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Saiba mais sobre o peixe-jacaré, um fóssil vivo

A espécie continua quase a mesma desde quando dividiu a Terra com os dinossauros há quase 100 milhões de anos

Isabela Barreiros Publicado em 05/12/2021, às 08h00

Um peixe-jacaré no zoológico de Cincinnati, EUA
Um peixe-jacaré no zoológico de Cincinnati, EUA - Greg Hume via Wikimedia Commons

Em outubro deste ano, um pescador do estado americano do Kansas se deparou com um animal extremamente raro no rio Neosho. Surpreso, ele retirou das águas um espécime do peixe-jacaré, considerado um verdadeiro “fóssil vivo” por cientistas.

Isso porque há registros da espécie que datam de quase 100 milhões de anos atrás — ou seja, o peixe não sofreu alterações durante todo esse período e ainda apresenta características do passado.

Além de chocar os especialistas por ser raro, a descoberta também intrigou porque o animal não é nativo da região. Com 1,37m de comprimento e 18 kg, é possível que o peixe tenha vivido em um aquário, como animal de estimação.

O peixe-jacaré descoberto pelo pescador / Crédito: Divulgação/Kansas Department of Wildlife & Parks

 

“Não é improvável que este peixe já tenha sido o animal de estimação de alguém ou que tenha sido comprado em uma loja de animais e depois jogado no rio quando se tornou muito grande”, declarou Doug Nygren, diretor da Divisão de Pesca da KDWP, sobre o caso.

Um animal tão interessante quanto o peixe-jacaré gera muita curiosidade. Pensando nisso, a Aventuras na História investigou um pouco sobre essa espécie e trouxe algumas características importantes desse pedaço de história do mundo.

Um fóssil vivo

O que mais impressiona sobre o peixe-jacaré é que ele quase não mudou em mais de 100 milhões de anos — ele continua tendo quase a mesma aparência que teria na época dos dinossauros, por exemplo.

Mas ele não é o único. Peixes como o náutilo ou o pirarucu, por exemplo, também sofreram poucas alterações ao longo de períodos prolongados e permanecem similares ao que eram no passado.

O nome dele também pode trazer certa confusão. A verdade é que o peixe recebeu esse nome por que sua boca tem uma certa semelhança com a de um réptil. Seu nome científico, no entanto, é Atractosteus spatula.

O animal pertence à ordem dos lepisosteiformes, que conta com 2 gêneros e apenas 7 espécies. A família à qual ele pertence é a dos Lepisosteidae. As informações são do site do Museu de História Natural da Flórida.

Representação artística do peixe-jacaré / Crédito: Duane Raver, U.S. Fish and Wildlife Service via Wikimedia Commons

 

Atualmente, a espécie é avistada principalmente nas águas doces que banham a América do Norte e Central, em especial entre o estado americano de Montana, o sul do Quebec e a Costa Rica.

No entanto, estudos indicam que é provável que, no passado, o peixe-jacaré tivesse se espalhado por mais territórios, habitando toda a África, Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul. Hoje, há apenas fósseis desse animal nessas regiões.

Quanto às suas características físicas, o peixe, em sua idade adulta, pode chegar a medir até 3 metros de comprimento e pesar até 130 quilos. Os cientistas também destacam que a espécie vive bastante: eles podem viver entre 17 e 20 anos, sendo considerados longevos.

As tonalidades da espécie vão do verde escuro até o cinza, mas ela sempre apresenta forma alongada e tubular, em forma de torpedo. Além disso, eles têm um focinho alongado que conta com duas fileiras de dentes extremamente afiados.

Embora os animais possam parecer preguiçosos à primeira vista, eles são predadores vorazes e caçam suas presas em emboscada. A espécie é principalmente piscívora e alguns exemplos que fazem parte da sua alimentação são o tarpão e o bagre pequeno.

Uma curiosidade sobre sua forma de caça é que o peixe-jacaré fica imóvel na superfície da água por longos períodos de tempo, esperando que peixes pequenos passem por ali, enquanto parece ser apenas um tronco. Quando algum animal aparece, ele logo o abocanha.


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