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Quando Renato Russo desabafou sobre sua dependência química a Jô Soares

Durante entrevista, em 1994, o músico confessou como estava ‘seguindo o caminho do Kurt Cobain’

Redação Publicado em 27/03/2022, às 07h00

Renato Russo e Jô Soares durante o programa de 1994
Renato Russo e Jô Soares durante o programa de 1994 - Divulgação/Youtube/Encontro Legionário

Uma das maiores lendas da MPB, Renato Russo também foi um homem à frente de seu tempo quanto à conscientização sobre saúde mental em um período em que falar sobre transtornos mentais e comportamentais era considerado tabu.

Embora esses problemas sempre tenham existido, eles nem sempre foram tratados com a seriedade merecida e discutidos publicamente, especialmente por figuras públicas que, muitas vezes, sofriam com as consequências desses diagnósticos.

Durante uma entrevista ao programa do Jô Soares em 1994, o músico decidiu desabafar sobre sua própria luta contra a dependência química e a depressão, trazendo uma luz importante em prol da discussão na época.

Renato destacou, inclusive, como temia estar seguindo os passos de Kurt Cobain, vocalista da banda grunge americana Nirvana que se matou naquele ano em decorrência dos mesmos problemas que ele estava enfrentando.

O desabafo de Russo

Falando sobre a agenda de shows da banda, Renato explicou que a ideia era passar por Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, mas que se tudo desse certo e eles “estivessem se sentindo à vontade no palco”, estenderiam as apresentações.

, então, o questiona sobre a questão: “você tem um problema em ficar à vontade no palco?”. É então o momento que o vocalista da Legião Urbana aproveita para falar sobre o seu contexto de dependência química.

“Eu acredito que não. Eu acho que eu tinha um problema mais, assim, pessoal. Um problema de dependência química, que ainda bem que eu já resolvi. Quer dizer, eu tenho um problema de dependência química”, começa a explicar.

Ele continua: “Só que agora eu encontrei uma programação que se chama programação dos 12 Passos, então isso significa que cada dia, a cada 24 horas, eu sigo uma programação e eu tenho apoio de pessoas amigas que têm o mesmo problema”.

“É um grupo de autoajuda, né. Todos nós nos conhecemos, é um grupo que existe em todas as cidades do Brasil, mas pela 12ª tradição eu não posso dizer o nome. O que eu posso dizer é que é a primeira letra do alfabeto repetida duas vezes”, afirma.

O músico, então, confessa: “Eu estava seguindo o caminho do Kurt Cobain, aquele rapaz do Nirvana.”

começa a falar mais sobre o próprio Cobain. “É uma coisa que não me entra na cabeça também, um rapaz super talentoso aí por causa do caminho das drogas chega uma hora que se mata, direto?”, questiona.

Bastante paciente, o fundador da Legião Urbana explica como a depressão se trata de uma “doença primária, crônica, progressiva e fatal” que tem um “quadro” e foi classificada como tal “pela Organização Mundial da Saúde em 1965”, e não simplesmente uma escolha.

Renato também relembra os momentos difíceis em que passou em decorrência da depressão e a preocupação que causou em seus companheiros de banda por conta da dependência química, destacando a importância da ajuda que começou a receber para o tratamento da doença.

Você pode assistir à entrevista da banda, incluindo o desabafo de Renato, ao programa do Jô Soares de 1994, aqui: