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Salto sobre bebês: a curiosa festividade de batismo de recém-nascidos

O Baby Jumping Festival acontece anualmente em uma pequena vila na Espanha e consiste em homens com roupas vibrante pulando sobre crianças

Isabela Barreiros Publicado em 30/09/2020, às 07h00

Homem fantasiado pulando bebê no Baby Jumping Festival
Homem fantasiado pulando bebê no Baby Jumping Festival - Divulgação/Youtube/Lonely Planet

Festividades fazem parte da cultura de cada local, algumas com representações mais universais que outras. Ao redor do globo, países e, em menor escala, até vilas, possuem seus próprios hábitos, que, ao longo do tempo, podem persistir e se tornar tradições locais, que são seguidas por muitos anos.

Portanto, é possível dizer que conhecemos pouco sobre muitas práticas culturais que acontecem em locais que nem imaginamos. Em alguns momentos, esses costumes são levados ao conhecimento mais público, principalmente por meio de reportagens jornalísticas. O The Guardian, por exemplo, foi o maior responsável por expor o Baby Jumping Festival.

El Salto del Colacho

Crédito: Wikimedia Commons

 

As origens da festividade não são completamente conhecidas, como muitas tradições culturais que acontecem frequentemente ao redor do mundo. O Baby Jumping Festival em questão, que em sua língua original se chama El Salto del Colacho acontece todos os anos na Espanha.

Mas é preciso colocar isso em uma escala ainda menor. A festa tradicional acontece anualmente na pequena aldeia de Castrillo de Murcia, no município de Sasamón, na província de Burgos, Espanha. Do que se sabe de seu objetivo, a prática é realizada para celebrar a festa católica de Corpus Christi, que acontece em toda quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade.

Mas no que exatamente consiste o Baby Jumping Festival, que acontece uma vez a cada ano desde 1620?

No dia definido como o importante feriado, homens vestidos como o Diabo, que, na vila espanhola é conhecido como Colacho, literalmente pula por cima de bebês deitados em colchões espalhados por uma longa via.

Acredita-se que a tradição tenha começado como uma simpatia para obter fertilidade, por isso os recém-nascidos. Os indivíduos fantasiados que saltam por cima das crianças vestem máscaras vermelhas e amarelas e ternos das mesmas cores.

Recebendo os insultos, as pessoas que acompanham os homens também os repreendem, como parte da peça. Depois de todo esse ritual, os bebês recebem um tratamento mais cuidadoso, sendo borrifados com pétalas de rosa e, enfim, levados novamente aos seus pais. 

A simbologia

Ao toque de um tambor, o rito se inicia, representando uma espécie de luta do bem contra o mal, conflito do qual o primeiro sai vencedor ao final do dia. Tudo se trata de uma simbologia, essencialmente cristã, que visa afastar o diabo dessas crianças. Mas além delas: os espectadores também repreenderam o demônio para evitar má sorte nos próximos anos. 

É uma espécie de fuga, onde o mal deve ser expulso por meio desse ritual. Algumas fontes afirmam que se trata de um tipo específico de batismo, realizado de outra maneira pela igreja católica, mas que adquiriu características próprias na pequena vila espanhola de Castrillo de Murcia.

Os homens fantasiados pulam sobre os bebês recém-nascidos apenas nos últimos 12 meses. A ideia é que isso poderá absorver todo o pecado que pode acometer essas crianças, dando a elas proteção, tanto em relação à saúde quanto à sorte que elas terão em suas vidas, defendendo-as de espíritos malignos.

Preservadas do pecado original, elas poderão passar pela vida sem dificuldades causadas por problemas apresentados pela igreja. 

Curiosidades

Crédito: Wikimedia Commons

 

Embora o caso já seja muito curioso por si só, como ele é uma festividade muito antiga, algumas transformações já puderam ser observadas nos ritos que acontecem no interior na Espanha.

Tornando-se cada vez maior, além dos homens fantasiados, podemos ter ainda procissões e peças de mistério, que contam com mais personagens fora este principal. Nesses teatros, dançarinos podem retratar mais demônios, mas também anjos ou outros personagens bíblicos.

Além disso, o reconhecimento do resto do mundo sobre esse feriado também trouxe mudanças. Antigamente, apenas recém-nascidos da vila poderiam participar do ritual anual, porém, agora, é possível que outras crianças também passem pelo processo. Muitas pessoas ao redor do planeta foram até a aldeia levando seus filhos para serem protegidos contra espíritos do mal por meio da tradição cultural.

Se você está se questionando se isso já resultou em algum acidente com as crianças, é possível dizer que, até agora, nenhum problema do tipo já foi registrado na vila. Nenhum relato de feridos já foi divulgado, mas ainda assim, a igreja católica continua debatendo a prática, visto que ela entra em conflito com o batismo em si, estabelecido pela instituição.


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