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Que fim levaram os maias, uma das maiores civilizações da Antiguidade

Por anos a queda de um dos mais relevantes impérios da História permaneceu uma incógnita. Descubra o que culminou no desaparecimento da rica cultura pré-colombiana

Gabriel Fagundes Publicado em 26/03/2020, às 15h00

Chichén Itzá, um dos principais centros do período pós-clássico
Chichén Itzá, um dos principais centros do período pós-clássico - Wikimedia Commons

Os mistérios que culminaram na queda e posteriormente no desaparecimento da civilização Maia por longos anos foram desconhecidos. Porém, esse fator não atuou como causa paralisante das investigações feitas pelos arqueólogos, ao contrário, eles avançaram com algumas teorias, como a da crise nas rotas comerciais, uma invasão e até a ocorrência de uma guerra civil.

Contudo, foi a partir a década 90 que antigos registos climáticos foram recolhidos da civilização passada, onde foi possível criar uma nova hipótese para explicar o sumiço da sociedade pré-colombiana: ela teria vivido dois momentos de grande seca.

Por isso, quando os espanhóis chegaram à América Central, em 1517, os Maias já não estavam mais presentes no território. Porque depois do momento da grande prosperidade, tanto o poder político quanto o econômico suscetivelmente declinaram em como resultado da escassez. Desse modo, em torno do ano 850, aquela sociedade foi saindo gradualmente das cidades e, em pouco menos de dois séculos, a civilização, que um dia tinha sido a mais notória, acabou sendo abreviada a pequenas aldeias.

Mapa histórico dos territórios habitados por povos de língua maia / Crédito: Wikimedia Commons

 

No entanto, mesmo com os esforços empreendidos pelos investigadores, não se tinha chegado a um consenso para explicar o impacto da seca tanto nas cidades do sul e do norte daquele continente. O que o estudo realizado tanto por arqueólogos americanos e britânicos pretende sanar com a hipótese que veio dizimar aquele povo ganhando novas explicações.

O Impacto das duas secas

Para o estudo denominado The political collapse of Chichén Itzá in climatic and cultural context (O colapso político de Chichén Itzá no contexto climático e cultural, na tradução), o fortalecimento da cultura Maia foi atrelado ao momento de muitas chuvas ocorridas na região. Mas, a contar de 820, uma seca sobreveio e perdurou por 95 anos, chegando durar até mais em outros locais.

A partir disso, nos anos de 850 até 925, período da aridez, maior parte das cidades localizadas na região sul deixaram de existir, no atual território da Guatemala e Belize. Todavia, o oposto ocorreu na região norte da península de Iucatã: a civilização, longe de decair, veio a prosperar. Foi, aliás, durante esse momento que surgiu a mais importante de todas as edificações — Chichén Itzá, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

O Templo de Kukulcán em Chichén Itzá / Crédito: Wikimedia Commons

 

Apoiados nessas ocorrências, procurando entender esses fenômenos, que os pesquisadores se questionaram das discrepâncias manifestadas entre ambos territórios. Perguntando qual foi à maneira que o sul teria sido paralisado devido às mudanças climáticas e por que o mesmo não teria ocorrido com o norte.

A teoria que sustenta as indagações mostra que as secas do final século 9 e início do século 10 foram realmente graves, mas a do século 11 foi devastadora: os dados esclarecem que as chuvas eram extremamente curtas nos anos de 1020 e 1100, o que solidifica a noção de que realmente a mudança climática afetou não somente um, mas os dois períodos do declínio Maia.

“Sabemos que houve um aumento de conflitos e da instabilidade socio-política na área maia antes do período das secas do século 9”, disse à BBC Julie Hoggarth, da Universidade de Baylor, no Texas, que co-dirigiu o estudo publicado. 

Com isso, enquanto a primeira estiagem teria contribuído para o findar dos povos do sul, a segunda teria causado a extinção dos do norte. E os que restaram se viram obrigadados a abandonar as suas terras e a emigrar. Mas os mitos, as artes, a arquitetura que edificou algumas maravilhas do império Maia, todos eles conseguiram resistir ao tempo para contar história.


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