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Cheiro do poder: O Grande Queijo da Casa Branca

Em 1835, presente de 635 quilos fez com que, por dois anos, qualquer um pudesse achar o presidente pelo cheiro

quarta 27 junho, 2018
Bloco de queijo tinha cerca de 1,2 metro de diâmetro e 0,6 metro de espessura
Bloco de queijo tinha cerca de 1,2 metro de diâmetro e 0,6 metro de espessura Foto:Shutterstock

O que dar de presente ao homem mais poderoso do país? Andrew Jackson, sétimo presidente dos EUA, se viu surpreendido com um agrado peculiar na Casa Branca. Um bloco de queijo. Não qualquer bloco de queijo. Um cheddar gigante com mais de meia tonelada – 635 quilos, exatamente.

A façanha veio do fazendeiro Thomas S. Mecham, morador de Sandy Creek, em Nova York. Quando a ideia de fazer um queijo gigante para celebrar o aniversário de governo de Jackson surgiu, em 1835, Mecham não perdeu tempo – ele tinha os meios e o conhecimento para produzir a deliciosa monstruosidade. E não bastou fazer uma só: foram dez, expostas numa homenagem ao presidente realizada em Oswego. A roda de queijo destinada ao governante era, naturalmente, a maior de todas. Com cerca de 1,2 metro de diâmetro e 0,6 metro de espessura, trazia uma faixa com os dizeres “a União, ela deve ser preservada” – frase famosa entonada por Jackson durante o Democratic Jefferson Day de 1830.

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A data não era por nada. Esse não era o primeiro queijo na Casa Branca. Só o maior. O próprio Jefferson também tinha sido dono de um queijo semelhante, com 560 quilos, em 1802. Após inspirar o patriotismo, o queijo foi enviado de barco até o seu novo lar na Pennsylvania Avenue. A tiracolo foram dois outros blocos com metade do tamanho – estavam endereçados para o vice-presidente Martin Van Buren e para o governador nova-iorquino William L. Marcy.

O que Jackson fez com tanto queijo? Dividiu entre os seus amigos. Mas não havia amigo o suficiente. O queijo permaneceu alojado na Casa Branca por dois longos anos, ganhando um odor cada dia mais intenso. Em seus últimos dias, dizia-se que dava para senti-lo a seis quarteirões. Era possível achar a casa do presidente pelo cheiro.

Somente em 22 de fevereiro de 1837 Jackson conseguiu dar um fim no cada dia menos desejado hóspede. Tratou de servi-lo aos convidados de seu último evento público como presidente. Em duas horas, as 10 mil pessoas que visitaram a Casa Branca comeram cada centímetro cúbico que o presidente e seu amigo não haviam dado conta de ingerir. Quando Martin Van Buren assumiu, no mesmo ano, sua primeira tarefa foi se livrar do peculiar perfume deixado pelo antecessor.

Em 2014, o governo americano resolveu celebrar a memória de Jackson e ouvir o público com a criação do Big Block Cheese Day – ocorrido também em 2015 e 2016 no governo de Barack Obama.

Misericordiosamente para o próximo ocupante da cadeira presidencial, não houve queijo. Todos foram convidados a enviar mensagens e perguntas pelas redes sociais para a equipe da Casa Branca, que respondeu ao vivo. 

Maria Carolina Cristianini


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