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A história real por trás de Judas e o Messias Negro, que garantiu um Oscar

A obra cinematográfica leva o público de volta a volta a década de 60, especificamente para a saga de Fred Hampton

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 26/04/2021, às 11h13

Cena de Judas e o Messias Negro (2021)
Cena de Judas e o Messias Negro (2021) - Divulgação

Durante o Oscar, ocorrido ontem, 25, Daniel Kaluuya brilhou entre os presentes ao ser agraciado com o prêmio de 'melhor ator coadjuvante' na obra cinematográfica Judas e o Messias Negro. 

Ganhando o primeiro Oscar aos 32 anos, é uma surpresa que Daniel não tenha recebido a estatueta antes, afinal, ele é o protagonista de Corra, um dos maiores filmes de suspense de 2017. 

Contudo, a vitória se deu após seu trabalho lançado em 2021, baseado numa história real que leva o público para a década de 60, especificamente para fatos que marcaram a saga dos Panteras Negras.

"Que homem, somos abençoados de ser contemporâneos dele. Muito obrigado por sua vida. Ele viveu por 21 anos e achou uma forma de alimentar crianças, de educar crianças", agradeceu Daniel a Fred Hampton durante seu discurso de vitória. 

Mas afinal, quem era Hampton?

O Panteras Negras foi um partido político surgido nos Estados Unidos da década de 60 que defendia propostas revolucionárias para combater a forte discriminação e violência racial direcionada à comunidade negra na época. 

O partido acabou se dissolvendo vinte anos mais tarde, com um dos grandes influenciadores desse fim sendo a repressão policial enfrentada pelo grupo. Mais de um dos líderes foi assassinado pela polícia, incluindo Fred Hampton, que morreu durante uma invasão de oficiais em seu apartamento durante uma das reuniões dos Panteras Negras. 

Hampton tinha apenas 21 anos de idade quando faleceu. Sua história inspiradora e trágica, assim como a interferência do FBI em seu destino.

Ator Daniel Kaluuya interpretando Hampton no filme "Judas e o Messias Negro" / Crédito: Divulgação/ Warner Bros 

 

Líder natural 

Fred cresceu nos subúrbios da cidade de Chicago, que fica no estado norte-americano de Illinois, e desde jovem esteve já envolvido em trabalhos voluntários, distribuindo café da manhã para crianças durante finais de semana, por exemplo.

No colégio, ele já demonstrou seu interesse e determinação em participar ativamente da defesa da igualdade racial, sendo responsável, por exemplo, pela organização de protestos exigindo que mais funcionários negros fossem contratados. 

O partido foi fundado em 1966, quando Hampton tinha 18 anos. Na época, inclusive, ele já era parte da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) e do conselho juvenil de sua região. 

Fotografia mostrando membros do Panteras Negras / Crédito: Divulgação/ Facebook 

 

Aos 20, ele foi chamado para fundar o partido negro no estado de Illinois. Seu ativismo consistente e talento para a oratória ainda conquistaram-lhe o cargo de vice-presidente nacional dos Panteras Negras. 

Infelizmente, o carisma e naturalidade em posições de liderança de Fred não chamaram atenção apenas das minorias pelo qual ele lutava, mas também do FBI, o serviço de inteligência dos Estados Unidos. 

Nesse período, não era incomum que personalidades negras tivessem seus movimentos acompanhados pela polícia, inclusive: Martin Luther King e Malcolm X eram vigiados também, segundo repercutido pela BBC em uma reportagem deste ano. 

O Judas da história 

Hampton não é o único personagem histórico de relevância trazido pelo filme “Judas e o Messias Negro”. Outro nome de grande importância para o desenrolar dos fatos é o de William O’Neal, um ladrão de carros de 18 anos que, após ser capturado pelo FBI, recebeu uma oferta difícil de recusar: contanto que ele colaborasse com uma operação policial, teria sua ficha criminal limpa. 

A operação consistia em infiltrar-se no partido Panteras Negras, e passar a atuar como espião. As informações vazadas para o departamento através de O’Neal foram essenciais para a invasão do apartamento de Fred, episódio no qual 99 tiros foram disparados contra os membros do movimento presentes ali. 

Era 4 de dezembro de 1969, e segundo foi repercutido por uma reportagem recente da Superinteressante, Hampton faleceu enquanto estava inconsciente, provavelmente tendo sido drogado na noite anterior pelo informante.   

Apesar de seu papel relevante nesse dia, a espionagem William não foi descoberta até 1973, quando ele já tinha até mesmo deixado o partido. 

Vale dizer ainda que foi apenas uma década mais tarde, em 1983, que o FBI afinal indenizou os sobreviventes da invasão, incluindo a mãe do líder ativista.


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