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Rejeição inicial e traições: a vida íntima da imperatriz Teresa Cristina

Antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente, a princesa teve que casar com Dom Pedro II, que era seu parente distante

Vanessa Centamori Publicado em 24/06/2020, às 11h29

Dom Pedro II e Teresa Cristina
Dom Pedro II e Teresa Cristina - Wikimedia Commons

Teresa Cristina era uma princesa italiana do Reino das Duas Sicílias. Sua vida mudou para sempre quando, aos 21 anos de idade, ela teve que se casar com o primo de primeiro grau e meio: o imperador brasileiro Dom Pedro II.

Quando Roma aprovou a união, o casamento com o parente ocorreu antes mesmo que a donzela conhecesse o pretendente. O irmão da princesa, Leopoldo, foi quem a representou na cerimônia de procuração, em Nápoles, no dia 30 de maio de 1843. 

Rejeição à primeira vista 

Casada com um completo desconhecido, Teresa teve que embarcar para o Brasil para finalmente vê-lo de perto. Em 3 de setembro, a dama foi até o Rio de Janeiro, animada para olhar o esposo. Os cabelos loiros de D. Pedro II a encantaram, mas não houve reciprocidade. 

Para o imperador, a aparência de Teresa Cristina foi uma verdadeira decepção. Iludido por retratos que tinha visto da moça, o jovem Pedro, de 17 anos, a rejeitou. Baixinha e "acima do peso", o monarca considerou a esposa feia. 

Relatou até ter se sentido "enganado" a Paulo Barbosa, o seu mordomo-mor, e também a D. Mariana, a camareira-mor da Casa Imperial. Segundo conta a biografia Dom Pedro II, de José Murilo de Carvalho, o monarca teria também chorado nos braços do mordomo. E correu ainda até a governanta, lamentando-se muito, ao dizer: “enganaram-me, dadama!”.

Retrato da imperatriz Teresa Cristina/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Mas as lágrimas do imperador chorão secaram, eventualmente. Os deveres reais falaram mais alto: mesmo com a procuração já feita, D.Pedro II topou fazer uma segunda cerimônia casamenteira. O matrimônio, dessa vez presencial, e, muito extravagante, aconteceu em 4 de setembro de 1843, na Capela Real do Rio de Janeiro.

Mulher forte e dedicada 

Mesmo com a rejeição de D.Pedro II, Teresa Cristina estava determinada em ser uma excelente esposa e imperatriz. Em uma carta, ela escreveu à Família Real que sabia que sua aparência era diferente da anunciada. No entanto, ela disse: "Farei todo o possível para viver de tal maneira que nada leve ao engano de meu caráter. Minha ambição será parecida à de Maria Leopoldina da Áustria, mãe de meu marido, e serei brasileira de coração em tudo que fizer".

Dito e feito. Teresa esteve presente em várias solenidades magnas, nas funções religiosas e até em assuntos de guerra. Ganhou um apelido patriótico, sendo conhecida como "a desvelada mãe da infância desvalida, a amparadora dos pobres e a terna mãe dos brasileiros". 

Teresa Cristina com seus filhos /Crédito: Wikimedia Commons 

 

Com D.Pedro II, era educada, discreta e muito paciente, por mais que ele sempre a tratasse com frieza e distanciamento. Bem ou mal, entre vários conflitos, os dois acabaram mantendo uma leve amizade. Como resultado, nasceram quatro crianças: D. Afonso, que morreu com dois anos; D. Pedro Afonso, que também partiu, mas com poucos meses de vida; além de duas meninas, Leopoldina e a Princesa Isabel. 

 

Amantes 

O historiador Paulo Rezzutti teve acesso a cartas de D.Pedro II às suas amantes, que estão na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. No livro Dom Pedro II – A história não contada, o especialista relatou que havia correspondências datadas do mesmo dia, ou dias próximos, para duas mulheres diferentes. A cada uma, o imperador fanfarrão jurava que não sabia o que era o amor antes de conhecê-las. 

Assim como o seu pai, D.Pedro I, o monarca brasileiro era um habilidoso infiel, só que bem mais discreto. No entanto, hoje sabemos que o rei era um enorme namorador. Uma de suas amantes prediletas era Ana Maria, a condessa de Villeneuve, com quem ele teve várias noites de sexo e escreveu: “Que loucuras cometemos na cama de dois travesseiros!”.

A pior inimiga de todas 

Pelas costas de Teresa Cristina, outra mulher amada por D. Pedro II era a condessa de Barral, uma moça casada, chamada Luísa Margarida de Barros. Ela vivia na França, mas quando foi ao Brasil, começaram a surgir charges picantes dela com o rei. 

Conforme relata a historiadora Mary Del Priore, a chegada da condessa mudou muita coisa. "Teresa Cristina agora via suas filhas se afastarem também [...]. E não lhe passava despercebido o encanto do seu “querido Pedro” por aquela mulher. Teresa se sentia ameaçada pela inteligência, o brilho e a graça de Luísa", escreveu.

Embora fosse ela mesma muito inteligente, compreendendo muito de literatura, poesia e arqueologia, Teresa Cristina sofria com baixa autoestima e alguns problemas de memorização. Quando a perguntavam algo, ela sempre mandava consultar D. Pedro II. Além disso, os ciúmes que Teresa sentia de Luísa ficaram guardados com ela, em sua introspecção. 

O relacionamento da condessa com o marido de Teresa durou até o fim da vida de D.Pedro II. Aos 51 anos de idade, ele estava na Áustria e escreveu à condessa de Barral: "Tomara-me já perto de você que as saudades têm sido muitíssimas e para mim não há diferenças de terras quando sinto que você é sempre a mesma para mim". 

Luísa Margarida de Barros, a condessa de Barral /Crédito: Wikimedia Commons 

 

Morte 

Enquanto era traída, Teresa Cristina revelava veladamente um desconforto, por mais que tentasse manter a discrição. Segundo conta o historiador Tobias Monteiro, a imperatriz consorte "não conseguia dissimular que detestava Barral". D. Pedro mandava sempre para a amante livros e flores secas. Para a esposa, só restava a rejeição. 

No entanto, a mulher, com boa educação, foi levando com seu requinte os desrespeitos do marido. Assim foi até a sua morte, que ocorreu quando ela estava exilada na Europa, junto de D. Pedro II. A imperatriz faleceu por causas naturais em 28 de dezembro de 1889, na cidade de Porto. 

Em memória à mulher falecida, D.Pedro II doou aos brasileiros sua monumental biblioteca, com a condição que ela fosse adicionada à coleção batizada de D. Thereza Christina Maria. Apesar dessa homenagem suntuosa, mesmo após a esposa falecer, o imperador não parou de trocar cartas com a condessa de Barral.


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