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Nos rastros da Segunda Guerra: a triste saga das crianças-lobo

Durante a Segunda Guerra, muitas crianças perderam seus pais nos campos de batalha e tiveram que viver sozinhas, fugindo dos soviéticos nas florestas

Caio Tortamano Publicado em 02/01/2020, às 14h08

Crianças órfãs presas em campo de concentração na Rússia
Crianças órfãs presas em campo de concentração na Rússia - Getty Images

A densidade de uma floresta é dura para adultos preparados e saudáveis que, ao se depararem com a força da natureza, muitas vezes não conseguem sair vivos. Para uma criança sozinha e desamparada o desafio é ainda mais cruel.

Conhecidas como as crianças-lobo, muitos meninos e meninas ficaram órfãs no período que sucedeu a Segunda Guerra Mundial. Na Prússia Oriental, por exemplo, muitas se viram longe dos pais devido à realidade do conflito.

Os países aliados, que haviam derrotado os do Eixo, se prontificaram a expulsar legalmente do país os alemães que lá viviam anteriormente a fim de prevenir um massacre contra os bávaros.

A decisão dificultou o reencontro de famílias em muitos dos países, levando crianças para orfanatos soviéticos, ou para a Lituânia. Outras acabaram voltando para uma irreconhecível Alemanha, diferente da realidade que encaravam anteriormente. Esses locais obrigavam os pequenos sobreviventes a lidar com ambientes violentos e pouco afetuosos.

A recepção das crianças-lobo na Lituânia não foi, de longe, uma das melhores. Tendo que se acostumar a uma língua nova, elas tiveram que trabalhar em troca de abrigos, vivendo com pouca ou nenhuma educação pela forma clandestina com a qual eram inseridas.

Além disso, a Lituânia era ocupada pela União Soviética, que passou a seguir as políticas dos soviéticos em eliminar qualquer resquício nazista seja na política ou na sociedade.

Gisela foi uma dessas crianças, e teve que se despedir de sua avó aos 14 anos de idade depois que a idosa morreu de fome.  Ela trabalhou em uma das inúmeras fazendas coletivas soviéticas chamadas de kolkhoz, com um trabalho rigoroso e difícil. Mesmo diante da tristeza do trabalho braçal prematuro, foi lá que ela encontrou seu futuro marido, com quem teve dois filhos.

Quase vinte anos depois de ter sido separada da família, descobriu que sua mãe e irmão, enviados para a guerra, ainda estavam vivos. Porém, a perseguição soviética aos alemães fez com que a menina vivesse escondendo sua origem.

Outra menina, Erika Smetonus, teve a mãe morta na guerra e o pai desaparecido. Vivendo na Prússia Oriental, ela foi deixada para trás quando tinha apenas 11 anos, e se juntou com um menino que conhecia.

Os dois conseguiram chegar à Lituânia, mas somente Erika se estabeleceu na casa de uma mesma família, e viveu por longas décadas com eles. Quando adulta, ela conseguiu localizar o irmão mais novo, depois de terem se separado em decorrência da guerra.

Ela e muitas outras tiveram suas vidas mudadas de cabeça para baixo, e nem todas conseguiram, como Gisela e Erika, reencontrar as famílias e amenizar tamanha dor que a perda e o isolamento as deram.


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