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Conheça Sada Abe, a gueixa ninfomaníaca

Abe foi capturada com os genitais decepados de seu amante na bolsa. Asfixia erótica, assassinato e necrofilia compõem a sua bizarra história

Joseane Pereira Publicado em 19/09/2019, às 13h00

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- Crédito: Reprodução

Kichizo Ishida era o maior amor de Sada Abe. Em abril de 1936, o casal se hospedou um hotel no centro de Tóquio para uma estadia curta, mas o que era para ser apenas uma tarde, logo se transformou em quatro dias de amor frenético: eles não paravam de fazer sexo nem quando as empregadas do hotel entravam no quarto para trazer o chá.

Mas algo que o casal não sabia era que essa paixão se tornaria mortal.

Trajetória de Abe

A vida de Abe foi envolta por problemas relacionados a sexo. Violada aos 14 anos, a jovem cresceu com um temperamento e uma identidade sexual enigmática, tendo muitos amantes precocemente. Seus pais decidiram vendê-la para uma escola de gueixas cuja estrutura rígida Abe rejeitou, indo trabalhar como prostituta licenciada pelo governo.

Após ser acusada de roubo por clientes, Abe se retirou do licenciamento e acabou trabalhando em um bordel ilegal de Tóquio, que fechou por questões judiciais. Foi aí que ela decidiu deixar a prostituição de vez.

Bordel onde Abe trabalhou / Crédito: Reprodução

 

Abe começou a trabalhar como garçonete em um restaurante cujo dono, Kichizo Ishida, se aproximou dela. Dois meses depois, ambos estavam na cama do antigo hotel em Tóquio. Após a estadia prolongada, Ishida voltou para sua esposa.

E Abe, extremamente enciumada, comprou uma faca de cozinha com a qual ameaçou matar o amante. Mas, para sua surpresa, o objeto não causou terror ao dono do restaurante, mas entusiasmo.

"... é muito difícil dizer exatamente o que era melhor em Kichi. Mas também é impossível não dizer nada a respeito de seu aspecto, sua atitude, sua habilidade como amante ou a forma com expressava seus sentimentos. Nunca tinha conhecido um homem tão absolutamente sexy e sensacional", afirmou Abe após sua detenção.

Erotismo macabro

O perfil dominante de Aba, que combinava com a personalidade submissa de Ishida, acabou resultando em um encontro fatal. O caso entre os dois foi reacendido — dessa vez, incorporando o objeto doméstico. Durante um encontro sexual, Abe colocou a ponta da faca em suas genitais, ameaçando cortá-los se ele voltasse para sua esposa.

Ishida parecia apreciar situações perigosas, pedindo que Abe o estrangulasse durante os atos sexuais. Em 16 de maio, duas horas de asfixia erótica deixaram Ishida realmente machucado. Em tom de brincadeira, ele comentou que seria melhor que Abe o estrangulasse até a morte, para que ele não sentisse a dor depois.

O assassinato

Abe entendeu o tom da piada, embora a ideia tenha sido plantada em sua mente. Dois dias depois, a garçonete o estrangulou novamente com a faixa de seu quimono — e dessa vez, não parou até que ele estivesse morto.

“Depois de matar Ishida, senti-me totalmente à vontade, como se um fardo pesado tivesse sido tirado dos meus ombros, e tive uma sensação de clareza”, disse ela após ser capturada pela polícia.

Local do assassinato de Kichizo Ishida / Crédito: Reprodução

 

Com a faca de cozinha, ela então cortou os órgãos genitais e os embrulhou em papel. Usando seu sangue, ela escreveu: “Nós, Sada e Ishida, estamos sozinhos” na coxa do amado. Por fim, ela gravou seu nome no braço dele com a faca e saiu do hotel, levando o pênis de Ishida na bolsa.

A captura de Abe

A equipe do hotel logo descobriu o cadáver e a mensagem enigmática. A história imediatamente atingiu a imprensa e a busca por Abe começou. Em 20 de maio, ela se hospedou num hotel e passou o dia escrevendo cartas de despedida para seus amigos, pois estava planejando se matar pulando de algum penhasco até o final da semana.

Nesse meio tempo, ela queria fazer sexo com seu amado mais uma vez. Desembrulhando o pênis decepado, ela o introduziu em sua boca. Em seguida, tentou colocá-lo dentro de si várias vezes antes de desistir. "Eu queria a parte dele que trouxe de volta as memórias mais vivas", lembrou Abe mais tarde.

Enquanto isso, a polícia estava à sua procura. Detetives a seguiram até o hotel em que ela estava hospedada e bateram em sua porta. Abe convidou-os e admitiu sua identidade, oferecendo os genitais decepados como prova.

Quando foi presa, a polícia a perguntou por que matou seu ex-amante, ao que ela respondeu: “Eu o amava tanto, eu queria ele só para mim. Mas como não éramos marido e mulher, enquanto ele vivesse, ele poderia ser abraçado por outras mulheres. Eu sabia que se eu o matasse nenhuma outra mulher poderia tocá-lo novamente, então o matei...”.

Abe pediu para ser executada, mas o tribunal condenou-a a apenas seis anos de prisão. Em 1970, após ter trabalhado por 20 anos como garçonete, Abe desapareceu completamente, e até hoje seu destino é um mistério.

Quanto aos genitais de Ishida, após o julgamento seu pênis e testículos foram transferidos ao museu de patologia da Escola de Medicina da Universidade de Tóquio, para exibição pública.