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Rejeição, medo e violência doméstica: o triplo homicídio cometido por Robert William Fisher

Em abril de 2001, o homem protagonizou um dos maiores crimes dos Estados Unidos, que segue sem solução até hoje

Pamela Malva Publicado em 02/04/2020, às 17h30

Robert William Fisher, o homem que assassinou a esposa e os dois filhos
Robert William Fisher, o homem que assassinou a esposa e os dois filhos - Wikimedia Commons

Por muitos anos, crimes domésticos foram vistos como passionais. Era comum que assassinatos, estupros e violência fossem justificados por ciúmes, ainda mais em casos de término da relação ou divórcio.

Essa alegação, entretanto, não defendeu Robert William Fisher quando ele decidiu tirar a vida de sua esposa e de seus dois filhos. Durante as investigações, nem mesmo a separação foi considerada — até porque, ela nem chegou a acontecer.

A justiça, é claro, ficou do lado das vítimas e Robert desapareceu. Em pouco tempo, ele se tornou um dos maiores procurados na história dos Estados Unidos, protagonizando um crime hediondo, cheio de mágoa e muito ciúme.

Projeções do envelhecimento de Robert publicadas em 2016 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Histórias do passado

Depois de uma infância tranquila, Robert não estava pronto para as angústias trazidas pela adolescência. Além dos problemas normais do período, o menino, aos 15 anos, acompanhou todo o processo do divórcio dos pais e, em seguida, abandono da mãe.

Nascido em Brooklyn, em 1961, o jovem ficou mais do que abalado com a separação. Segundo seus parentes, Robert sofreu por muito tempo os efeitos duradouros de um processo longo e turbulento.

Assim, mesmo adulto, o homem tinha suas mágoas guardadas. Por vezes, ele falava sobre sua infância com amigos e colegas de trabalho e, nas ocasiões, comentava como sua vida teria sido diferente caso sua mãe não os tivesse abandonado.

Uma vez veterano da Marinha dos Estados Unidos, Robert teve experiências como técnico em cateteres cirúrgicos, terapeuta respiratório e bombeiro. No entanto, seus hobbies peferidos eram a caça e a pesca.

Robert, Mary, Brittney e Bobby / Crédito: Divulgação

Novas lembranças

Em 1987, Robert se casou com Mary Cooper, de 24 anos, e teve dois filhos, os pequenos Brittney e Bobby. A família, entretanto, sofria com os comportamentos do homem, que era descrito como cruel e distante, além de um pai desajeitado.

Como era de se esperar o casamento logo começou a ruir. Na tentativa de consertar a relação, os Fishers procuraram por aconselhamento conjugal na igreja da cidade. Mas o que Mary acreditava ser um simples conflito se mostrou algo muito pior.

Em determinado momento do matrimônio, Robert traiu sua esposa com uma prostituta que conheceu em uma noite na cidade. Ele, ainda assim, tinha medo que Mary descobrisse e terminasse o relacionamento.

Para psicólogos que estudaram o caso, o medo constante de Fisher era condizente com a experiência traumática da separação de seus pais. Mas Mary já não aguentava mais. Por semanas, ela afirmou aos amigos que pediria divórcio. Até que nunca mais afirmou nada.

As chamas da loucura

No dia 10 de abril de 2001, os bombeiros foram notificados sobre um enorme incêndio em uma rua residencial. Segundo as denúncias, o fogo teria sido consequência de uma explosão, ocorrida ainda naquela manhã.

Em uma operação veloz, os especialistas contiveram as chamas que chegavam aos 6 metros de altura e conseguiram entrar na casa carbonizada. Lá dentro, no quarto, três corpos jaziam em uma cama. Mary, baleada na parte de trás da cabeça, estava deitada ao lado dos dois filhos, de 12 e 10 anos, ambos com as gargantas cortadas.

Imagem meramente ilustrativa de casa pegando fogo / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

A cena do crime ligava os assassinatos diretamente a Robert e ele logo tornou-se o principal suspeito. Durante as investigações, ficou claro que os homicídios foram premeditados, já que o gás da explosão começou a ser liberado na noite do dia anterior.

Para os investigadores, era óbvio que Robert não queria que seu relacionamento acabasse. Então, transtornado após uma briga, ele planejou todo o crime e, quando conseguiu o que queria, desapareceu.

Sem vestígios

Em abril de 2001, as últimas pistas sobre o paradeiro de Robert Fisher foram encontradas na Floresta Nacional de Tonto, perto do Arizona. Na época, policiais identificaram o Toyota 4Runner de Mary e o cachorro da família, chamado Blue.

Robert foi indiciado por triplo assassinato em primeiro grau e por incêndio criminoso em julho daquele ano. Em seguida, ele foi declarado fugitivo e um mandado de prisão federal foi emitido pela obstrução da justiça.

A fuga de Robert segue sem solução até hoje e o mistério fez com que ele entrasse na lista dos dez mais procurados do FBI, em junho de 2002. Anos mais tarde, em 2016, no aniversário de 15 anos dos assassinatos, projeções de Robert em uma idade avançada foram publicadas pela FBI e pela polícia, mas nenhuma nova informação apareceu.


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