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Sacrifícios e auto-mutilação: a tétrica rotina na antiga casa dos horrores de Pazuzu Algarad

Declaradamente satanista, a residência do homem vivia lotada, com festas e encontros regados à — muito — sangue

Pamela Malva Publicado em 11/01/2020, às 12h00 - Atualizado às 20h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

Com uma origem nebulosa, o satanismo foi um termo utilizado por religiões abraâmicas para identificar práticas religiosas de cunho oposto às do Deus de Abraão. Em hebraico, o termo significa “aquele que planeja contra outro”.

Os seguidores da religião, entretanto, são ainda mais obscuros que sua filosofia. Pessoas que, declaradamente, devotam sua fé ao tinhoso estão espalhadas pelo mundo todo. E uma das piores delas se chamava Pazuzu Algarad.

Diagnosticado com diversas doenças mentais — como esquizofrenia e agorafobia — Algarad nunca falava a verdade sobre sua infância para as pessoas. Por esse motivo, até mesmo entusiastas não conhecem sua história exata.

Patricia Gillespie, que produziu e dirigiu uma série documental sobre a vida de Pazuzu, confirmou que ele inventava episódios sobre sua infância e sobre sua família. Mesmo assim, sabe-se que, ainda jovem, o garoto já machucava animais e consumia álcool e drogas em abundância.

Pazuzu Algarad ainda jovem / Crédito: Reprodução/Youtube

 

Quando percebeu que seu filho era diferente, Cynthia Lawson, a mãe do garoto, lhe ofereceu um tratamento psicológico. No entanto, em determinado momento, a mulher ficou sem dinheiro e não pôde mais pagar pela ajuda psiquiátrica que Pazuzu precisava. Foi aí que a saúde mental do garoto virou de cabeça para baixo.

Em 2002, quando já era um satanista autoproclamado, o homem mudou seu nome de John Alexander Lawson, para Pazuzu Illah Algarad. A escolha foi uma homenagem para o demônio assírio do filme O Exorcista.

Ele, então, passou a cobrir seu rosto com tatuagens e modificou seus dentes, deixando-os pontudos. Segundo um psiquiatra, Pazuzu mal tomava banho — era um evento quase anual — e não escovava os dentes, com o intuito de afastar seus vizinhos.

Às pessoas, ele dizia que sacrificava animais com frequência e alegava poder controlar o clima. Era sabido que, em sua casa, ele passava os dias realizando cerimônias satânicas, bebendo sangue de animais e organizando orgias.

Amber Burch, Pazuzu e Krystal Matlock, respectivamente / Crédito: Departamento de Polícia de Forsyth County

 

Nesse sentido, a residência de Pazuzu, na cidade de Clemmons, na Carolina do Norte, era um refúgio para aqueles que se sentiam marginalizados e desajustados. Com um carisma muito semelhante ao de Charles Manson, Algarad atraía pessoas como ele, encorajando-os a se envolver com suas práticas.

É claro que, rapidamente, ele passou a ser temido em sua cidade, um local conhecido por ser fortemente cristão. Foi lá, em sua casa, que ele conheceu Amber Burch e Krystal Matlock, duas de suas noivas. Elas frequentavam a residência, assim como outros amigos de Pazuzu.

Todos poderiam ficar o tempo que quisessem na casa de Algarad, independente de quem fossem, ele pouco se importava. A residência era um antro de automutilação, consumo de sangue de pássaros, sacrifícios de coelhos, drogas e orgias.

Em pouco tempo, o local ficou em péssimas condições, com lixo por toda a casa, carcaças de animais espalhadas pelo chão e sangue seco nas paredes. Nas portas e paredes, mensagens satânicas, pentagramas e sequências de números 6 foram pintados.

Porta da casa de Pazuzu, com inscrições e representações satânicas / Crédito: Reprodução/Youtube

 

As festas regadas à sangue, no entanto, tiveram fim em 2014, quando dois corpos foram encontrados no quintal de Pazuzu. No dia 5 de outubro, o homem, já com 35 anos, e Amber Burch, com 24, foram presos após a descoberta dos cadáveres.

Dias depois, em 13 de outubro, os homens foram identificados como Joshua Fredrick Wetzler e Tommy Dean Welch, desaparecidos em 2009. Os dois teriam sido mortos por tiros nas cabeças. Joshua foi assassinado por Pazuzu e Tommy por Amber. O homem e a mulher foram cumplices um do outro, ajudando nos enterros.

Segundo as investigações, Tommy teria frequentado a casa de Pazuzu, junto de Amber e outros colegas marginalizados. Seu destino, todavia, foi diferente: ele teria sido atingido duas vezes na cabeça com um rifle de calibre 22.

Logo depois da prisão do casal, a outra noiva de Pazuzu, Krystal Matlock, foi presa com 28 anos. Ela era suspeita de matar outra pessoa cujo corpo também foi encontrado. A mulher ainda teria ajudado no enterro e ocultação do cadáver de Joshua.

Pazuzu e sua mãe, Cynthia Lawson / Crédito: Reprodução/Youtube

 

Assim que todos os restos mortais foram encontrados na propriedade de Pazuzu, a casa foi considerada imprópria para habitação humana e, em 2015, foi demolida. Naquele mesmo ano, em 28 de outubro, o homem foi encontrado morto em sua cela, na Prisão Central em Raleigh, Carolina do Norte.

Pazuzu cometeu suicídio, efetuando um profundo corte em seu braço esquerdo. Ele morreu devido a grande perda de sangue através do corte. Até hoje, não as sabe qual foi o instrumento usado para cometer o ato.

Em 2017, Amber Burch se declarou culpada de assassinato em segundo grau, assalto à mão armada e por ser cúmplice em outros crimes. Ela foi condenada a um mínimo período de 30 anos e oito meses de prisão, com um máximo de 39 anos e dois meses.

Já Krystal Matlock alegou ser culpada por conspiração para assassinato em primeiro grau no dia 5 de junho do mesmo ano. Sua condenação foi de mínimo de três anos e dois meses, com quatro anos e 10 meses de prisão máxima.


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