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Rockefellers e o massacre de Ludlow: a marcante revolta da classe trabalhadora

A respeitada família americana enfrentou os mineiros em greve na cidade de Ludlow — mas não esperavam que eles revidassem

Penélope Coelho Publicado em 26/03/2020, às 12h30

Foto da gigante família Rockefeller
Foto da gigante família Rockefeller - Wikimedia Commons

Essa sangrenta história começou no verão de 1913, em Colorado, nos Estados Unidos, quando o sindicato dos mineiros contratados pela Colorado Fuel & Iron Company, se juntou para tentar relatar para empresa alguns pontos que estavam incomodando no trabalho, como salários baixos, longas jornadas não regulamentadas e práticas administrativas que eles consideravam corruptas.

O convite para essa conversa nunca foi aceito. Então, um mês depois, 8 mil trabalhadores das minas do Colorado entraram em greve. Entre suas demandas estavam um aumento de 10%, jornada de oito horas e o direito de viver e negociar fora da cidade, que era de propriedade da empresa. Muitos desses pedidos que eles reivindicavam eram exigidos pela lei do Colorado, mas não eram cumpridos.

A resposta da companhia foi simples e rápida: eles foram expulsos de suas casas que estavam na propriedade da empresa e por isso, tiveram que se instalar em barracas improvisadas com suas famílias, ao redor das minas, mais precisamente no acampamento de Ludlow.

Os Rockefellers eram os donos da instituição de combustível e ferro, uma das famílias americanas mais ricas da história, que não estava nada satisfeita com a greve, já que estavam perdendo tempo e dinheiro, e não iriam cederem aos pedidos dos mineiros, mesmo que isso custasse a vida de seus funcionários.

Mineiros em greve e suas famílias na colônia de tendas Ludlow, Colorado, 1914 / Crédito: Biblioteca Pública de Denver

 

Dia sangrento

A greve foi prolongada até abril de 1914, quando o governador do Estado ligou para a Guarda Nacional do Colorado, a pedido da empresa dos Rockefeller, já que os salários da Guarda eram pagos pelos magnatas. Juntos, a Guarda Nacional do Colorado e a família Rockefeller, contrataram uma espécie de milícia para dar um fim na greve.

O massacre aconteceu em 20 de abril daquele ano, logo após a comemoração da Páscoa, celebrada pelos mineiros no acampamento. Naquele dia, quatro milicianos entraram em Ludlow e dispararam uma metralhadora contra alguns dos mineiros que estavam em greve. Ninguém foi poupado, nem mesmo as mulheres e crianças. Durante a noite, a Guarda Nacional incendiou a colônia de Ludlow. Treze moradores que tentaram fugir foram baleados e mortos, outros, acabaram falecendo no incêndio.

Ruínas de Ludlow após o massacre / Crédito: Wikimedia Commons

 

Cidade devastada

Na manhã seguinte, entre as ruínas da cidade, foram encontradas três mulheres e onze crianças mortas, e apenas uma sobrevivente. Eles estavam escondidos em um buraco que funcionava como depósito ou celeiro, para tentar escapar do tiroteio e do incêndio. Mary Petrucci sobreviveu, porém, perdeu três de seus filhos. Anos depois, ela falaria pela primeira vez sobre o assunto: "Eu saí do buraco. Havia luz e muita fumaça. Eu vaguei entre as cinzas até que um padre me encontrou. Eu não pude sentir nada. Estava com frio.”. Relatou.

Corpo de um mineiro morto após uma batalha em Colorado / Crédito: Biblioteca do Congresso

 

O massacre desencadeou uma batalha de 10 dias nos campos de carvão do oeste americano, entre os mineiros e milicianos. O número de mortos decorrentes a esses ataques varia em torno de 25 a 66 pessoas, contando com alguns dos atiradores contratados. Sabe-se que tudo que restou de Ludlow foram as ruínas dessa guerra, deixando a cidade completamente fantasma.

Essa triste história ainda é pouco comentada nas escolas americanas, mesmo que a família Rockefeller tenha sido muito criticada na época, eles são mais lembrados por suas contribuições financeiras para a ciência médica, e não por serem responsáveis ​​pela morte de crianças, mulheres e homens que trabalhavam para a sua empresa.


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