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Seleção árdua e pressões pessoais: a insólita saga dos astros de K-pop

Muitos artistas enfrentaram pressão das empresas e raiva dos fãs após assumirem relacionamentos, no entanto, a indústria sul-coreana apresenta mudanças positivas

Isabela Barreiros Publicado em 24/10/2020, às 08h00

O grupo sul-coreano BTS
O grupo sul-coreano BTS - Wikimedia Commons

Beyoncé, Britney Spears, Michael Jackson — inúmeros são os artistas que conhecemos hoje que começaram suas carreiras muito cedo. Desde a infância ou adolescência, eles já eram colocados nos palcos para realizarem apresentações impressionantes.

Isso aconteceu e ainda acontece nos Estados Unidos, que mantém uma das indústrias mais populares da música. Um novo fenômeno, que se está se tornando cada vez mais popular com o passar dos anos, também conta com uma estratégia similar — porém muito mais organizada. A “onda coreana” se instalou na música e até mesmo na televisão.

Jovens sul-coreanos são selecionados por empresas que irão lançá-los no mundo do entretenimento (na linguagem do meio, “debutar”) depois de anos de treinamento. Eles podem passar até nove anos trabalhando em sua aparência, habilidades de dança e de canto. 

A faixa etária é geralmente muito baixa: eles devem ter entre 15 e 20 anos, já que irão passar pelo longo processo de capacitação. É principalmente nisso que observamos a diferença entre a indústria estadunidense e sul-coreana: nas Américas, não há tanto treino para que alguém se torne artista. 

Outra diferença clara está na vida pessoal dos artistas. Na Coreia do Sul, durante esse período de nove anos e também ao longo da carreira após o debut, eles vivem em alojamentos que são oferecidos pelas empresas pelas quais eles atuam. Trabalhando por longas períodos, os cantores possuem uma vida íntima, no mínimo, complexa.

Vida privada dos idols

Membros do grupo Triple H / Crédito: Wikimedia Commons

 

Se você tem o mínimo de conhecimento de K-pop, provavelmente já ouviu falar que os artistas (conhecidos como “idols”, ídolos em inglês) não podem namorar. Como entravam nas empresas muito jovens, muitos assinavam contratos com cláusulas evasivas, com proibição de namoro e até divulgação de informações pessoais.

Com o tempo, isso diminuiu, conforme críticas às companhias e seus abusos foram aumentando. Mesmo assim, ainda podemos observar certas restrições e, quando isso não acontece e os cantores assumem relacionamentos, a reação dos fãs e do público em geral muitas vezes não é a das mais positivas.

Em 2018, por exemplo, o grupo Triple H foi desfeito quando dois de seus membros divulgaram que estavam em um relacionamento há pelo menos 2 anos. Hyuna e E-Dawn foram expulsos da empresa, a Cube Entertainment, quando a informação foi à público.

A reação da empresa não foi aleatória: alguns casos de namoro são expostos, mas, aqui, os fãs responderam à isso de forma tão furiosa que a decisão da gravadora foi a de não mantê-los no grupo.

Legião de fãs

Grupo TWICE / Crédito: Wikimedia Commons

 

A relação com os fãs é uma das partes mais interessantes e peculiares da indústria do K-pop. Em entrevista à CNN, a especialista Jenna Gibson, da Universidade de Chicago, nos EUA, explicou que os artistas desenvolveram bases de fãs que se tornaram comunidades muito dedicadas principalmente na divulgação dos grupos.

Para ela, “as comunidades de fãs também assumem uma responsabilidade mais pessoal por promover seu grupo favorito e manter limpa a imagem pública do grupo”. “De uma forma perversa, porque os fãs se esforçam tanto para promover e divulgar uma boa imagem de seu ídolo, alguns deles acham que deveriam ter algo a dizer sobre as ações e a vida pessoal do ídolo”, explicou Gibson.

É por esse motivo que quando idols assumem relacionamentos a situação pode sair do controle: exatamente porque a quantidade de fãs é assustadora e suas reações podem ser consideradas, muitas vezes, controversas. 

Mas é possível perceber que, hoje, isso está mudando. "A situação está definitivamente muito melhor do que cinco ou mais anos atrás. Isso ocorre principalmente porque agora tem havido tantos 'escândalos' de namoro, que a ideia de idols namorando e até mesmo se casando é muito mais normalizada", afirmou a pesquisadora.

No começo deste ano, Momo, que faz parte do grupo feminino TWICE e Heechul do Super Junior anunciaram oficialmente o namoro. Ainda no TWICE, Jihyo e o cantor Kang Daniel também já divulgaram estarem juntos. Podemos ver um exemplo positivo também no EXO, em que o idol Chen recebeu apoio dos fãs após anunciar seu casamento e o nascimento de sua primeira filha.

"Acho que a grande diferença na reação dos fãs é como as estrelas e suas empresas de gestão compartilham as notícias — se forem abertos e honestos sobre isso e apresentarem o relacionamento como se não fosse grande coisa, geralmente a notícia é recebida de forma positiva. Mesmo que haja algum clamor entre os fãs mais radicais, isso geralmente diminui com o tempo”, concluiu Gibson.


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