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Receitas atípicas para o cabelo e alimentos estragados: a impressionante falta de higiene na Era Vitoriana

Os costumes inacreditáveis para os tempos atuais, eram completamente normais no século 19

Penélope Coelho Publicado em 29/03/2020, às 08h00

Retrato de uma moça vitoriana tomando banho
Retrato de uma moça vitoriana tomando banho - Getty Images

A Era Vitoriana, que ocorreu entre 1837 a 1901, marcou o reinado da Rainha Vitória. No século 19, a população da Inglaterra vivia com base nos valores da moral e bons costumes. E, eram normalizados, por exemplo, a mortalidade infantil, carência de acesso à educação e a falta de higiene.

Nessa época, os conhecimentos sobre ciências e medicina ainda eram precários, então, qualquer rumor, ou, teoria virava uma verdade absoluta. Fazendo com que os hábitos de higiene praticados fossem um tanto curiosos e um pouco inacreditáveis quando analisados no século 21.

Loucuras na lavanderia da Era Vitoriana

Alguns elementos bem incomuns eram utilizados para limpar as roupas e o chão dos palácios e casas. Mesmo que, ao modo deles estivesse tudo ocorrendo normalmente. Imagina só lavar o piso com enxaguante bucal. Sim, o Listerine, criado em 1879, e divulgado na época como antisséptico, não obteve sucesso, foi usado como produto de limpeza e até remédio para gonorreia, tornando-se o que conhecemos hoje somente em 1914.

Já a limpeza das roupas não se limitava apenas ao sabão, uma coisa estranha era utilizada para clarear as vestimentas: urina humana. Quando foi descoberto que existia amônia no xixi, a população começou a usá-lo para deixar as roupas mais brancas. Mas não parava por aí.

Retrato da rainha Vitória, pintado em 1887 / Crédito: Getty Images

 

Rituais de beleza 

Para cuidarem da aparência, as mulheres mais vaidosas na Inglaterra durante o século 19 foram uma das primeiras a começar os cuidados de higiene feminina. Elas adoravam cuidar de seus cabelos e pele, no entanto, não se sabe ao certo, se os produtos escolhidos realmente davam algum resultado, já que atualmente eles não são nada convencionais.

Para manter a pele jovem, os registros da época em revistas e livros de beleza, como o Unmentionable: The Victorian Lady's Guide to Sex, Marriage, and Manners (Não mencionável: o guia da senhora vitoriana para sexo, casamento e maneiras, em tradução para o português), escrito por Therese Oneill, um dos elementos citados era passar fatias finas de carne crua no rosto para mantê-lo saudável e firme.

Mulheres no século 19 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para manter os cabelos limpos, o shampoo ainda não havia sido inventado, então as moças se viravam com o que tinham, e costumavam misturar ovos, vinagre, chá preto, rum, ou, alecrim, com água para passar nas madeixas.

Os cremes dentais utilizados também eram diferentes do que estamos acostumados hoje em dia. Só quem tinha acesso as pastas de dente e escovas eram os mais ricos, enquanto os pobres tinham que usar misturas caseiras. Eles utilizavam pó de giz, fuligem e chocolate em pó, na tentativa de manter os dentes limpos.

Alimentação e Doenças

Na época, era frequente a venda de alimentos em péssima condição, que eram dados como frescos. Isso acontecia muito com a carne e o pão, por exemplo. O leite não pasteurizado chegou a espalhar tuberculose, e costumava-se adicionar um veneno potente para conservar os alimentos, o arsênico.

Além disso, as ruas eram muito sujas e os rios extremamente poluídos, esses hábitos levaram à morte de muitos habitantes da Inglaterra. Na década de 1860, toneladas de dejetos fecais eram despejados no rio Tâmisa. Sem tratamento de esgoto, ele era a principal fonte de água potável da cidade, levando diversas pessoas a morrerem de cólera, febre tifoide e disenteria.


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