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Quando um primeiro-ministro da Austrália disse à Elizabeth que a família real é 'obsoleta'

Paul Keating, que governou o país entre 1991 e 1996, disse à rainha que a monarquia “havia se tornado suavemente obsoleta” em um encontro em 1993

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 21/03/2021, às 08h00

Paul Keating em 1993 e a rainha Elizabeth II
Paul Keating em 1993 e a rainha Elizabeth II - Wikimedia Commons

Além de Rainha da Inglaterra, Elizabeth II também tem sua imagem presente em mais 16 países ao redor do mundo, entre nações britânicas, ilhas caribenhas e do Oceano Índico. No entanto, os países possuem uma relação cerimonial com a governante britânica: ela não apresenta autoridade executiva em nenhum desses lugares.

Ainda assim, o vínculo permanece de maneira simbólica, demonstra o poder do Reino Unido. Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e Inglaterra são os países mais lembrados sob o domínio da rainha, mas seu poder estende-se a territórios longínquos. 

No total, 16 nações fazem parte dos Reinos da Comunidade de Nações. Fora os países já mencionados, estão Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Bahamas, Belize, Granada, Jamaica, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Santa Lúcia, Antígua e Barbuda, São Cristóvão e Nevis e por fim São Vicente e Granadinas.

Elizabeth II com o marido e os filhos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao longo dos anos, porém, muitos territórios tomaram a decisão de se tornaram repúblicas, assim, a rainha Elizabeth II seria destituída do cargo de chefe de Estado. O mais recente exemplo foi o de Barbados, que anunciou a intenção em setembro do ano passado.

A nação não foi a única a demonstrar descontentamento com o título de poder da rainha no país. Alguns territórios conseguiram obter o título de república, deixando de fazer parte dos Reinos da Comunidade de Nações. Mas outros continuam no mesmo sistema político após anos.

Esse foi o caso da Austrália: até hoje, o país continua sob o 'domínio' de Elizabeth, embora esse poder seja simbólico. Mas isso não impediu que os dois governos se estranhassem ao longo dos anos. Exemplo disso foi um episódio curioso entre a rainha e Paul Keating, que foi primeiro-ministro da Austrália entre 1991 e 1996.

Verdade indigesta

Em 1993, o primeiro-ministro da Austrália, Paul Keating, e a rainha Elizabeth II se encontraram no Castelo de Balmoral, localizado em Aberdeenshire, na Escócia. O encontro foi descrito pelo político em seus escritos pessoais, transformados em uma coleção que foi divulgada pelo jornal The Australian.

“Eu disse à Rainha o mais educadamente e gentilmente que pude que acreditava que a maioria dos australianos sentia que a monarquia era agora um anacronismo; que ela havia se tornado suavemente obsoleta”, escreveu Keating, conforme repercutido pelo jornal London Evening Standard

Elizabeth II, rainha do Reino Unido / Crédito: Wikimedia Commons

 

"Não por qualquer razão associada pessoalmente à Rainha, mas pela simples razão de que ela não estava em posição de representar suas aspirações”, explicou-se. Para Keating, a sociedade australiana já não sentia nenhum vínculo com o Reino Unido e, especificamente com a família real, já que tornaram-se mais etnicamente diversos.

“Quando terminei minhas observações, ela disse, de maneira bastante queixosa: 'Você sabe que minha família sempre tentou dar o melhor de si na Austrália’”, contou o então primeiro-ministro.

O político continuou narrando: "Eu disse: 'Sim, eu sei disso, senhora'. Ela disse: 'É claro que vou seguir o conselho dos ministros australianos e respeitar os desejos do povo australiano'”. 

Segundo escreveu Keating, ele tinha viajado para a Escócia com o intuito de explicar para a rainha que pensava que a Austrália "não precisava mais dela". Foi quando a monarca precisou defender a família real e seu próprio governo.

Tornar-se república

Em 1999, o sentimento de Keating sobre a monarquia britânica mostrou-se por meio de um referendo sobre a remoção da rainha. Na época, quem liderou a proposta foi Malcolm Turnbull, que viria a se tornar primeiro-ministro do país entre 2015 e 2018. 

A Austrália poderia ter se tornado uma república naquele ano, mas o referendo acabou sendo derrotado por um plebiscito. Em 2016, Turnbull afirmou em um discurso que o país deveria acabar com os vínculos com a família real após o reinado de Elizabeth II, conforme noticiado pelo G1 na época.


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