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A (re)estreia da União Soviética nas Olímpiadas durante a Guerra Fria

Em meio a um clima de rivalidade entre EUA e URSS, o gigante comunista queria provar sua superioridade até mesmo no esporte

Alexandre Carvalho Publicado em 26/07/2021, às 12h15

União Soviética na cerimônia de abertura das Olimpíadas de 1964,
União Soviética na cerimônia de abertura das Olimpíadas de 1964, - Domínio Público via Wikimedia Commons

Antes da revolução dos bolcheviques, os russos participavam normalmente das Olimpíadas. O então império iniciou sua participação em 1900, mas foi no evento de Londres, em 1908, que conquistou suas primeiras medalhas: uma de ouro (na patinação no gelo) e duas de prata.

Com a Revolução de 1917, porém, tudo mudou. Os agora soviéticos consideraram os Jogos “coisa de burguês” e abandonaram as disputas. Se a União Soviética decidiu retornar às Olimpíadas, fazendo sua (re)estreia na de Helsinque, em 1952, foi por causa de uma competição que, na essência, nada tinha a ver com esporte: a Guerra Fria.

Assim como nas questões do armamento nuclear e da corrida espacial, os soviéticos não queriam ficar atrás dos grandes capitalistas que emergiram da Segunda Guerra: os Estados Unidos. “Os Jogos se tornaram uma plataforma para a imprensa avaliar quem estava ganhando a ‘guerra maior’”, analisa o especialista Jules Boykoff. “O ‘mundo livre’ ou os comunistas?”.

A União Soviética surgiu já como uma superpotência olímpica, terminando sua participação em Helsinque com a segunda melhor performance em medalhas de ouro e no total de pódios, sendo superada apenas pelos EUA. E a disputa foi acirrada: 76 medalhas para os capitalistas contra 71 dos comunistas.

Fato é que a rivalidade entre as maiores potências mundiais, em meados do século 20, fez bem às Olimpíadas. Pelo menos à parte esportiva. O esforço por superar o arquirrival foi tanto que, no atletismo feminino, em Helsinque, todas as modalidades, com exceção do salto em altura, tiveram quebras de recordes.

Segundo o historiador britânico Christopher Hill, “o esporte era uma arma dos conflitos internacionais”. Se os desempenhos atléticos passaram a maravilhar o mundo, não dá para dizer que o espírito esportivo promoveu entendimento político. Já nessa volta dos soviéticos aos Jogos, atletas dos países alinhados aos EUA ficaram alojados de um lado separado daqueles que vinham da Cortina de Ferro.

A União Soviética nem aceitou que a tradicional viagem da tocha olímpica passasse por seu território. Nesse clima de animosidade, não tardaria para que as divergências acabassem, enfim, trazendo prejuízos enormes à história do esporte. Como repúdio à invasão do Afeganistão pelos soviéticos, o presidente dos EUA, Jimmy Carter, decidiu boicotar a Olimpíada de Moscou em 1980 – e foi seguido por 65 países aliados.

O esvaziamento do evento foi um baque não apenas para os organizadores. Havia atletas no auge de sua forma que perderam oportunidades de conquistar uma medalha de ouro porque seu país aderiu ao boicote americano. O atual presidente do Comitê Olímpico Internacional foi um deles. Thomas Bach havia ganhado ouro em esgrima já nos Jogos anteriores, de Montreal, e tinha tudo para repetir o feito – mas a então Alemanha Ocidental proibiu seus atletas de competir em Moscou.

Quatro anos depois, na Olimpíada de Los Angeles, os soviéticos deram o troco. Formaram um bloco de países para boicotar os Jogos, incluindo Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Hungria, Polônia e Cuba, entre outros. O Irã também não foi, mas por outro motivo: “os americanos interferem no Oriente Médio e auxiliam o governo que ocupa Jerusalém”.


 
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