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Robinson Crusoé japonês: Masafumi Nagasaki, o eremita que foi despejado

Nagasaki embarcou em uma desventura parecida com a do personagem literário — mas a realidade foi bem menos romântica

Vanessa Centamori Publicado em 22/07/2020, às 12h52

Masafumi Nagasaki
Masafumi Nagasaki - Divulgação/Cena do Documentário Docastaway/Youtube

É sensacional a aventura de Robinson Crusoé, descrita por Daniel Defoe, no histórico livro de 1719, que carrega o nome do aventureiro. O enredo começa com um embarque rumo à uma jornada de 28 anos, na qual o marinheiro desobediente acaba abandonado por seu capitão em uma ilha deserta.

De modo similar é a história do japonês Masafumi Nagasaki. O destino do asiático, assim como o de Crusoé, foi uma ilha. O local inóspito era raramente visitado, até mesmo por pescadores japoneses. Só que sua desventura durou um ano a mais (29 anos) e ele navegou por conta própria, movido por uma vontade inexplicável de deixar para trás absolutamente tudo. 

Visão aérea da ilha Sotobanari, nas ilhas Sakishima / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Rumo à terras reclusas 
 
A jornada de Nagasaki começou no ano de 1989. Na época, ele mantinha uma carreira como fotógrafo profissional. No entanto, deixou de lado os flashes: foi até a ilha, na qual era o único habitante. A ilhota se chama Sotobanari e pertence às ilhas Sakishima, do Japão. 
 
Um dia, uma tempestade forte como um tufão passou pela região e levou todas as roupas do japonês. Desde então, ele resolveu que andar vestido era desnecessário. Não por acaso, ficou conhecido como o "eremita nudista". 
 
Assim, Nagasaki viveu sozinho e nu por quase três décadas. Justificou sua jornada por questões existenciais. "Encontrar um lugar para morrer é uma coisa importante que se deve fazer. Eu decidi que aqui é o lugar onde quero morrer", contou em 2012, à Reuters. 
 
O eremita Masafumi Nagasaki / Crédito: Divulgação/Cena do Documentário Docastaway/Youtube
 
 
Rotina
 
Masafumi Nagasaki viu os anos passarem dentro de um acampamento rudimentar. Costumava se exercitar bastante e limpar a praia. "Nunca me senti triste aqui. As coisas aqui são mais reais", afirmou, na entrevista de 2012. "Tudo o que quero, tenho aqui. Não preciso de mais nada”.
 
Entre os poucos pertences do eremita pelado, estava um relógio de pulso. O aparelho, no entanto, não era usado devidamente no pulso, mas pendurado em uma árvore. Ele ajudava o japonês a medir o tempo de sua rotina na ilha. Somente de vez ou outra ele viajava até uma outra ilhota próxima para comprar outros mantimentos com apenas 80 dólares (315 reais) mensais, que recebia da irmã. 
 
Nagasaki relatou ainda que, depois de seis anos de estada na ilha, deixou de comer carne e peixe e também se recusou a comer ovos das tartarugas. "Vi os filhotes a nascer e a rastejar em direção ao mar. Fico arrepiado todas as vezes que vejo isso acontecer... Só me faz pensar como a vida é maravilhosa", justificou. 
 
Apaixonado pela natureza, as poucas vezes que enfrentou tristeza foi quando viu um pássaro morto, segundo informou o jornal El País. Ainda segundo a publicação, o japonês não usava nenhum tipo de tecnologia além do relógio e um isqueiro. Então nada de celular os tablets para passar o tempo. 
 
Contato humano
 
Aa únicas vezes que Nagasaki via outras pessoas é quando era entrevistado por documentaristas ou agentes de viagem. Um deles foi Álvaro Cerezo, explorador e empresário turístico espanhol, que gravou um filme sobre o eremita. Em 2014 , conviveu uma semana com o ancião pelado. 
 
O eremita caminhando na ilha / Crédito: Divulgação/Cena do Documentário Docastaway/Youtube

 

Fundador da agência de viagens Docastaway, em Hong Kong, Cerezo fez um vídeo no qual Nagasaki aparece magro, porém com corpo musculoso e queimado pelo Sol. O japonês afirmou que a ilha o transformou e que ele acreditava que os “piores males da civilização são a religião e o dinheiro”.

Despejo 

Apesar dos aprendizados que teve no local paradisíaco, Masafumi Nagasaki foi despejado. Segundo informou a mídia local japonesa, a ilha de Sotobanari era propriedade de um falecido casal de Taiwan.

De acordo com alguns blogs do Japão, os herdeiros da dupla, após verem uma reportagem sobre o intruso, exigiram às autoridades que ele fosse expulso. No entanto, outros veículos da imprensa afirmam que o despejo ocorreu por motivos humanitários: Nagasaki estava fraco e teria sido hospitalizado. 

Ainda assim, repercutiram informações também que ele apenas mudou de "residência". Segundo Cerezo, um reality show da televisão japonesa gravou no seu local inicial, banalizando a experiência do eremita.Então, os moradores de outras ilhas próximas teriam pedido que ele se mudasse.

Atualmente, ao que indica o empresário turístico, a história de Nagasaki pode ter terminado bem para ele, que queria tanto morrer isolado. O ancião, com hoje mais de 80 anos, teria retomado o seu isolamento em outra praia tão paradisíaca quanto solitária.


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