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Retratado em The Crown: o sumiço do filho de Margaret Thatcher

Em 1982, Mark Thatcher participava de uma corrida quando seu carro falhou e, assim, ele acabou perdido no Saara por seis dias

Pamela Malva Publicado em 18/11/2020, às 08h00

Mark Thatcher durante discurso sobre a morte de sua mãe, em 2013
Mark Thatcher durante discurso sobre a morte de sua mãe, em 2013 - Divulgação/Youtube

Durante os anos Thatcher, entre 1979 e 1990, poucas coisas conseguiram tirar o nome da primeira-ministra das manchetes. Conhecida como a Dama de Ferro, a mulher tinha um forte posicionamento contra o comunismo e chamava atenção por seus ideais.

Em seu prezado cargo, Margaret Thatcherfoi responsável por políticas que definiram o chamado Thatcherismo. Em meados de 1982, no entanto, todas as notícias sobre a ministra foram ofuscadas por um segundo Thatcher que dominou os holofotes.

Aos 29 anos, Mark Thatcher, o filho da Dama de Ferro, estava competindo em um de seus hobbies favoritos quando simplesmente desapareceu. Herdeiro de uma mulher poderosa, ele mobilizou a Inglaterra por dias e, através do episódio bizarro, tornou-se enredo da nova temporada da série The Crown, da Netflix.

Fotografia da família Thatcher / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Uma paixão que virou trauma

Nascido em Londres, o jovem Mark era um entusiasta do automobilismo e adorava corridas. Tamanho era o apreço que ele criou sua própria empresa do tema. Mesmo sem qualquer preparação ou conhecimento, ele se atirava nesse universo.

Foi assim que o filho da Dama de Ferro acabou em uma corrida no rali Paris-Dakar, em 1982. Acompanhado pela co-pilota francesa Anne-Charlotte Verney e por seu mecânico, o jovem Thatcher dirigia um Peugeot 504 na tão esperada corrida.

No dia 9 de janeiro daquele ano, então, a largada foi dada e tudo parecia caminhar perfeitamente bem. Enquanto atravessavam o deserto do Saara, no entanto, o veículo de Mark apresentou um problema mecânico inesperado.

O ator Freddie Fox como Mark Thatcher na série The Crown, da Netflix / Crédito: Divulgação/Netflix

 

Fora da rota

No meio da corrida, enquanto passavam pelo trecho entre Tamanrasset e Timeiaouine, na Argélia, o eixo traseiro do carro de Mark quebrou. Assim, o piloto foi obrigado a desligar o motor e esperar por um socorro.

Nesse momento, outros corredores passaram por Thatcher e sua equipe. Embora tivessem anotado a localização do time estagnado, nenhum dos competidores conseguiu divulgar o ponto exato onde o carro havia parado no deserto.

Dessa forma, sozinhos e sem nenhuma comunicação, Mark, Anne-Charlotte e seu mecânico tiveram de esperar pelo melhor. Nas cidades inglesas, no entanto, as coisas estavam muito mais caóticas. O filho de Margaret, afinal, estava desaparecido.

Fotografia de Margaret Thatcher / Crédito: Wikimedia Commons

 

Terror disseminado

Após alguns dias de buscas oficiais, a equipe perdida no meio do Saara foi declarada como desaparecida, em 12 de janeiro. Na Inglaterra, o nome do jovem corredor ocupava as capas de todos os jornais e as pessoas só falavam sobre isso.

Foram dias de pura angústia para aqueles que não faziam ideia do paradeiro de Mark. Aviões foram enviados para procurar pela equipe e a própria Margaret Thatcher movimentou suas equipes de busca. Era uma questão de importância nacional.

Sozinhos no Saara, contudo, Mark e seus amigos faziam de tudo para sobreviver. Nesse sentido, eles até tomaram a água armazenada no radiador do carro. Apesar de tudo isso, o piloto afirmou ao The Guardian que “nunca tive medo pela minha vida”.

Mark Thatcher no dia em que foi encontrado / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Um final feliz

Seis dias de mistério se passaram até que a equipe perdida foi finalmente encontrada pela Força Aérea da Argélia. Em um processo de buscas internacionais, os militares argelinos acabaram foi identificar Mark no dia 14 de janeiro.

Ainda que ter seu filho de volta fosse um alívio, a descoberta de Mark tornou-se uma vergonha para Margaret Thatcher e para a diplomacia britânica. Isso porque, mesmo conhecida por suas políticas certeiras, ela sequer foi capaz de encontrar o próprio filho.

Uma vez resgatado, Mark continuou controlando as manchetes por algum tempo. O drama de seu desaparecimento, afinal, era o combustível para uma mídia tomada por tablóides. Em entrevistas, ele disse que passou os seis dias lendo o mesmo livro.

Após o trauma, que acabou da melhor forma possível, Mark Thatcher voltou para casa, apesar da frustração diplomática. Foi assim que ele finalmente ganhou "uma cerveja, um sanduíche, um banho e [a possibilidade de] fazer a barba", coisas com as quais estava sonhando desde que saiu do Saara.


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