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Racismo, exploração e morte: 5 fatos sobre os horrores do Congo Belga

A região africana — que foi dominada como colônia da Bélgica — ficou conhecida como uma das experiências mais violentas de dominação contemporânea

André Nogueira Publicado em 13/06/2020, às 08h00

Congo Belga
Congo Belga - Wikimedia Commons

O Congo é um dos maiores e mais relevantes países da África, tendo um passado sombrio de crimes e atrocidades cometidos pela dominação colonial. Domínio dos belgas desde a Conferência de Berlim, a região, que posteriormente se tornaria um país, chocou o mundo diante de denúncias de abusos e ações criminosas por parte dos ocupadores. 

O país até hoje sofre consequências do caos político criado pela colonização e pelos atritos desenvolvidos pela política de morte da Bélgica, que não apenas colocou grupos étnicos diferentes em batalha como também embaralhou a distribuição demográfica regional. Por esse motivo, o Congo sofreu diversos episódios de golpes e guerras civis e hoje mergulha numa precariedade estrutural que impede seu desenvolvimento.

Conheça 5 fatos sobre o período mais sombrio de sua história, marcado pela dominação belga.

1. Propriedade privada

Rei Leopoldo II  / Crédito: Wikimedia Commons

 

O Congo Belga é o nome dado ao território ultramarino da Bélgica a partir de 1908, quando a região passou por mudanças de status jurídico. Isso porque, originalmente, o Congo era a maior propriedade privada do mundo, sendo dominado pelo rei belga Leopoldo II, que liderou os horrores cometidos. A essa grande propriedade, dava-se o nome de Estado Livre do Congo.

2. Exploração diária

Belgas e cativos mostrando mãos decepadas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Entre as ações hediondas que ocorriam no Congo Belga, denunciadas pela Comunidade Internacional, a escravidão era a mais comum. Em nome da extração de recursos naturais valiosos, — como minérios e borracha — a Force Publique e o Exército criaram um regime de dominação baseado em castigos e punições, que incluíam a chibata, armas modernas, tortura, afogamento, estupro, incineração de aldeias e assassinato.

Uma das técnicas de controle que ficou conhecida por seu uso no Congo Belga era a dilaceração ou extirpação de membros como punição pelo não cumprimento da cota de trabalho. Basicamente, quando os senhores estavam insatisfeitos com a coleta dos trabalhadores, uma mão ou um pé era arrancado. Assim ocorria sucessivamente, até que homens e mulheres não fossem mais capazes de trabalhar, sendo executados ou deixados para morrerem de inanição.

3. Denúncias

George Washington Williams / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além da disputa colonial e ética, propriamente ditas, outras potências do norte atuaram como revezes ao projeto de governo dos belgas na África. Por isso, países como EUA, Inglaterra e França se esforçaram na criação de impeditivos contra a Bélgica de Leopoldo, incluindo uma série de denúncias contra o regime congolês.

O Reino Unido, claro, tinha como compromisso principal sua hegemonia na disputa por territórios e o enfraquecimento do oponente continental. Porém, a primeira denúncia contra os crimes de Leopoldo vieram de uma boa intenção: George Washington Williams, um escritor e militar estadunidense, que anunciou ao mundo as barbáries ocorridas no país após uma viagem de investigação.

4. Independência

Patrice Lumumba / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim como a maioria dos países africanos, a emancipação política do Congo Belga veio acontecer depois da Segunda Guerra Mundial, após esforços diversos de negociação e guerra contra o domínio colonial. O processo de independência do país passou, principalmente, por um movimento diplomático, associado com programas de autonomia econômica e algumas revoltas mais violentas, tendo como principal condutor o Movimento Nacional Congolês, em sua ala de caráter socialista, anti-imperialista e pan-africanista.

Seu principal preceptor era Patrice Lumumba, um líder político envolvido com o movimento desde antes da independência, quando fazia representações do país. Com sua participação, o Congo declarou sua independência em 1960, quando Lumumba foi eleito primeiro-ministro e convencionou o nome República do Congo à nação. Lumumba se manteve no poder até sofrer um golpe de Mobutu Sese Seko, 12 semanas depois.

5. Genocídio

As atrocidades cometidas no Congo Belga estão entre as mais violentas do mundo contemporâneo, e as diversas denúncias feitas contra a Bélgica tentaram incluir o crime de genocídio. Porém, essa acusação foi alvo de grande polêmica. Segundo a defesa belga, nunca houve um alvo étnico nas ações do Estado, com intuito de eliminação, então a acusação não procederia.

Porém, uma resolução sobre esse tema da ONU declarou que um genocídio implica em qualquer prática deliberada de matança de membros de um grupo étnico distinto, em que a intenção inclui destruição, mesmo que parcial, da população. Portento, o que aconteceu no Congo foi genocídio.


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