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Quatro idosos e um segredo: os criminosos que protagonizaram o 'roubo do século' na Inglaterra

Na véspera da Páscoa de 2015, um grupo de criminosos seniores invadiu o cofre de uma joalheria e roubaram mais de 18 milhões de dólares em mercadoria

Fabio Previdelli Publicado em 29/08/2020, às 11h00

Imagem do buraco na parede que os criminosos fizeram
Imagem do buraco na parede que os criminosos fizeram - Getty Images

A vida nos pubs da Inglaterra são as mais diversas possíveis. Há quem goste de tomar bons drinques, outros de jogar conversa fora e também tem aqueles que enxergam o clima ideal para conhecer pessoas novas.

Esses podem até ser o tipo mais comum de pessoas que frequentam esses lugares, mas não quer dizer que sejam as únicas, afinal, existe aqueles que possuem gostos mais peculiares, como, por exemplo, planejar o maior roubo que a Inglaterra já viu.

Pode até parecer uma narrativa de filme, mas foi assim que quatro criminosos, que estavam ficando velhos, passaram as suas últimas semanas dos últimos três anos em liberdade. O encontro acontecia religiosamente no pub de Islington, ao norte de Londres.

Hatton Garden Safe Deposit Ltd. foi o local escolhido para ser alvo do roubo / Crédito: Getty Images

 

A operação que havia sido meticulosamente planejada foi traçada com a ajuda inusitada do livro “Forensics for Dummies” (Perícia policial para iniciantes). Assim, na quinta-feira anterior à Páscoa de 2015, tudo começou ser posto em prática.

O ponto de partida se deu quando Brian Reader, o “mestre”, como os outros membros do grupo lhe chamavam, embarcou em um ônibus perto de sua casa. Usando seu passe livre para idosos, o assaltante de rosto corado, que tinha 76 anos, seguiria até o Hatton Garden, considerado o centro londrino de comércio de joias.

Passado os 80 minutos do percurso, ele chegou, à noite, em um discreto edifício de sete andares. Lá, o resto da equipe já estava o esperando com roupas de trabalhadores do prédio. Eles eram:  John Collins, também chamado de Kenny, de 75 anos; Daniel Jones, 60; e Terrence Perkins, de 67. Assim, Reader colocou um capacete amarelo e uma jaqueta florescente com a palavra “gás” estampada nas costas.

Naquele 2 de abril, entraram em uma van branca e foram até o Hatton Garden Safe Deposit Ltd., onde foram cumprimentados por um homem ruivo chamado Basil — cumplice do crime que os deixou entrar pela porta de incêndio.

Collins, Jones, Perkins e Reader/ Crédito: Divulgação/ Metropolitan Police

 

Se comunicando por walkie-talkies, os criminosos deixaram o veículo com várias sacolas e muitas ferramentas. Dentro do prédio, mandaram o elevador para o segundo andar, deixando uma placa escrita “em manutenção” perto dele. Enquanto isso, eles desceram pelo fosso até o porão.

Lá, cortaram o cabo do telefone e os fios de uma caixa elétrica. Isso, além de liberar o portão de ferro que protegia o cofre, também desabilitou os alarmes de segurança — pra falar a verdade, o alarme até que soou uma vez, mas como anteriormente ele havia sido disparado por um inseto, o segurança do local nem deu muita atenção para esse fato. A polícia também foi acionada com o alarme, mas como era véspera de feriado, não deram muita atenção para isso e não seguiram os protocolos que deveriam.

Apesar da sorte, faltava ainda o passo mais difícil do plano: abrir um buraco na parede do cofre que era reforçada com concreto. Mas tudo terminou às 8 horas da manhã do dia 3 de abril, quando eles finalmente passaram a parede contra a qual o cofre de metal e as caixas de segurança estavam.

Mas enganasse quem pensa que tudo havia dado certo, muito pelo contrário, eles deram de cara com um gabinete que estava aparafusado do teto ao chão. Exaustos, saíram de mãos abanando — pelo menos naquele momento.

 Dois dias depois, no aniversário de 67 anos de Perkins, eles voltariam para completar o plano. Depois de passarem numa loja de ferramentas, finalmente conseguiram mover o gabinete de lugar e adentrar o cofre. Mas, desta vez, estavam desfalcados de Reader, que tinha perdido a coragem de concluir o plano.

Mesmo assim, o bando saqueou 73 caixas fortes, enchendo dois sacos com ouros, pedras preciosas e muitas joias. A soma dos produtos batia a marca dos 18 milhões de euros. Às 6h40, exaustos por subirem a escada de incêndio com a mercadoria roubada, foram recebidos por Collins que os esperavam na van que estava nas redondezas.

A porta do cofre e a furadeira que os criminosos usaram / Crédito: Montagem/ Getty Images

 

O roubo só foi notado dois dias depois. Mas a pressão dos donos dos cofres roubados contra a polícia e a empresa dona do espaço fez com que as buscas caminhassem a passos largos. Segundo um dos investigadores, apesar do crime ter sido muito bem elaborado, eles “eram criminosos analógicos atuando em um mundo digital”.

Com grampos telefônicos e câmeras de segurança, os bandidos foram sendo identificados. A certeza ficou ainda maior quando, em uma das gravações interceptadas, pode-se ouvir Jones gritando e comemorando “o maior roubo em dinheiro da história”. “Pode ser minha aposentadoria”, disse outro.

Outro erro crasso dos criminosos foi que eles continuaram se encontrando no pub e, com filmagens que permitiram o uso de leitores labiais, tudo foi descoberto. Em 19 de maio, 45 dias depois do crime, mais de 200 policias apareceram enquanto Jones e Collins estavam levando parte das joias para a casa da filha de Perkins. Após isso, 12 endereços foram invadidos e sete suspeitos foram presos.


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