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Matérias / A Mulher da Casa Abandonada

Quem são os familiares de Margarida Bonetti ‘A Mulher da Casa Abandonada’

Margarida Bonetti, ‘A Mulher da Casa Abandonada’, é acusada de escravizar uma empregada

Fabio Previdelli Publicado em 24/07/2022, às 11h00 - Atualizado em 25/07/2022, às 15h24

Margarida Bonetti, a 'Mulher da Casa Abandonada', em foto de arquivo do local - Divulgação/Arquivo
Margarida Bonetti, a 'Mulher da Casa Abandonada', em foto de arquivo do local - Divulgação/Arquivo

‘A Mulher da Casa Abandonada’ se tornou um dos assuntos mais comentados nas últimas semanas após a viralização do podcast do jornalista Chico Felitti, feito para a Folha de São Paulo. 

Nele, somos apresentados a história do casarão abandonado em um dos bairros mais nobres da capital paulista, Higienópolis, e principalmente ao passado de Margarida Bonetti, moradora do endereço

Excêntrica representante da elite paulistana, Bonetti é procurada pelo FBI há 20 anos. Essa história começou em meados da década de 1970, logo após seu casamento com Renê Bonetti. Após a união, os dois se mudaram para os Estados Unidos. 

Margarida Bonetti, a mulher da casa abandonada/ Crédito: Divulgação/Redes Sociais

Como ‘presente’, eles levaram junto de si uma empregada doméstica, brasileira e analfabeta, que viveu anos em condições análogas à escravidão. O caso só foi descoberto no início dos anos 2000. 

Com isso, Renê foi condenado pelas autoridades norte-americanas. Porém, Margarida fugiu para o Brasil, onde passou a viver na mansão, uma herança deixada por sua família. Mas, afinal, quem eles eram? 

Família escravagista?

Com a repercussão do caso, muitos passaram a ter interesse em tudo o que cerca a história de Margarida, inclusive suas origens. Conforme aponta matéria publicada pelo UOL, Bonetti é filha do médico paulistano Geraldo Vicente de Azevedo, nascido em 6 de fevereiro de 1907, e de Maria de Lourdes Danso Vicente de Azevdo.

Geraldo, por sua vez, é fruto da relação entre Francisco de Paula Vicente de Azevedo e Rosa Bueno Lopes de Oliveiras. O avô de Margarida foi fazendeiro, banqueiro e comerciante. Nascido em 1856, em Lorena, interior de São Paulo, ele recebeu de D. Pedro II o título de Barão de Bocaina. 

Além do mais, Francisco foi responsável por fundar o Engenho Central de Lorena, primeiro empreendimento do segmento na região do Vale do Paraíba, e também por dirigir a Estrada de Ferro São Paulo-Rio de Janeiro e o Banco Comercial do Estado de São Paulo. 

Geraldo, seu pai, atuou como chefe na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Conforme repercutido pelo Hollywood Forever, ele realizou a primeira videolaparoscopia — procedimento realizado na região abdominal e pélvica — de forma minimamente invasiva. 

Fachada da Casa Abandonada / Crédito: Equipe Aventuras na História/ Isabella Bisordi

O casarão, aliás, era propriedade dele e de sua esposa, Maria de Lourdes. Conforme detalhou o próprio Chico Felitti no podcast, os pais de Margarida eram conhecidos por seus gestos beneficentes: como a doação de roupas e alimentos para pessoas em situação de rua. 

Geraldo Vicente de Azevedo faleceu em 1998, quando tinha 91 anos. Nessa época, Margarida já estava nos Estados Unidos e o casarão em Higienópolis ficou sob os cuidados de Maria de Lourdes. Quando Bonetti retornou, ela passou a dividir o espaço com a mãe, que faleceu em 2011. 

Disputa pelos bens da família

Segundo Fefito, colunista do UOL, que leu partes do processo público que envolve Margarida Bonetti e suas duas irmãs, existe uma enorme cizânia na disputa pelos bens do inventário de Geraldo Vicente de Azevedo

No processo, é relatado que Margarida voltou ao Brasil por conta da situação de sua mãe; em nenhum momento as acusações de escravidão são apresentadas para justificar sua saída dos Estados Unidos. 

"Margarida, que morava nos EUA, veio por uma semana; encontrou sua mãe, de 84 anos, completamente abandonada pela filha mais velha, a única que morava em São Paulo. A viúva telefonava diariamente implorando por ajuda, mas a filha não atendia o telefone quando via o número da mãe no bina e, desde a morte do pai, recusou-se a visitar sua mãe na Rua Piauí e consequentemente ajudar a administrar os bens", aponta documento protocolado na 6ª Vara da Família e Sucessões do Foro da Capital.

Diante dessa situação, Margarida mudou-se dos EUA para dar apoio, cuidar e auxiliar a mãe em tudo, inclusive na administração dos bens", continua o processo. 

Porém, uma das irmãs de Margarida contesta esse argumento. Ela, inclusive, chegou a protocolar um pedido para que Maria de Lourdes fosse tirada do imóvel "em que se encontra em cárcere privado, sem os cuidados e higiene necessários". A ideia seria levá-la para uma casa de repouso. 

Cozinha da casa - Foto: Divulgação / Arquivo

A irmã de Margarida, que se diz ser a única herdeira viva de Geraldo além da mãe, isso antes de sua morte, é claro, ainda mostrou desejo em limpar o imóvel e remover o entulho espalhado pela mansão, além da catalogação dos bens. 

Segundo o colunista, a mulher se apresenta como única herdeira por conta de um acordo feito entre as três irmãs: para facilitar questões relacionadas ao inventário de Geraldo, ambas concordaram em abrir mão da herança, deixando tudo para a matriarca que, em vida, resolveria a divisão para elas. Mas essa tal irmã não atendeu aos pedidos, o que gerou uma enorme briga pela herança que dura até hoje.


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