo busca armazenar os pensamentos de seus usuários em uma base de dados e, a partir dessas informações, criar uma biografia sobre cada pessoa.

Com os dados recolhidos, então, o aplicativo vai aprender tudo sobre o usuário. "A personalidade, a tomada de decisão, o padrão de intenção, os valores, o caráter e todo o conhecimento" das pessoas serão levados em consideração, segundo Deibson.

Logo do Legathum / Crédito: Divulgação

 

Conversa do além

Assim que todas as informações já estiverem no que os desenvolvedores chamam de nuvem, a segunda etapa do projeto entra em ação. "Daqui três a cinco anos, vamos reproduzir os usuários através de uma inteligência artificial" conta o fundador. Dessa forma, com tudo que foi registrado, será possível conversar com quem já se foi.

"Não queremos recriar quem morreu, mas homenagear essas pessoas", explica Deibson. Para o criador do aplicativo, a ideia é "fazer com que o ser humano seja cada vez mais valorizado, primeiro descobrindo seu propósito e, depois, deixando seu legado". É daí, inclusive, que vem o nome Legathum (ou legado, em latim).

Com a consultoria de Alberto Todeschini, chefe do departamento de inteligência artificial da Universidade de Berkeley, na Califórnia, o Legathum, portanto, tem um objetivo. "O projeto visa democratizar a nossa história", conta Deibson.

Imagem meramente ilustrativa de jovem em chamada de vídeo / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

O fim da segunda morte

No final das contas, o aplicativo, cujo desenvolvimento começou em 2013, quando Deibson visitou o Vale do Silício, mostra que todos podem registrar a própria história. "Se [o aplicativo] não fosse democrático, eu nem o criaria", brinca o cearense.

Por fim, o fundador explica que o último passo do aplicativo será reproduzir a imagem e a voz de seus usuários, em uma verdadeira interação. Assim, será possível simular conversas com entes queridos, pensadores ou conhecidos que já morreram.

"Eu acredito que, nesta existência, você morre duas vezes. A primeira é quando te deixam no túmulo e a segunda é quando pronunciam seu nome pela última vez", explica Deibson. "Essa segunda morte é a que o Legathum vai conseguir evitar."


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