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Sequestrada e morta por ser ateia: Madalyn Murray O'Hair, a mulher mais odiada dos Estados Unidos

A batalha do ateísmo contra o cristianismo teve um fim trágico para Madalyn e sua família

Redação Publicado em 23/04/2020, às 17h30

Madalyn Murray O'Hair, em 1983
Madalyn Murray O'Hair, em 1983 - Wikimedia Commons

Em um país onde cerca de 70% de sua população é composta por cristãos, segundo dados apurados pelo Instituto Gallup, ir contra o cristianismo nos Estados Unidos é no mínimo arriscado. Por isso, a frase "A religião é uma questão privada e só deveria ser celebrada dentro de casa ou nas igrejas.", pode não ser tão bem vista assim.

Essas palavras foram ditas por Madalyn Murray O'Hair, uma cidadã americana que não pensava como a maioria e decidiu expor suas ideias sobre como a religião influencia o mundo, em sua visão, de uma maneira negativa. O que Madalyn não imaginava é que isso lhe custaria o título de Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos, e ainda pior: que ela iria perder a própria vida por isso.

O início do ativismo ateu

Criada em uma família de classe média alta, O'Hair cresceu em um lar totalmente cristão. Segundo ela, as coisas começaram a mudar em sua cabeça quando sua família perdeu tudo e passou por grandes apertos financeiros, enquanto a menina via sua mãe depositar todas às suas forças em um ser divino, sem resultado, ela começou a se questionar sobre a existência de Deus. Aos 22 anos, a mulher já se considerava ateia. Desde muito jovem, Madalyn era descrita como explosiva e de temperamento difícil.

Mãe de dois meninos, William J. Murray III e Jon Garth Murray, e já em sua segunda graduação na faculdade, a mulher saiu do anonimato em 1960, quando seu filho mais velho William, aos 14 anos, reclamou de ter que fazer orações constantes em sua escola na cidade americana de Baltimore.

Madalyn Murray O'Hair em uma entrevista na televisão / Crédito: Divulgação

 

Compreendendo suas queixas, Murray iniciou uma verdadeira luta para derrubar qualquer prática religiosa nas escolas públicas, incluindo a comemoração do natal. Foram diversas causas na justiça com pedidos de laicidade, enfrentando um sistema antigo que não estava disposto a mudar seu conceito.  

Madalyn decidiu levar o caso adiante — que ficou conhecido até a última instância. Durante todo esse período, ela aparecia na televisão fazendo o uso constante de frases polêmicas contra às práticas religiosas. Por isso, a mulher foi ameaçada, atacada e perseguida por fiéis.

O ódio da nação

Em 1963, ela venceu o caso e decidiu se mudar para o Havaí, onde se casou com Richard O’Hair. Para os cristões americanos, Madalyn já tinha ido longe demais. No ano seguinte, em 1964, a revista Time havia nomeado O’Hair como A Mulher Mais Odiada da América, título que ela aceitou com orgulho.  

Em 1956, a ativista decidiu tomar mais uma decisão extremamente polêmica ao abrir a organização de Ateus Americanos, uma instituição que lucrava milhões com o ativismo ateu. Mas, nem em sua própria empresa ela era muito querida, Madalyn enfrentou diversas brigas com os próprios simpatizantes e funcionários, expulsando membros que não concordassem totalmente com suas ideias.

Uma das maiores mudanças inesperadas em sua história aconteceu quando seu filho mais velho, William —  aquele que fez a mulher começar sua revolução ateia na América — converteu-se ao cristianismo e entrou para a igreja batista. Porém, esse não foi nem de longe o maior problema que Madalyn iria enfrentar.

Sequestro e assassinato

No dia 22 de agosto de 1995, ela, seu filho Jon e sua neta Robin, desapareceram misteriosamente da mansão onde moravam, as teorias de sequestro começaram a ganhar a mídia americana. As suspeitas caíram sobre o ex-gerente do escritório americano ateu David Roland Waters, com quem a família teve conflito, após Madalyn demitir o funcionário acusado de roubo dentro da empresa.

Imagem do seriado da Netflix: The Most Hated Woman in America / Crédito: Divulgação

 

No entanto, o homem só confessou o crime anos depois, David levou a policia ao local do crime somente em 2001, revelando um verdadeiro cenário de horror. Os assassinatos foram cometidos por Waters e dois cúmplices, o motivo foi vingança. Os corpos de Murray, seu filho mais novo e sua neta foram encontrados em um rancho no Texas, mutilados. Os restos mortais da ativista foram cremados, mas, ninguém chorou em seu enterro. 

David foi condenado a 20 anos de prisão e morreu na cadeia em 2003, em decorrência de um câncer de pulmão. A história de Madalyn continua sendo contada nos Estados Unidos, recentemente em 2017, a produção da Netflix intitulada The Most Hated Woman in America, narra sua história de vida.


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