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Responsável por quebrar o Banco da Inglaterra: Conheça o bilionário George Soros

Constantemente atacado em teorias da conspiração, o investidor é responsável por bilhões de dólares em filantropia

Wallacy Ferrari Publicado em 22/10/2020, às 09h57

George Soros esendo entrevistado durante o Forum Mundial Econômico de 2011 / Crédito: Wikimedia Commons
George Soros esendo entrevistado durante o Forum Mundial Econômico de 2011 / Crédito: Wikimedia Commons - George Soros palestrando no Festival Economia 2012 / Crédito: Wikimedia Commons

Conhecido internacionalmente como um bilionário investidor e filantropo, o húngaro-estadunidense George Soros se tornou alvo, ao longo das últimas três décadas, de diversos políticos brasileiros por supostas práticas de antissemitismo, sendo nome frequente de pautas com Enéas Carneiro e, mais recentemente, em falas do presidente Jair Bolsonaro.

George tem 90 anos, tendo nascido em Budapeste em 12 de agosto de 1930, sobrevivendo durante a adolescência à Hungria ocupada pelos nazistas alemães durante a Segunda Guerra Mundial e, em 1947, migrando para o Reino Unido, onde se graduou em economia e filosofia.

Trabalhando em diversos bancos ao longo de sua carreira, foi um dos pioneiros em iniciar um fundo de investimento livre, internacionalmente conhecido como "fundo de hedge”.

Nomeado como Double Eagle — e posteriormente renomeado como Quantum Fund —, o fundo altamente especulativo, com grau de riscos variados e poucas restrições conseguiu transformar a fortuna de 12 milhões de dólares em sua fundação, em 1969, para 25 bilhões de dólares em 2011. Uma parte significativa, no entanto, foi obtida durante um episódio nomeado como “Quarta-Feira Negra”.

George Soros em fotografia pouco depois da Quarta-Feira Negra / Crédito: Divulgação / Open Society Foundation

 

Soros na Quarta-Feira Negra

Em 16 de setembro de 1992, a projeção do húngaro baseada na Teoria Deral da Reflexividade de Karl Popper para o mercado de capitais foi responsável por protagonizar um episódio que irritou os governos de países britânicos; especulando a desvalorização da libra esterlina, Soros conseguiu 1 bilhão de dólares, evento que quebrou o Banco Central Inglês.

A aposta teve um custo de 3,4 bilhões de euros para o tesouro do Reino Unido, obrigando o Estado a sair do Sistema Monetário Europeu e rejeitar o uso de euros como moeda nacional, justamente pelo medo de crises semelhantes causadas por especulações bilionárias.

A criticada ação questionou os limites do lucro, visto que Soros se aproveitou a posição desfavorável da moeda britânica no Mecanismo de Taxa de Câmbio Europeu, contribuindo para o empobrecimento do país e, consequentemente, reverberando entre os mais necessitados.

Em sua defesa, Soros argumenta que nem todo seu dinheiro é destinado a uma fortuna massiva, declarando mais de 12 bilhões de dólares para doações em "iniciativas civis para reduzir a pobreza" entre os anos de 1979 e 2017.

As altas doações — que hoje já ultrapassam o valor de sua fortuna — são constantemente relacionadas a teorias da conspiração para a instauração de pautas radicais.

George Soros sendo entrevistado durante o Forum Mundial Econômico de 2011 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Suposto rei das marionetes

Conhecido também por apoiar causas políticas progressistas e liberais, o húngaro disponibilizou parte de sua fortuna, por meio da fundação Open Society, para doações destinadas a instituições de ensino superior, campanhas de democratização não-violenta e, a partir de 2004, em campanhas políticas, doando 23 milhões de dólares a vários grupos contrários a George W. Bush — posteriormente apoiando Barack Obama e Hillary Clinton.

Tais posicionamentos renderam diversas acusações de políticos conservadores por todo mundo, que apontam Soros como o principal articulador de conspirações globais para a aprovação de pautas radicais que favoreceriam a classe mais rica da sociedade, sendo uma espécie de "mestre das marionetes" para o financiamento de movimentos, partidos e especulações.

Os políticos brasileiros não ficaram de fora das teorias; o ex-líder do PRONA, Enéas Carneiro, foi o primeiro que fez questão de citar Soros em rede nacional, sendo entrevistado por Ratinho, em 1998. O bilionário, de acordo com o político, era o chefe que uma elite globalista e interferia diretamente nas ações do então presidente Fernando Henrique Cardoso — levando inclusive uma cópia da revista Executive Intelligente Review que atribuía a compra da Vale do Rio Doce para George Soros, descrito como um dos “reis do narcotráfico”.

Enéas apresenta revista, em 1998, (esq.) e Bolsonaro em entrevista (dir.) / Crédito: Divulgação/RecordTV/Terça Livre

 

Em casos mais recentes, Bolsonaro também citou Soros em entrevista ao Terça Livre, durante a campanha presidencial de 2018, porém, afirmando que o húngaro é responsável por financiar movimentos e protestos no país: "É isso o que o George Soros está fazendo aqui no Brasil. Ele quer abalar os valores judaico-cristãos. Como? Por intermédio disso. Usando minorias, usando o movimento LGBT […]”, acrescentou o então candidato.

A resposta do húngaro para os ataques recentes dos movimentos de extrema-direita — especialmente aliados ao presidente brasileiro — foi revelada publicamente em Davos, na Suíça, em janeiro; ele disponibilizou 1 bilhão de dólares em um fundo de combate a mudanças climáticas e ditadores, criticando diretamente o presidente pela atuação na área ambiental: "Bolsonaro falhou em prevenir a destruição das florestas tropicais no Brasil para a abertura de mais criação de gado", afirmou Soros.


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