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Sem risos: a trágica morte do comediante Dick Shawn, que sofreu um ataque cardíaco no palco

Demorou alguns minutos para que a platéia e o assistente do ator percebesse que não havia mais clima para rir

Vanessa Centamori Publicado em 26/04/2020, às 13h00 - Atualizado às 15h00

Fotografia de Dick Shawn
Fotografia de Dick Shawn - Wikimedia Commons

O comediante Dick Shawn tinha um estilo bem diferente de contar suas histórias engraçadas. "Sempre fui difícil de classificar", relatou certa vez o ator, à agência Associated Press, em uma entrevista na década de 1980. ″Não falo de sogra, nem faço piadas de garotas feias. Na verdade, eu quase não conto piadas. Apenas fico com meu próprio ponto de vista, em vez de me encaixar em qualquer fórmula".

Durante 35 anos, a perspectiva de Shawn viajou por boates do mundo todo: o comediante apresentou, de forma inédita, seu monólogo, O Segundo Maior Artista do Mundo Inteiro. Arrancou risos fáceis, e chegou até a desempenhar um pequeno trabalho como ator em comédias malucas. Porém, a última noite de sua vida, que começou divertida, terminou, infelizmente, sem nenhum riso. 

A morte alcança o palco

Em 17 de abril de 1987, Dick Shawn se preparava para uma apresentação na Universidade da Califórnia, no Mandeville Hall, em San Diego. Ele estava com 63 anos de idade. A apresentação começaria às 20h da noite e o artista representaria um político, parodiando alguns clichês comuns de campanhas. 

Dick Shawn, um ano antes de morrer / Crédito: Divulgação / Youtube 

 

O comediante apareceu com uma cabeça "sem corpo", embaixo de uma mesa. Começou o número, como de rotina, de modo engraçado. Mandou outro ator aparecer de surpresa ao seu lado, como se estivesse jantando. 

De repente, aconteceu algo inesperado: Shawn caiu no chão. Em entrevista ao jornal Los Angeles Times, um membro da platéia, Tom Wartelle, afirmou que o ator ficou deitado no palco por mais de cinco minutos, até que as pessoas perceberam que era algo sério. "O assistente de palco saiu várias vezes e obviamente achou que [aquilo] fazia parte do processo", contou. 

Enquanto ninguém sabia, de fato, o que estava ocorrendo, a platéia pensou também que o homem caído só estava de brincadeira. Houve até alguns comentários como "pegue a carteira dele!", zombando da situação, que parecia ser inofensiva. 

Mas, tratava-se do pior, e os risos cessaram. Um médico foi acionado. Quando ele chegou, sentiu o pulso de Shawn. O especialista o virou e a reação do público, segundo Wartelle, foi que, se aquilo tudo fosse uma piada, era alguma de muito mal gosto. A audiência foi convidada a sair. 

Dick Shawn / Crédito: Divulgação / Youtube 

 

O óbito 

Médicos administravam medidas de reanimação cardiopulmonar, enquanto as pessoas saíam perturbadas do local. Chegaram mais especialistas, dessa vez, paramédicos que levaram Shawn de ambulância. Porém, todos os esforços foram inúteis, pois o ator já estava morto, vítima de um ataque do coração. 

Funcionários da Universidade da Califórnia, onde ocorria o último espetáculo do comediante, disseram que o filho de Shawn, Adam, compareceu à apresentação e viu, tragicamente, seu pai falecer.

Dick Shawn em Os Produtores / Crédito; Divulgação / Youtube 

 

Dick Shawn ficou conhecido por fazer parte das comédias É um mundo louco, louco, louco, em 1963, e Os produtores, em 1968. Essa última foi a que lhe deu mais fama — o ator interpretou na paródia o ditador Adolf Hitler, chocando e cativando o público com um ato de música e dança da canção Springtime for Hitler.

Depois desse papel, o comediante nunca mais teve a chance de conseguir exercer outro golpe genial. Na maior parte, seus personagens saíram pouco conhecidos. Ele ganhou, no entanto, uma enorme base de fãs com seus show individuais, que misturavam música, sátira e filosofia. De certa forma, contornando a indústria da comédia, ele riu por último. 


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