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A saga da Marquesa de Santos após a morte da imperatriz Leopoldina

Acusada de ser responsável pela morte de Maria Leopoldina, Domitila de Castro foi perseguida pelo povo, mas isso não a impediu de reconstruir sua vida e ganhar fama de santa popular

Fabio Previdelli Publicado em 07/07/2020, às 11h45

Marquesa de Santos aos 68 anos
Marquesa de Santos aos 68 anos - Wikimedia Commons

Ao longo dos anos, traição e monarquia foram duas palavras que andaram juntas e que ajudam a escrever, em muitos casos, grande parte da história de diversos países. Por aqui, por exemplo, um dos casos mais emblemáticos é de dom Pedro I com Domitila de Castro e Mello, a Marquesa de Santos.

Antes clandestino e sigiloso, o amor dos dois passou a ser cada vez mais escancarado, não sendo escondido nem mesmo de Maria Leopoldina da Áustria, esposa do imperador. Com o passar do tempo, Domitila passou a ser mais amada e elevada socialmente por dom Pedro. Mas em 11 de dezembro de 1826, um trágico evento mudou tudo isso: a morte da Imperatriz Leopoldina.

A contubarda relação pós-Leopoldina

Tudo começou porque Maria Leopoldina era querida pelo povo, que via na monarca uma admiração extrema em virtude de seu papel na luta pela independência. Logo, eles passaram a querer vingança contra aquela que seria a responsável pela morte da imperatriz. Naquela época, corriam boatos que a amante teria envenenado Maria Leopoldina.

A Marquesa de Santos e a Imperatriz Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com isso, governantes e conselheiros decidiram afastar a Marquesa de Santos da corte, já que a cidade estava cada vez mais ensandecida, o que culminou com que o coronel Oliva, cunhado da marquesa e acusado de participar do envenenamento de Leopoldina, fosse alvejado com dois tiros.

Mas a confusão não parou por aí, uma multidão se dirigiu até a casa da marquesa, que foi cercada, apedrejada e por pouco não foi invadida. Todo esse contexto fez dom Pedro I ficar cada vez mais impopular e o relacionamento dos dois passou a ser bem mais conturbado, terminando em 1829.

Naquela ocasião, o imperador se casou com Amélia de Leuchtenberg em uma tentativa de restaurar sua imagem. Havia mais de dois anos que o imperador procurava uma noiva de sangue nobre, mas seu relacionamento com Domitila e tudo que ele causou para Maria Leopoldina fez com que muitas princesas recusassem se envolver com ele.

Já a Marquesa de Santos parece também ter superado a união e virou a página em 1833, quando conheceu o brigadeiro Rafael Tobias Aguiar. No ano seguinte, ela retornou para São Paulo, onde adquiriu um vasto casarão na antiga Rua do Carmo — atual Rua Roberto Simonsen —, no centro da cidade.

Em 1842, Domitila se casa com Tobias Aguiar, mas a relação passa por um momento delicado quando o brigadeiro, um dos principais líderes da Revolução Liberal, acaba preso no sul. Sabendo que o marido havia sido levado para o Rio de Janeiro e encarcerado na Fortaleza da Laje, ela roga a dom Pedro II que pudesse viver com o marido na Fortaleza para que pudesse cuidar de sua saúde — o que acabou sendo concedido.

Dois anos depois, o brigadeiro acaba sendo anistiado e os dois retornam para São Paulo, onde foram recebidos com muita festa. A união entre Tobias e Domitila foi o mais longo da marquesa, durando 24 anos. Juntos, o casal teve seis filhos, sendo que 4 conseguiram chegar a fase adulta. Os dois só se separam quando o brigadeiro faleceu a bordo do Vapor Piratininga em 7 de outubro de 1857, quando ia até o Rio de Janeiro em busca de uma ajuda médica.

O fim da vida de Marquesa de Santos

Em sua velhice, Domitila se tornou uma senhora devota e caridosa, ajudando os desamparados, protegendo os enfermos e miseráveis, e ajudando os estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da cidade de São Paulo. A casa da Marquesa se tornou um centro da sociedade paulistana, que foi animada com bailes de máscaras e saraus literários.

Domitila de Castro aos 68 anos e seu sepultura no Cemitério da Consolação / Crédito: Wikimedia Commons

 

Domitila de Castro faleceu em seu palacete, que é a atual sede do Museu da Cidade de São Paulo, em 3 de novembro de 1867, sendo sepultada pouco depois no Cemitério da Consolação. Seu túmulo sempre recebem flores de pessoas que a consideram uma santa popular, afinal, existe uma lenda que a Marquesa protege as prostitutas da cidade.


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