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Caso Suzane Von Richthofen: O frio e calculista plano para assassinar os próprios pais

Com a ajuda dos irmãos Cravinhos, Suzane arquitetou um dos mais chocantes e conhecidos crimes da história brasileira

Isabela Barreiros Publicado em 22/09/2019, às 08h00

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- Reprodução

Suzane, seu irmão Andreas e seus pais Manfred e Marísia eram uma família de classe média paulistana que vivia em uma mansão no Brooklin. Mais tarde, essa casa se tornaria palco de um dos crimes que mais chocou o Brasil.

No ano de 2002, a jovem de 18 anos estava estudando Direito na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e namorava Daniel Cravinhos. Mas seus pais não aprovavam o relacionamento.

A obsessão do namorado com a garota e os constantes empréstimos e presentes caros não eram vistos com bons olhos pelo casal Richthofen. Em maio daquele ano, os pais proibiram a relação de Suzane com Daniel.

Não se sabe exatamente quais foram os motivos que levaram Suzane a planejar o assassinato de seus pais. A história é repleta de fingimentos, mentiras e versões distintas, mas o que se sabe é que no dia 31 de outubro de 2002, Manfred e Marísia von Richthofen foram mortos a pauladas por Daniel e Cristian Cravinhos, a mando de Suzane.

Daniel e Suzane / Crédito: Reprodução

 

O crime foi muito bem arquitetada por eles. Mais cedo, no mesmo dia, a garota e o namorado levaram Andreas, o irmão mais novo, com 15 anos, para passar anoite em um cybercafé, para que ele se divertisse com jogos de computador.

Logo depois, Cristian se juntou a eles e os três foram a caminho da mansão da família no Brooklyn, na Zona Sul paulistana. O casal foi assassinado pelos irmãos Cravinhos enquanto dormiam, levando marretadas na cabeça. Acredita-se que Suzane tenha permanecido na biblioteca da casa durante o crime.

A família / Crédito: Reprodução

 

No entanto, a jovem se mostrou fria e calculista ao longo desse período. Depois dos homicídios, Suzane recolheu as barras de ferro encharcadas com o sangue de seus pais e seus jogou documentos pelo quarto. O intuito era fazer com que a polícia achasse que eles tinham sido vítimas de um latrocínio — um roubo seguido de homicídio. Cristian também deixou uma arma próxima do corpo de Manfred.

Eles levaram uma mala cheia de dinheiro, contendo entre 8 e 5 mil reais. Depois do crime, o plano foi forjar álibis para que eles não fossem culpados pelos assassinatos. Cristian ficou perto de sua casa, e o casal foi para o Motel Colonial, na Zona Sul, pagando R$ 380 pelo quarto. Eles saíram da suíte presidencial por volta das 3 horas da manhã para buscar Andreas no cybercafé em que havia sido deixado mais cedo.

Os irmãos Cravinhos e Suzane apreendidos pela polícia / Crédito: Reprodução

 

Quando a polícia descobriu o trágico episódio, Suzane fingiu para as autoridades. Ela simulou sofrimento no enterro, chorando e abraçando seu irmão. Mas alguns dias depois, ao ser interrogada sobre o crime, acabou confessou. Daniel e Cristian também tiveram a mesma atitude.

O caso se tornou quase que uma novela da vida real.  A garota deu entrevista para a TV, teve diversas versões para os acontecimentos e também chegou a passar suas férias no litoral paulista, depois de ser solta em abril de 2006.

Os três foram condenados a cerca de 39 anos de prisão, cada um. Atualmente, Suzane Von Richthofen está cumprindo seu tempo no complexo penitenciário de Tremembé, no interior de São Paulo.

Agora, a trágica história será retratada em dois filmes: A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou os Meus Pais. Previstos para 2020, serão exibidos no mesmo dia em diferentes sessões.

A atriz Carla Diaz caracterizada de Suzane Von Richthofen para o filme A Menina Que Matou os Pais / Crédito: Reprodução

 

A produção do filme declarou que as produções não possuem nenhum vínculo com os autores do crime e que as tramas foram baseadas em depoimentos apresentados no processo.