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Ruth Becker e a família que embarcou no Titanic em busca da cura de uma doença

Responsável por revelar a memória do episódio, a sobrevivente escondeu dos filhos por anos que havia embarcado no mais famoso navio da história

Wallacy Ferrari Publicado em 12/07/2020, às 09h00

Retrato fotográfico de Ruth Becker (à esq.) junto ao Titanic após a partida (à dir.)
Retrato fotográfico de Ruth Becker (à esq.) junto ao Titanic após a partida (à dir.) - Wikimedia Commons

Nascida em 28 de outubro de 1899, Ruth Elizabeth Becker era filha de americanos missionários, mas nascia em Guntur, na Índia, durante uma missão luterana no país. Filha de Allen Oliver Becker e sua esposa, Nellie E. Baumgardner, a jovem ainda teve um irmão mais novo, Lutero, que nasceu em Ohia, em 1905. Mesmo com boas condições financeiras, a família sofreu com problemas de saúde na infância das crianças.

Lutero acabou falecendo antes de completar dois anos de idade após contrair uma doença desconhecida. Ruth também passou por complicações, mas sem maior gravidade.

Nos anos seguintes, em 1907 e 1910, os missionários ainda tiveram um casal de filhos — Marion e Richard. O rapaz, também foi vítima do sofrimento por enfermidades, contraindo uma doença com sintomas dolorosos na Índia.

Temendo passar pelo mesmo sofrimento de Lutero, a família abandonou o país e decidiu que buscaria um bom tratamento nos Estados Unidos. Juntos, saíram da Índia até a costa inglesa, onde planejaram o retorno ao país-natal por um grande navio: o RMS Titanic.

Ruth e a mãe (à esq.) e fotografia cadastral de Ruth no Titanic / Crédito: Encyclopédia Titanica

 

A separação da família

Ruth embarcou no Titanic junto com Nellie, Marion e Richard como passageiros de segunda classe em 10 de abril de 1912, mas o pai ficou sem embarcar, buscando amparar o projeto missionário. Em um local considerado médio, ambos tiveram conforto e acesso parcial às atrações do navio, seguindo uma viagem tranquila até a noite de 14 de abril.

Conforme lembrado posteriormente por Ruth, um mordomo chegou a dizer a Nellie: "Tivemos um pequeno acidente. Eles irão consertá-lo e logo prosseguiremos a viagem." Após alguns minutos, os passageiros foram surpreendidos com a informação que o naufrágio ocorreria em algumas horas, com a família se locomovendo ao convés, procurando espaços nos botes salva-vidas.

Auxiliando o oficial Charles Lightoller, James Moody organizava a saída do 11º barco quando permitiu a entrada das crianças, mas não aceitou a permanência da mãe, visto que o bote era um dos únicos que saía com a carga máxima. Nellie ainda aguardou por vários minutos, enquanto via os filhos partindo pela água. Conseguiu instalar-se no 13º barco, sendo todos resgatados no dia seguinte pelo RMS Carpathia.

Ruth, já adulta, em convenções sobre o Titanic / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Após o Titanic

Quando Allen descobriu que os filhos e a esposa estavam no navio, tratou de planejar o fim do trabalho missionário. Sem comunicação em tempo real, o religioso passou semanas sem saber se os familiares foram salvos ou se a doença do filho havia se agravado.

Para felicidade dele, o grupo chegou em Nova York 4 dias após o naufrágio, fazendo contato direto por cartas. Nos EUA, toda a família se reunia no ano seguinte, passando a residir permanentemente com a cura de Richard.

Ruth cresceu e se casou, tendo filhos e prosseguindo a vida, mas sem nunca tocar no assunto maldito. Se recusou a tratar de suas experiências, sem ao menos revelar aos filhos que esteve presente no ocorrido, até sua aposentadoria, na década de 1970. Só passou a tratar em 1982, quando compareceu em uma convenção de sobreviventes na Filadélfia, para comemorar o aniversário de 70 anos do naufrágio.

Nos anos posteriores, exerceu voz ativa em relação as memórias do Titanic, inclusive quando seus restos foram encontrados, em 1985. De acordo com ela, a memória deveria ser revisitada, mas não retirada.

Em 1990, perdeu o medo do mar, fazendo um cruzeiro até o México. Foi seu último passeio antes de falecer, em 6 de julho, aos 90 anos. Ela foi cremada e solicitou que suas cinzas fossem atiradas onde o navio foi localizado, pedido que foi feito de barco.


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