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Sensacionalismo, homofobia e talk show: o absurdo Caso Scott Amedure

Retratado em nova série da Netflix, Condenados pela Mídia, após revelar paixão secreta no The Jenny Jones Show, o rapaz foi brutalmente assassinado por amigo

Victória Gearini Publicado em 26/05/2020, às 17h48

Scott Amedure e Jonathan Schmitz no programa The Jenny Jones Show
Scott Amedure e Jonathan Schmitz no programa The Jenny Jones Show - Divulgação

Scott Amedure foi cruelmente assassinado no dia 9 de março de 1995, após participar do programa de televisão The Jenny Jones Show. Retratado em nova série da Netflix, Condenados pela Mídia, o caso foi duramente noticiado pelos veículos de comunicação, colocando em dúvida a qualidade e responsabilidade social dos talk shows. 

Nascido no dia 26 de janeiro de 1963, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, Scott Amedure era um jovem assumidamente homossexual, com um futuro promissor. Gentil e carismático, o rapaz sempre estava rodeado de pessoas, tendo uma boa relação com a família. No entanto, escondia uma paixão secreta pelo seu amigo, que terminaria em tragédia.

Durante a década de 90, os famosos talk shows ganharam notoriedade entre os telespectadores. Por meio de plateias eletrizantes e assuntos polêmicos sobre o cotidiano, apresentadores contavam histórias de pessoas reais. Apresentado pela comediante Jenny Jones, o The Jenny Jones Show foi um dos programas mais bem sucedidos da televisão norte-americana. 

Scott Amedure e Jonathan Schmitz durante gravação do The Jenny Jones Show / Crédito: Divulgação

 

Em 1995, após enviar uma carta para este programa, contando a sua história, Amedure foi convidado a participar de uma gravação, no dia 6 de março daquele mesmo ano. Na ocasião, o rapaz revelou uma paixão secreta pelo seu amigo, Jonathan Schmitz, que até o momento não sabia nada sobre o assunto. Ao entrar no auditório, foi surpreendido com a declaração de Amedure.

Ao longo do programa, Jenny Jones instigou e constrangeu ambos convidados que demonstraram estarem incomodados com as piadas da comediante. Amedure foi coagido, ainda, a revelar suas fantasias sexuais com Schmitz, que por sua vez se declarou "completamente heterossexual".

Crime e julgamento

Alguns dias após a gravação do programa, Schmitz foi ao encontro de Amedure, mas durante uma discussão, o rapaz atirou contra o corpo de seu admirador, que morreu imediatamente. Desesperado, Schmitz ligou para polícia e assumiu a autoria do crime.

Jonathan Schmitz (esq.) e Scott Amedure (dir.) / Crédito: Creative Commons

 

Durante o julgamento um amigo próximo aos dois, afirmou que Schmitz e Amedure teriam saído juntos logo após a gravação do The Jenny Jones Show, e que teriam tido relações sexuais. Após o encontro, Amedure enviou um bilhete com teor sexual para Schmitz, que ficou furioso com a declaração do admirador, o procurando para tirar satisfações. 

Em 1996, os advogados de defesa alegaram que Schmitz sofria de depressão, e que teria sido humilhado durante o programa. No entanto, o júri o considerou culpado de homicídio em segundo grau. Schmitz foi sentenciado de 25 a 50 anos de prisão, mas foi libertado em 22 de agosto de 2017. Já o programa nunca foi ao ar, porém alguns trechos foram disponibilizados à mídia, novamente transformando o caso em um espetáculo sensacionalista. 

Processo contra The Jenny Jones Show. 

Em 1999, a família Amedure processou o The Jenny Jones Show, o Telepictures e a Warner Bros, por danos morais. O caso foi conduzido pelo renomado advogado de acusação Geoffrey Fiege. 

Apresentadora e comediante Jenny Jones / Crédito: Divulgação

 

Em um primeiro momento o júri concedeu uma indenização avaliada em $ 29.332.686 à família da vítima. A sentença dizia que o The Jenny Jones Show era irresponsável e negligente, mas após o advogado de defesa da Time Warner recorrer, o julgamento foi revogado pelo Tribunal de Apelações do Michigan, que posteriormente se recusou a ouvir o caso, encerrado o inquérito. O The Jenny Jones Show nunca foi penalizado e continuou sendo exibido até 2003.


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