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Quando a morte de D. Pedro II abalou a República

O óbito do ex-Imperador, enterrado junto a um pacote com terra do Brasil, teve repercussões significativas entre os brasileiros

Joseane Pereira Publicado em 17/11/2019, às 07h00

D. Pedro II
D. Pedro II - Domínio Público

No ano de 1891, D. Pedro II vivia seu melancólico exílio na Europa. Expulso do Brasil em 1889, após o advento da República, ele e sua família se refugiaram na França e no Império Austro-Húngaro. O banimento da Família Imperial só seria suspenso em 1920, quase trinta anos após sua morte.

ÚLTIMOS ANOS

Os dias finais do ex-Imperador foram marcados por tristeza e saudosismo. Vivendo modestamente no hotel Bedford em Paris, ajudado por seu amigo Conde de Alves Machado, ele registrava em diários seu desejo de retornar ao Brasil. Sua esposa, Teresa Cristina, morrera logo após chegar à Europa devido a problemas respiratórios, e ele vivia cercado de alguns monarquistas fiéis e do restante de sua família.

Nos últimos anos, D. Pedro envelhecera rapidamente, estando à beira da morte em diversas ocasiões. Após fazer um longo passeio pelo Rio Sena em um dia de inverno, ele contraiu um resfriado que evoluiu para uma pneumonia grave, levando à sua morte em 5 de dezembro de 1891 – três dias após seu aniversário de 66 anos.

Nas 72 horas entre aniversário e morte, uma procissão ininterrupta de pessoas foi visitar o ex-imperador. Suas últimas palavras foram: "Deus que me conceda esses últimos desejos, paz e prosperidade ao Brasil”.

IMPACTO NO BRASIL

Durante a preparação do corpo para o velório, um pacote lacrado foi encontrado em seus aposentos, junto à seguinte mensagem do imperador: "É terra de meu país. Desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria”. O pacote continha terra de todas as províncias brasileiras.

Pedro II em seu leito de morte / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um livro foi colocado sob sua cabeça no leito de morte, simbolizando que sua mente descansava sobre o conhecimento. O governo Francês realizou um funeral de Estado, e diversos membros da monarquia Europeia compareceram à cerimônia, assim como representantes de governos americanos e de países como Turquia, China e Pérsia e membros da Academia de Belas Artes.

Nenhuma manifestação oficial foi realizada na República brasileira. Contudo, segundo o historiador José Murilo de Carvalho, o povo brasileiro não ficou indiferente ao seu falecimento: "repercussão no Brasil foi também imensa, apesar dos esforços do governo para a abafar. Houve manifestações de pesar em todo o país: comércio fechado, bandeiras a meio pau, toques de finados, tarjas pretas nas roupas, ofícios religiosos", afirma ele em seu livro “D. Pedro II: ser ou não ser”.

Missas solenes foram realizadas por todo o país, enaltecendo D. Pedro II e o regime monárquico. Os brasileiros se tornaram ainda mais apegados à figura do Imperador, a quem consideravam o Pai do Povo, e uma nostalgia com relação ao seu reinado crescia cada vez mais.

Enquanto o povo acreditava que as crises políticas e econômicas que afetavam a República se davam por causa da deposição do Imperador, sentimentos de pesar se manifestavam inclusive entre republicanos, que consideravam Pedro II um modelo de governante, com méritos e realizações genuínas.


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