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Reféns da mídia durante 32 anos: o inacreditável caso Azaria Chamberlain

Lindy e Michael viram seu bebê ser raptado por um dingo, um cachorro silvestre muito comum na Austrália. Além da dor de perder a filha, eles tiveram que enfrentar a hostilidade do público e da imprensa

Paola Churchill Publicado em 28/05/2020, às 18h18

Lindy Chamberlain e sua filha, Azaria
Lindy Chamberlain e sua filha, Azaria - Divulgação/Youtube

Agosto de 1980 ficou marcado na mente de Lindy e Michael Chamberlain. O casal australiano decidiu tirar férias em família e opataram por acampar perto da rocha de Ayer, em Uluru. 

Os dois eram pais de Azaria, uma linda garotinha de dois meses. No entanto, o que antes se parecia com um sonho, virou pesadelo: seria a primeira e a última viagem em família que os Chamberlain fariam, mas eles não tinham a mínima ideia disso. 

Lindy e Michael Chamberlain/Crédito: Wikimedia Commons

 

 

Na noite do dia 17 de agosto de 1980, o casal estava reunido com mais algumas pessoas num acampamento, localizado meio do deserto australiano, quando escutaram o grito do bebê. Lindy correu desesperada para a barraca da família para ver o que tinha acontecido.

Assim que chegou, a sensação de desespero tomou seu corpo. A filha havia sumido e uma grande quantidade de sangue tomava a barraca. Diante do cenário, a mãe saiu aos prantos dizendo que um Dingo — um cachorro silvestre muito comum na Austrália —, havia levado a sua pequena. 

Todos os presentes no local começaram uma busca frenética por Azaria, mas a única coisa que encontraram foi o macacão do bebê sujo de sangue, uma trilha com gotas de sangue e marcas de pegadas de um grande cachorro. 

O Dingo é um animal selvagem comum na Austrália/Crédito: Wikimedia Commons 

 

As pessoas que estiveram com os pais naquele dia prestaram depoimento. Afirmaram o quanto a família era amorosa e estava desesperada atrás da criança. Mas, logo começou um burburinho criado pela mídia, onde fora levantado que, na verdade, a criança havia sido cruelmente assassinada pela mãe.  

 

O circo sensacionalista 

Lindy já passava pela dor de perder uma filha e agora tinha que passar pelo sofrimento das pessoas a acusando de ter matado Azaria. Tudo que a australiana fazia, de alguma forma era errado. Se ela chorava, estava fazendo um teatro; se aparecia calma, era mais uma prova que ela era uma assassina cruel e sem limites. E a situação ficaria ainda pior.

Em 1982, dois anos depois do incidente, Lindy e seu marido foram acusados pela morte da própria filha, mesmo que não tivessem evidências suficientes para apoiar a teoria, mas a pressão midiática e a opinião pública foram decisivas no caso. 

Lindy, que estava grávida de sete meses quando o julgamento começou, foi condenada à prisão perpétua sem direito a condicional, já Michael pegou três anos de cárcere por ajudar a mulher a esconder o caso. 

Na cadeia, a mulher teve outra linda criança, Kahlia, mas ela também foi tirada de seus braços e colocada em custódia. Lindy pensava o quanto mais ela teria que sofrer para provar sua inocência. 

 

Em 1986, foi revelada uma peça de roupa de Azaria na entrada da toca de um dingo. Como consequência, a mãe da menininha foi libertada e recebeu a custódia de Kahlia. As condenações contra os Chamberlain foram retiradas e o casal recebeu mais de um milhão de dólares australianos do governo por terem sido presos injustamente. 

Roupinha de Azaria encontrada na toca de um Dingo/Crédito: Wikimedia Commons

 

Mesmo livre e com provas de sua inocência, Lindy ainda sofria represálias de pessoas que achavam que ela havia matado o bebê. Foi só em dezembro de 2011, quando uma legista australiana conseguiu provar que um dingo realmente tinha devorado a criança, que as pessoas passaram a ver a mulher com outros olhos, 32 anos após o ocorrido. 

Em uma entrevista, a mulher conta como a mídia a tornou a vilã da história: "se eu sorrisse, estaria depreciando a morte da minha filha. Se eu chorasse, estaria fingindo. O ponto é que, até você passar por algo, você não tem ideia de como reagirá... Eu fiz a o melhor que pude com o que eu tinha ".


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