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Quando bactérias criaram paisagens confundidas com uma 'cidade submersa' do passado

No ano de 2013, um grupo de mergulhadores encontrou uma curiosa paisagem no fundo do Mar Jônico

Redação Publicado em 26/09/2021, às 10h00

Mergulhadores em Zakynthos
Mergulhadores em Zakynthos - Divulgação / Universidade de Atenas

Uma curiosa descoberta foi realizada por acaso através de um grupo de turistas que se encontravam na belíssima ilha de Zakynthos, na Grécia, no ano de 2013.

Eles mergulhavam no mar quando avistaram, a uma profundidade de 5 metros, o que pareciam ser antigas construções realizadas por seres humanos como ruas pavimentadas, bases de prédios e pilares. 

Conforme aqueles turistas diriam mais tarde ao Ministério da Cultura do país, eles acreditavam que a paisagem encontrada em meio às algas era nada mais, nada menos, que uma antiga cidade grega submersa com o tempo.

Imagem ilustrativa de um mergulhador / Crédito: Imagem de David Mark por Pixabay

 

Na época, todos ficaram entusiasmados com o anúncio da descoberta e a novidade foi divulgada em massa pela mídia.

Entretanto, a hipótese do grupo de mergulhadores estava bem longe de explicar a paisagem submarina. Mas se não eram resquícios de uma antiga civilização, então o que eles encontraram?

A verdade

A resposta para essa pergunta não veio tão facilmente. Foram necessários três anos até que uma equipe de arqueólogos da Universidade de Atenas descobrisse que a suposta cidade era, na verdade, uma paisagem que surgiu a partir da ação de bactérias.

Imagem da paisagem encontrada pelos mergulhadores / Crédito: Divulgação / Universidade de Atenas

 

Ao longo de 5 milhões de anos, microrganismos se alimentaram do gás metano que vazava de um reservatório próximo ao local.

Conforme faziam isso, as bactérias fabricavam inúmeros pedaços minúsculos de dolomita, uma espécie de mineral que, com o tempo, se acumulou. Assim, originou um tipo de cimento natural.

Em seguida, esse material foi moldado pela ação do oceano, de modo que surgiram cenários muito parecidos com os que foram feitos pelos seres humanos, confundindo, assim, o grupo de turistas.

Ilha de Zakynthos, na Grécia / Crédito: Getty Images

 

Cenário enigmático

Apesar de terem passado três anos estudando o caso, os pesquisadores já imaginavam que se tratava de um fenômeno que tinha origem na ação de bactérias, até porque não havia qualquer indício da presença humana na região, como artefatos.

No entanto, não conseguiam entender o que poderia ter formado estruturas tão semelhantes às que foram feitas por seres humanos, uma vez que a fabricação de cimento natural geralmente se dá em locais de profundidade maior.