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Quem são os descendentes da Família Imperial Brasileira?

Carregando o sobrenome Orleans e Bragança, os descendentes de D. Pedro II — junto a parcelas da população — apoiam o retorno do regime monárquico

Joseane Pereira Publicado em 02/06/2020, às 09h36 - Atualizado às 09h37

Foto rara de Dom Pedro II e seus familiares
Foto rara de Dom Pedro II e seus familiares - Domínio Público

Em 1921, após o fim do banimento da Família Imperial, os descendentes de D. Pedro II retornaram ao Brasil. Levando uma vida pacata, sem os privilégios e luxos da realeza, eles acabaram se dividindo em dois ramos: os descendentes de d. Pedro, o primogênito da Princesa Isabel que renunciou aos direitos monárquicos para casar com uma nobre tcheca, e os de d. Luís, seu segundo filho que morreu em decorrência da Primeira Guerra Mundial.

Enquanto os descendentes do primeiro filho estão em Petrópolis, os do segundo residem em Vassouras, duas cidades do Rio de Janeiro.

Apesar de terem deixado o poder há mais de 125 anos, os descendentes da Família Real defendem o retorno do regime na forma constitucional parlamentar, como acontece na Inglaterra. Caso isso ocorresse, D. Luís e seu irmão D. Bertrand, ambos residentes de Vassouras, seriam candidatos ao trono do Brasil.

Outro candidato é o sobrinho Luiz Philippe de Orléans e Bragança, que foi o primeiro membro da Família Imperial a ocupar um cargo político de relevância desde a proclamação da República: em 2019 ele assumiu o cargo de deputado federal pelo PSL.

Inconformados com a decisão de seu antepassado em renunciar ao trono, os membros de Petrópolis dizem que “o documento assinado não tem validade jurídica, porque trata-se de uma renúncia a um trono inexistente à época”, afirma o professor de História da Universidade de Brasília, Estevão Martins ao periódico Claro!.

Hoje em dia, eles recebem o benefício do laudêmio, taxa de 2,5 no valor da venda de imóveis no centro do município, com a justificativa de ser a área correspondente a uma fazenda de d. Pedro II que deu origem à cidade — acerto definido em meados de 1940.

Retorno?

Fazendo parte da Casa Imperial do Brasil, o “imperador” D. Luiz e o príncipe D. Bertrand têm uma forte atuação política em grupos radicais de direita atualmente. Conservadores, eles defendem publicamente valores católicos e como o grupo Tradição, Família e Propriedade — levando muitas pessoas a criticarem a causa monárquica como algo anacrônico.

Segundo o professor Martins, “Os defensores de D. Pedro II idealizam o século 19 como se tivesse sido uma maravilha, o que não é verdade. Havia um conservadorismo católico, extremamente rígido, que, para mim, é retrógrado. O regime econômico do Brasil não era adequado nem para os padrões da época, notadamente devido à organização da produção agrícola e ao trabalho escravo”.

Outro ponto a se pensar é que , se monarquias do Ocidente possuem grau de desenvolvimento econômico, não é por serem monarquias, mas por estarem submetidos ao regime constitucional parlamentar.


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