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Roger Waters x David Gilmour: a briga interna que quase acabou com o Pink Floyd

A banda britânica foi a força máxima do rock progressivo, mas sofreu com diferenças criativas que chegaram nos tribunais

Wallacy Ferrari Publicado em 18/04/2021, às 09h00

Roger Waters (esq.) e David Gilmour (dir.) reunidos em fotografia
Roger Waters (esq.) e David Gilmour (dir.) reunidos em fotografia - Wikimedia Commons

Os deuses da música jamais previram uma briga tão completa no quesito técnico; durante a década de 1980, uma treta entre os dois responsáveis pelos vocais da banda inglesa Pink Floyd chegou a ocupar as páginas dos jornais e até documentos em tribunais.

Roger Waters, membro fundador ao lado de David Gilmour, decidiu sair em 1985, alegando diversos desencontros criativos após o lançamento do disco “The Final Cut”, dois anos antes. A intriga, no entanto, foi mais conturbada do que o anunciado publicamente.

Na obra "Echoes: The Complete History of Pink Floyd", o biógrafo Gleen Povey explicou que o tal álbum teria sido completamente fruto das criações de Waters, desde letras até melodias. Gilmour, que auxiliava nos vocais, pediu que o amigo desacelerasse para poder contribuir com composições, mas não foi ouvido.

A soberania nas decisões resultou em críticas extremamente positivas, como revisou o jornalista Kurt Loderpara a revista Rolling Stone na época, classificando como uma “obra-prima do rock artístico” — mas, na mesma crítica, avaliando a obra como “essencialmente um álbum solo de Roger Waters”. Foi suficiente para causar um racha interno entre os integrantes.

David Gilmour (esq.) e Roger Waters (dir.) durante apresentação do Pink Floyd / Crédito: Divulgação / Youtube

 

Indo à Justiça

A intriga não se encerrou de maneira tão simples. Em dezembro de 1985, Waters invocou a cláusula de desligamento de seu contrato e, no ano seguinte, deu início ao processo de dissolução do grupo na Suprema Corte britânica. Gilmour e o baterista Nick Mason se opuseram, afirmando que tinham intensão de continuar com o conjunto.

O resultado foi uma paralisação de quase dois anos das atividades musicais, até que um acordo fosse feito em dezembro de 1987; Roger não teria que cumprir o contrato, mas só teria acesso aos direitos autorais de itens relacionados ao conceito do álbum The Wall e aos quiméricos porcos infláveis que eram instalados nos shows da banda.

Mesmo assim, poderia tocar as músicas por ter sido parte criativa nas composições. Ainda indignado pela impossibilidade do uso completo das obras, Waters chegou a dizer que, “se alguém ainda merece ser chamado de Pink Floyd”, seria ele, como informou a Rolling Stone brasileira. A decisão confirmou um conflito que perdurou por duas décadas.

Formação original do Pink Floyd reunida durante Live 8, em 2005 / Crédito: Getty Images

 

Juntos por uma causa maior

Em 2005, o ativista Bob Geldoforganizava o Live 8, festival beneficente para arrecadação de fundos contra a pobreza mundial, e decidiu que tentaria uma “última noite” de Pink Floyd completo, convidando o conjunto com os membros restantes para se unir novamente com Roger Waters — que, surpreendentemente, foi convencido e topou.

Em 2 de julho daquele ano, o conjunto se reunia com a formação clássica após 24 anos sem pisar nos palcos, sendo um sucesso de arrecadação e um prato cheio aos fãs mais fanáticos. Apesar disso, a Rolling Stone brasileira noticiou que foi a última noite definitiva do grupo de acordo com Gilmour: “Live 8 foi ótimo, mas foi um encerramento. Como dormir com uma ex-esposa”.

Em entrevista a BBC no ano de 2013, Waters afirmou ter se arrependido de ter processado os ex-companheiros de banda, acreditando na época que era a "coisa certa" a se fazer, mas resolvendo dois anos depois em acordo extra-judicial: "É uma das poucas vezes em que a profissão jurídica me ensinou algo", brincou o cantor.


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