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Retrospectiva 2019: 10 brigas entre políticos que marcaram o ano

Bate-bocas e discussões marcaram o cenário político nacional — e internacional — em 2019. Relembre alguns casos!

Fabio Previdelli Publicado em 23/12/2019, às 14h04

Trump, Bolsonaro e Macron marcaram presença nas brigas
Trump, Bolsonaro e Macron marcaram presença nas brigas - Getty Images

1. Glenn Greenwald x Augusto Nunes

A discussão entre os jornalistas Glenn Greenwald (The Intercept) e Augusto Nunes (Jovem Pan, Veja e Record) aconteceu durante uma entrevista em novembro no programa Pânico, da rádio Jovem Pan.

Glenn Greenwald discutindo com Augusto Nunes

 

Na ocasião, o que era um debate sobre o jornalismo brasileiro e as recentes matérias da Rede Globo sobre o caso Marielle Franco, se tornaram xingamentos e agressões físicas. Nunes não suportou ser chamado de ‘covarde’ por Glenn e partiu para cima do colega de profissão. O programa saiu do ar e retornou vários minutos depois.

2. Maria do Rosário x Ciro Gomes

O conflito entre Maria do Rosário, deputada Federal (PT/RS), e Ciro Gomes, ex-ministro que foi derrotado na última eleição presidencial, aconteceu durante um debate sobre fascismo que foi realizado em 27 de maio na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em Recife.

Enquanto falava da perda de hegemonia da esquerda e dos erros que considera terem levado à eleição do presidente Jair Bolsonaro, Ciro chamou de erro o fato do PT ter insistido na candidatura de Lula.

Maria do Rosário se irritou e pediu que ele parasse de falar do ex-presidente. “Mas se eu estou aqui e Lula não está e acho que é uma injustiça contra Lula, também não posso me calar.” A deputada também sugeriu que diferentes setores da esquerda deveriam se unir durante o governo Bolsonaro. Imediatamente, Ciro retrucou: “Eu conheço vocês, unidade é o cacete”.

3. Greta Thunberg x Jair Bolsonaro

No início de dezembro, a ativista sueca Greta Thunberg compartilhou em seu Twitter um vídeo da rede de notícias internacionais, Al Jazeera, que alertava sobre a morte de indígenas da etnia Guadajajara (Maranhão) e cobrou as autoridades sobre um posicionamento durante participação na cúpula climática da ONU.

Bolsonaro não gostou do posicionamento da jovem, reclamando do espaço dado nos meios de comunicação às declarações da jovem a quem chamou de “pirralha”.

Crédito: Reprodução/Twitter

 

Como reposta, a ativista que foi eleita personalidade do ano pela Time no dia seguinte, atualizou sua descrição no Twitter para “Pirralha”.

4. Alexandre Frota x Eduardo Bolsonaro

Em outubro, Alexandre Frota e Eduardo Bolsonaro participaram da CPMI da Fake News, instaurada no Congresso para apurar a produção e disseminação de notícias falsas na internet. Na ocasião, Frota, ex-aliado do governo, criticou Jair Bolsonaro por financiar e proteger “terroristas virtuais”, que, segundo ele, mantém uma estrutura de "milícias digitais" com a finalidade de espalhar fake news e atacar adversários.

Claro que Eduardo não gostou nada das declarações e disse Frota “era menos promíscuo quando fazia filme pornô”. Alexandre retrucou dizendo: “Mas você assistia muito né? Eu sei que você gosta”.

Eduardo acrescentou: "A presença do Alexandre Frota aqui já é um escárnio com a sociedade brasileira", disse Eduardo Bolsonaro. "Eu não vou ficar aqui ficar fazendo pergunta ou nada desse tipo porque eu tenho mais o que fazer, tenho que trabalhar ao invés de ouvir baboseiras ou ilações sem qualquer conexão com a verdade. Espero que o senhor aproveite seus tempos aqui com o pessoal de PT fazendo massagem no ego do senhor”.

5. Paulo Guedes x Zeca Dirceu

Em abril deste ano acontecia a audiência pública na Comissão de Constituição de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a reforma da Previdência. As seis horas e meia de sessão forma marcadas por sucessivos bate-bocas.

Paulo Guedes ao lado do atual presidente, Jair Bolsonaro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em um deles, Zeca Dirceu (PT-PR) disse que Guedes era “tigrão” com os aposentados, idosos de baixa renda e agricultores, mas “Tchutchuca” com privilegiados do Brasil. O ministro da Economia reagiu com destempero fora do microfone: “Tchutchuca é a mãe, é a sua avó”.

Com um clima insustentável, o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), decidiu acabar com a audiência.

6. Carla Zambelli e Joice Hasselmann

A discussão entre as deputadas Carla Zambelli e Joice Hasselmann aconteceu em maio, quando as duas trocaram farpas pelo Twitter sobre a derrota da medida provisória (MP) 870 — que trata da reconfiguração dos ministérios, além da reforma da Previdência.

Em uma sequência de tuites, Zambelli questionou: "A MP 870 sofreu grave ataque na comissão, e pergunto: a líder Joice Hasselmann não fala nada disso em suas redes, por quê?", marcando o perfil de sua correligionária.

Questionada o por que não tentava conversar com a companheira em particular, Carla disse: “No privado já tentei”.

Logo em seguida, Joice retrucou respondendo uma seguidora que pediu para que as duas não iniciassem um “jogo de fogo amigo” e ainda lembrou o número de votos que Hasselmann havia recebido: "Votos que elegeram essa fofolete acusada de nepotismo cruzado. Lindo isso".

Os insultos não pararam por aí, Joice ainda insinuou que Carla seria burra. "Ao contrário de você, penso no bem do País e do governo. Eu estou preocupada com o País, e não com curtidas em tuítes ou lives. Porque eu sou inteligente, já você...".

7. Eduardo Bolsonaro x Joice Hasselmann

O bate-boca virtual entre os deputados federais aconteceu outubro, quando, na ocasião, Eduardo publicou a seguinte mensagem ao comentar uma publicação de Joice: “#DeixeDeSeguirAPepa”.

Eduardo Bolsonaro / Crédito: Getty Images

 

A comparação de Joice ao personagem de desenho animado Peppa Pig foi só uma das inúmeras trocas de farpas entre os dois que começou quando Joice assinou uma lista que apoiava outro deputado, o Delegado Waldir (PSL-GO), para a liderança do PSL na Câmara.

A deputada, então, respondeu: "Picareta! Menininho nem-nem: nem embaixador, nem líder, nem respeitado. Um zero à esquerda. A canalhice de vocês está sendo vista em todo Brasil".

Como se já não bastasse, Joice colocou mais lenha na fogueira: "Picareta! Menininho nem-nem: nem embaixador, nem líder, nem respeitado. Um zero à esquerda. A canalhice de vocês está sendo vista em todo Brasil”.

8. Emmanuel Macron x Jair Bolsonaro

A discussão entre os dois presidentes começou quando Macron convocou os países do G7 a discutirem as queimadas na Amazônia no encontro que ocorreu entre 24 e 25 de agosto. “Nossa casa está queimando. Literalmente. A Floresta Amazônica - os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta - está em chamas. É uma crise internacional”, escreveu o francês.

Emmanuel Macron e Jair Bolsonaro / Crédito: Wikimedia Commons

 

“Lamento que o presidente Macron busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos p/ ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazônia (apelando até para fotos falsas) não contribui em nada para a solução do problema”, declarou Bolsonaro.

No mesmo dia, Eduardo publicou um vídeo chamando o francês de “idiota”. Já no domingo, o ministro da Educação, Abracham Weintraub, se referiu a Macron como “cretino”.

A discussão não acabou por aí, no mesmo dia, Bolsonaro virou notícia internacional ao responder um comentário de um seguidor, que sugeriu que Macron estava com ‘inveja’ de Bolsonaro ao comparar Brigitte, a mulher de Macron, com Michelle Bolsonaro. Bolsonaro respondeu: “Não humilha cara. Kkkkk”.

9. Trump x Kim Jong-un

No começo de dezembro, o veículo estatal de mídia da Coreia do Norte, KCNA, alertou novamente que o clima de tensão entre Pyongyang e Washington pode desencadear uma nova guerra entre os países. O relato ocorreu em resposta à afirmação de Trump de que, em caso de necessidade, o poderio militar dos EUA poderia ser usado contra a nação asiática.

Donald Trump e Kim Jong-Un já caminharam em paz / Crédito: Getty Images

 

De acordo com o veículo, Trump estaria agindo com arrogância ao se gabar e tomar crédito por “evitar uma Terceira Guerra Mundial” ao aliviar tensões entre EUA e Coreia do Norte.

O vice-ministro de Relações Exteriores de Pyongyang, Ri Thae-Song demonstrou a insatisfação do país em relação à posição dos estadunidenses, afirmando que cabe a Washington decidir qual o “presente que gostaria de receber no Natal”, numa coletiva recente.

10. Bolsonaro x Michelle Bachelet

Em setembro, o presidente Jair Bolsonaro causou polêmica mais uma vez ao rebater o comentário feito pela alta comissária da ONU para direitos humanos e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet. Bolsonaro defendeu a tortura e morte de seu pai, Alberto Bachelet, que se opôs ao regime ditatorial que derrubou Salvador Allende.

Jair Bolsonaro e Michelle Bachelet / Crédito: Creative Commons

 

A réplica se deu após uma declaração de Michelle durante uma coletiva em Genebra. “Nos últimos meses, observamos (no Brasil) uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil”, disse ela.

Bolsonaro declarou em suas redes sociais que ela “segue a linha de Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valores policiais civis e militares”. A publicação ainda inclui uma foto de Bachelet, quando presidente do Chile, ao lado de Dilma Rousseff e Cristina Kirchner.