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Rover Perseverance, o robô da NASA que revelou a primeira imagem de Marte

Veículo que custou cerca de 2,4 bilhões de dólares pousou no Planeta Vermelho na última quinta-feira, 18, às 17h56 (horário de Brasília). Conheça mais detalhes de sua missão!

Fabio Previdelli Publicado em 20/02/2021, às 08h00

Imagem de Marte capturada pelo rover Perseverance, da NASA
Imagem de Marte capturada pelo rover Perseverance, da NASA - Divulgação/ NASA

A espera finalmente acabou. Após quase sete meses, o rover Perseverance, da missão Mars 2020, da Nasa, finalmente pousou no Planeta Vermelho na tarde da última quinta-feira, 18. O processo foi concluído às 17h56 do horário de Brasília. A nave havia deixado a Terra em julho do ano passado.  

Agora, o veículo sobre rodas iniciará uma longa jornada em Marte, que essa semana recebeu outras duas missões espaciais: uma vinda da China e outra dos Emirados Árabes Unidos.

Mal chegou por lá, o Perseverance já enviou a primeira imagem da superfície do Planeta Vermelho (que estampa a capa desta matéria). Nela, é possivel ver as sombras do braço do robô. Mas você sabe o que o rover da Nasa foi fazer por lá? 

O rover e a missão 

Antes de mais nada, temos que exaltar a tecnologia do rover produzido pela Nasa. O Perseverance não é um veículo qualquer, ele é diferente de qualquer outra missão que chegou no Planeta Vermelho.  

Não é pra menos, afinal, ele custou cerca de 2,4 bilhões de dólares, algo na casa dos 12 — quase 13 — bilhões de reais. O Perseverance é, praticamente, do tamanho de um veículo utilitário esportivo, pesando por volta de uma tonelada.  

Apesar de sua aparência lembrar muito o rover Curiosity — com pernas com seis grandes rodas, braços robóticos para coletar amostras, e um centro, uma espécie de cabeça, com câmeras e sensores —, o novo veículo possui sete novas tecnologias, muitas delas inovadoras.  

Ilustração do rover Perseverance descendo em Marte / Crédito: Divulgação/ Nasa

 

O novo rover, além de realizar experimentos in loco, também é capaz de coletar amostras do solo marciano e embalá-las. A ideia é que esse material seja trazido para a Terra em alguma missão espacial futura.  

Além disso, na parte onde entende-se ser sua mão, há uma broca especialmente desenvolvida para essa missão no Planeta Vermelho. Ela é capaz de extrair núcleos de rochas. No entanto, ao contrário do que acontece convencionalmente, esse material será removido de maneira intacta e não pulverizada.  

Assim, pelo menos, 40 rochas intactas serão coletadas de diferentes locais da cratera Jezero. Todas serão colocadas dentro de um tubo e guardadas em um complexo sistema de armazenamento. Esses tubos, por sua vez, serão deixados na superfície de Marte. 

A ideia da Agência Espacial americana é lançar, num futuro não tão distante assim, uma missão espacial tripulada até o Planeta Vermelho para coletar essas amostras. A expectativa é que elas cheguem por aqui pouco depois de 2030.  

As diferenças do Perseverance 

Ao contrário de outros rover, que buscavam água e exploravam a química do solo e a atmosfera, o Perseverance é muito mais moderno, equipado para identificar a vida diretamente, seja ela atual ou em forma de fóssil. Afinal, ele possui 23 câmeras e microfones de alta definição.  

Além de tudo isso, outra coisa que chama a atenção em sua estrutura é o combustível que ele usa para se locomover. O Oportunity, por exemplo, usava um sistema de Energia Solar, porém, o mesmo foi descartado após o rover ficar inoperante depois de 16 anos em solo marciano, já que uma tempestade de areia cobriu seus painéis.  

Porém, o Perseverance é equipado com um reator de núcleo de plutônio, que é capaz de produzir energia por até 14 anos. Tempo bem mais que suficiente para essa nova missão. O novo veículo deve ficar em Marte por, pelo menos, um ano marciano, o que representa 687 dias terrestres.  

O rover Perseverance, da NASA / Crédito: DIvulgação/ NASA

 

Outra novidade é que o rover possui, ainda, um companheiro pra lá de especial: um mini helicóptero chamado Ingenuity (ou, ‘Engenhosidade’ em tradução livre). A pequena aeronave pesa cerca de 1,8 quilos e está acoplada na 'barriga' do Perseverance. 

Assim que o rover encontrar um local ideal, a nave será liberada. Ela testará uma questão que intriga os pesquisadores a muito tempo: será que um helicóptero consegue voar fora da Terra, no ar rarefeito de Marte? Caso consiga, ele abrirá a possibilidade de futuras explorações aéreas no Planeta Vermelho.  

Como foi o pouso? 

Na tarde de ontem, a Nasa publicou uma imagem do rover já em solo firme. Antes de chegar até lá, ele teve de enfrentar alguns minutos de aventura. Cerca de 10 minutos antes de pousar, o Perseverance se livrou da nave em que estava acoplada, que foi a responsável por levá-lo até lá. 

Foi então que ele atingiu o topo da atmosfera de Marte a uma incrível velocidade de 20 mil quilômetros por hora. Para isso, um escudo térmico o protegeu das altas temperaturas causadas pelo atrito.  

Já chegando nas camadas mais baixas, o rover foi se estabilizando e sendo guiado com a ajuda de propulsores. Quando já estava em uma velocidade mais controlada, um paraquedas foi acionado para frear ainda mais sua descida.  

Nesta parte, o escudo foi ejetado, o que permitiu uma visão mais ampla do solo. O veículo permaneceu preso em um foguete circular, que usou propulsores para ajudá-lo a descer até o solo em uma pequena velocidade de 2 km/h.  

Foi então que uma espécie de guindaste aéreo o colocou delicadamente no solo. O Perseverance pousou na cratera Jezero, que possui 40 quilômetros de diâmetro e 500 metros de profundidade. Há mais de três bilhões de ano essa cratera já foi um lago marciano. 

Acredita-se que, se já existiu vida no Planeta Vermelho, este é o local com mais chance de conter evidências sobre isso. A NASA divulgou um vídeo de uma animação explicando como foi o pouso do rover. Confira! 

Vale ressaltar que o Perseverance é o quinto rover da NASA a pousar no Planeta Vermelho. Antes dele vieram: Sojourner (1997), Spirit (2004), Opportunity (2004) e Curiosity (2012).


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