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Seis horas sem batimentos: a impressionante história de Aubrey Schoeman, a mulher que voltou à vida

Em 2019, Aubrey realizava um passeio pelas montanhas da Espanha com seu marido quando uma tempestade de neve fez o pior acontecer

Ingredi Brunato Publicado em 08/01/2021, às 09h49

Fotografia de Aubrey Schoeman
Fotografia de Aubrey Schoeman - Divulgação/ Facebook

A britânica Audrey Schoeman e seu marido Rohan estavam fazendo um passeio na cordilheira espanhola dos Pirenéus no ano de 2019 quando os dois foram 'engolidos' por uma poderosa tempestade de neve. 

A princípio, a mulher começou a exibir sintomas como dificuldade para falar e mobilidade, o que por si só não parecia tão grave. Todavia, não demorou para que a inglesa desfalecesse, assustando seu esposo. 

O serviço de emergência foi chamado, contudo, o casal se encontrava num ponto muito remoto, e a ajuda acabou demorando para chegar.

Durante essa espera torturante, Rohan não conseguia sentir o coração de Audrey, e passou a acreditar que tinha perdido sua esposa permanentemente. "Eu tentei sentir o pulso dela, mas não consegui sentir sua respiração, não consegui sentir seus batimentos", chegou a declarar o homem ao Catalão TV3 na época.

Fotografia da cordilheira dos Pirenéus / Crédito: Wikimedia Commons

 

Reviravolta feliz 

O que o marido da mulher britânica não sabia ainda é que ela havia sofrido uma parada cardíaca devido à hipotermia, mas também teve o corpo e cérebro preservados pela ação do frio. Era esse fator que terminaria por salvá-la, segundo o médico Eduard Argudo, conforme documentado pela BBC na época.

Após a entrada no Hospital Vall d'Hebron de Barcelona, Audrey foi declarada sem sinais de vida, entretanto, os médicos tentaram tratá-la, colocando-a em uma máquina que servia para retirar o sangue dela do corpo, oxigená-lo e em seguida devolvê-lo. 

Quando esse processo terminou, foi realizada uma tentativa de reviver o coração de Schoeman fazendo uso de um desfibrilador. Para a surpresa de todos, embora a parada cardíaca da mulher houvesse acontecido seis horas antes, seu coração reagiu, voltando a bater. 

Na história da Espanha, não existem registros de nenhuma outra pessoa que tenha ficado tanto tempo quanto Audrey sem batimentos cardíacos, configurando-a como um caso único. 

A mulher ficou ainda 12 dias no hospital em recuperação antes de sua situação ser considerada estável o suficiente para que ela recebesse alta, tendo como únicas sequelas a dificuldade de mover os dedos das mãos e a perda de sensibilidade na região. 

Trecho de Aubrey Schoeman durante entrevista / Crédito: Divulgação/ Youtube 

 

Depois de tudo 

Em entrevista para a BBC em 2019, Schoeman, então com 34 anos, contou que se sentia sortuda por ter sobrevivido ao incidente, considerando que havia recebido uma “segunda chance”. 

Ela também considerou que a situação toda tinha sido muito mais difícil para seu marido, Rohan, já que ele precisou lidar com a possibilidade de perder sua esposa. Não só ele passou por isso, aliás, mas também todos os seus familiares. 

"Quando acordei no hospital, eu sabia que era sério, pois meus pais estavam lá, mas ao mesmo tempo não me sentia em risco de morrer. Enquanto isso, todo mundo tinha passado os últimos dias pensando que havia uma chance muito boa de eu não voltar mais.”, explicou ela. 

A experiência de quase morte não inspirou a britânica necessariamente a fazer mudanças radicais em como usava seu tempo na Terra, como garantiu à BBC: “Gosto da vida que tinha antes do acidente, não vou largar o emprego nem nada do gênero”.

Inclusive, Audrey pretendia voltar a visitar montanhas - assim que seu marido estivesse disposto a encará-las novamente, é claro. “Acho que vai demorar muito até que meu marido chegue perto de neve”, concluiu ela.