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Rei até os 24 anos: a vida meteórica de Pedro V de Portugal, neto de Dom Pedro I

Conhecido por priorizar os interesses da sociedade e ser um defensor da abolição da escravatura, o monarca era adorado pelo povo — que lamentou muito sua morte precoce

Fabio Previdelli Publicado em 11/07/2020, às 08h00

Pedro V de Portugal em pintura oficial
Pedro V de Portugal em pintura oficial - Wikimedia Commons

“O Esperançoso” e o “Muito Amado”, esses eram os apelidos Pedro V, que foi Rei de Portugal e Algarves de 1853 até sua morte em 1861. Fruto mais velho da união entre a filha de dom Pedro I, a rainha Maria II, e o Rei Fernando II, ele ascendeu ao trono muito novo, apenas com 16 anos, mas sua promissora trajetória terminou de maneira precoce.

Embora muito jovem quando chegou ao poder, em decorrência da morte de sua mãe, com seu pai atuando como regente de seu reino até sua maioridade me 1855, Pedro V era considerado por muitos como um monarca exemplar.

A frente do Reino, conseguiu reconciliar o povo com a casa real, detalhe muito importante dado que o período de sua matriarca no poder passou por um período de guerra civil. Parte fundamental dessa conquista, dom Fernando II orientou o jovem no que diz respeito às grandes obras públicas que foram efetuadas naquele período.

Pedro V (dir.) era neto de dom Pedro I (esq.) / Crédito: Wikimedia Commons

 

Tudo isso o fez ser reconhecido e descrito como um monarca de valores sociais bem presentes, muito em virtude da sua educação, o que lhe permitiu um trabalho junto das comunidades, além de um vasto conhecimento do continente europeu.

Sua aclamação como rei aconteceu em 16 de setembro de 1855. Neste mesmo ano ainda ocorreu a inauguração do primeiro telegrafo no país. Pouco mais de um ano depois, houve a abertura do primeiro caminho de ferro que ligava as cidades de Lisboa e Carregado.

Outra importante conquista de seu reinado foi o início das primeiras viagens regulares de navios entre Portugal e Angola. Durante seu governo, estudou com afinco todas as deliberações governamentais que foram propostas e também criou o Curso Superior de Letras, em 1859, subsidiando de seu bolso um donativo de 91 contos de réis.

Diferentemente de muitos naquela época, Pedro V era um defensor voraz da abolição da escravatura e também se mostrou muito preocupado com seu povo. Durante seu reinado, Portugal foi atingido com duas epidemias preocupantes: a primeira de cólera, que se espalhou entre 1853 e 1856; e a outra de febre amarela, que atingiu a população de 1856 a 1857.

Durante esses anos, ao invés de se refugiar e cuidar de sua saúde, o monarca passou a percorrer hospitais e visitar enfermos, passando diversos momentos os observando de suas cabeceiras. O ato lhe deixou cada vez mais popular.

Em 1858, Pedro V casou-se, de maneira preventiva, com a princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen. Entretanto, a união durou pouco tempo, já que a princesa faleceu no ano seguinte. Porém, juntos, conseguiram fundar hospitais públicos e instituições de caridade. Cumprindo um desejo de sua companheira, o monarca ainda fundou o Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.

Dois anos depois, porém, todo o sonho iniciado por Pedro V teve seu fim. Isso porque, em 11 de novembro de 1861, o monarca pereceu, aos 24 anos, devido à febre tifoide. Sua partida causou uma enorme comoção e tristeza em todas as escalas da sociedade.

Não tendo filhos, acabou sendo sucedido por seu irmão, o infante dom Luís, que residia no sul da França. Seu corpo foi sepultado no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Retrato de Pedro V ao lado de sua esposa / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como legado, deixou uma notável preparação moral e intelectual — além de estudar ciências naturais e filosofia, também dominava o grego e o latim, e chegou a estudar um pouco do inglês —, muito influenciado por seu educador Alexandre Herculano.

Além do mais, sempre trocava correspondências com Mário Jorge de Castro Botelho, a quem pedia conselhos para governar. "Com um temperamento observador, grave, desde criança [...] mandou pôr à porta do seu palácio uma caixa verde, cuja chave guardava, para que o seu povo pudesse falar-lhe com franqueza, queixar-se [...] O povo começava a amar a bondade e a justiça de um rei tão triste [...]", descreveu um de seus biógrafos.


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