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Saturnália: o festival romano em que os mestres e escravizados se misturavam

A aguardada celebração lembra o Natal cristão em certos pontos, porém também conta com algumas excentricidades

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 18/04/2021, às 08h00

Pintura representando a Saturnália
Pintura representando a Saturnália - Wikimedia Commons

Era o mês de dezembro, e como de costume, as pessoas estavam ansiosas para as celebrações de fim de ano, especialmente as trocas de presentes, e, claro, a inversão de papeis entre escravos e mestres. 

Embora o início da frase acima possa facilmente se aplicar ao Natal, estamos falando na verdade da Saturnália, um festival que ocorria na Roma por ocasião do solstício de inverno. No hemisfério norte, esse fenômeno astronômico, que marca o início da estação mais fria, ocorre no dia 21 de dezembro. 

Essa data possuía grande importância simbólica para inúmeros povos antigos, incluindo os romanos, que davam uma de suas melhores festas do ano nesse período. Uma curiosidade documentada pelo site do History é que, a princípio, a celebração durava apenas o dia do solstício, porém as pessoas gostavam tanto que ela foi aumentando espontaneamente com o tempo, até durar uma semana inteira. 

Aspecto religioso 

Não era incomum que as festas romanas fossem dedicadas a algum dos deuses de seu panteão, e no caso da Saturnália não era diferente. Essa celebração em especial era feita em homenagem a Saturno, que é o pai de Júpiter. Na versão grega das divindades, essas figuras se chamam Cronos e Zeus, respectivamente. 

Saturno seria uma divindade associada à agricultura na mitologia romana, por isso sendo representado frequentemente segurando uma foice ou então uma faca de poda, ferramentas usadas durante o plantio. 

Ruínas de Templo de Saturno / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um dos motivos pelo qual a Saturnália era uma festa tão alegre vem da crença que durante o reinado do pai de Júpiter, o mundo teria vivido uma próspera “Idade de Ouro”. 

Tradições 

Durante a celebração, havia banquetes, música, danças, jogos e bebidas alcoólicas. Ninguém precisava trabalhar, nem mesmo os camponeses ou os escravos. Na verdade, um dos elementos mais marcantes desse festival era o fato dos escravos subitamente terem todas as liberdades de um cidadão comum, podendo divertir-se, usar roupas menos servis e até mesmo serem insolentes com seus mestres. 

Estátua representando Saturnália / Crédito: Wikimedia Commons

 

O último dia da Saturnália era chamado de Sigillaria. Amigos e familiares se dedicavam então a fazer pequenos trabalhos de artesanato para presentear uns aos outros, como velas e estatuetas. Para aqueles sem habilidades manuais, também era possível comprar os itens em uma feira especial que acontecia apenas naquele dia. 

Acredita-se hoje que a nossa festa cristã conhecida como Natal pode ter pego emprestado alguns dos elementos desse festival romano, como a troca de presentes e o próprio período em que ele é celebrado.


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