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"Queria ficar branquinho": Michael Jackson volta a ser alvo de falsa teoria envolvendo vitiligo

No último domingo, 31, o nome do Rei do Pop foi parar nos trending topics do Twitter após fala de participante do Big Brother Brasil

Penélope Coelho Publicado em 01/02/2021, às 15h15 - Atualizado às 18h05

Michael Jackson em 2004
Michael Jackson em 2004 - Getty Images

No último domingo, 31, o nome do rei da música Pop, Michael Jackson, voltou à tona em uma polêmica. Tudo aconteceu após a cantora e atual participante do Big Brother Brasil, Karol Conká, afirmar que o artista “quis ficar branquinho” e usou o vitiligo como justificativa para a alteração em sua coloração.

"Ele queria ficar igual o Fiuk e ficou feio, cara. Ele era lindo, ficou com a pele mais branca que a sua", afirmou a participante. "Aí você vê que é um negócio estrutural. Até o Michael, que era o cara mais foda do planeta, entrou nessa, disse o filho de Fábio Junior.

Na ocasião, a confinada disse que a doença de Michael foi “emocional”. Quando questionada por outro integrante do reality a artista afirmou: “Eu nunca mais vi nenhuma outra pessoa ter um vitiligo que a mancha pega o corpo inteiro”, disse a sister.

A fala de Karol repercutiu negativamente nas redes sociais, principalmente, entre os fãs do cantor. Além disso, o posicionamento da rapper gerou dúvidas sobre o problema que o norte-americano enfrentou.

Confira o vídeo.

Contudo, de acordo com biógrafos que se aprofundaram na vida do músico, o que aconteceu com Michael Jackson não tem nenhuma relação com a afirmação que a cantora proferiu no reality show da TV Globo.

O diagnóstico

O ídolo musical que dá voz a canções inesquecíveis como: Billie Jean, Thriller, Smooth Criminal e muitas outras, teve a vida marcada por inúmeras polêmicas. Desde acusações de abuso, até a mudança em sua cor de pele.

No início da carreira, a imagem do cantor ficou eternizada com sua pele negra e cabelos cacheados, contudo, na década de 1980, o intérprete começou a apresentar mudanças em sua aparência, tornando-se cada vez mais pálido. Foi suficiente para que teorias falsas ganhassem vida. 

Michael sofria com vitiligo, uma doença que tem como característica principal a perda da coloração na pele. As lesões que acontecem em decorrência da diminuição ou falta de melanócitos acabam gerando manchas de pigmento claro ao redor do corpo.

Início da mudança de coloração na pele do cantor / Crédito: Wikimedia Commons

 

De acordo com uma biografia não oficial do cantor, escrita por J. Randy Taraborrelli, o rei do Pop foi diagnosticado com a enfermidade em 1986. Além disso, o artista também recebeu o resultado positivo para lúpus, o que pode ter ajudado a desencadear o vitiligo.

Desde então, o homem passou a fugir do Sol para evitar mais danos em sua pele. O cantor também tomou a decisão de realizar um tratamento para acelerar o processo da doença.

O processo

Após receber o diagnóstico de vitiligo, Michael passou a realizar procedimentos com apoio e auxilio médico. O cantor fez o uso de laser e hidroquinona, conforme repercutido numa reportagem da revista Superinteressante de 2009.

Através desse tratamento, Jackson pôde acelerar o processo da doença a fim de evitar que as manchas ficassem aparentes. Diante do uso da medicação que acaba com a capacidade de produzir melanina, o produto clareou a pele do astro como um todo — já que reverter a mancha para o tom mais escuro é extremamente difícil.

No lançamento de Bad, em 1987, Michael parecia ter a pele mais clara do que em Thriller. Alguns fãs se incomodaram com a mudança, visto que, por ter surgido na Motown Records, uma gravadora predominantemente de música negra, o ídolo estaria se virando contra suas origens e tentando se adequar ao padrão comercial da indústria musical. O crítico cultural Steven Shaviro chegou a dizer que “em uma sociedade supremacista branca, ele queria se tornar branco”.

Entretanto, a verdade veio à tona em entrevista a Oprah Winfrey, no ano de 1993. O artista revelou que clareava a pele com maquiagem para uniformizar os efeitos do vitiligo. 

Na ocasião, o astro falou sobre as falsas histórias. “É algo que não posso evitar [...] Quando as pessoas inventam histórias que eu não quero ser quem eu sou, isso me machuca. É um problema para mim. Eu não consigo controlar isso”, revelou o músico.

Michael fugindo do Sol / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao falar abertamente sobre o vitiligo, o cantor abriu portas para a discussão sobre a doença, que, até então, era pouco comentada e envolta em inúmeros tabus. Contudo, muitos ainda acreditavam que a enfermidade do ídolo era uma invenção do artista, para justificar a mudança na cor de sua pele.

Após a morte do rei do Pop, em 25 de junho de 2009, a autópsia em seu corpo revelou que o homem realmente possuía vitiligo, ao contrário do que era dito pela mídia.


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