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Sequestrada pelo Talibã e alvo de uma morte enigmática: o triste caso Linda Norgrove

Norgrove morreu após ser sequestrada pelo Talibã durante uma missão humanitária no Afeganistão, entretanto, os motivos que a levaram para essa missão voltaram a ser discutidos sete anos após sua morte

Ingredi Brunato Publicado em 22/09/2020, às 20h01

Fotografia de Linda Norgrove
Fotografia de Linda Norgrove - Wikimedia Commons

Em 2010, a britânica Linda Norgrove, que estava no Afeganistão junto a uma empresa de desenvolvimento global chamada DAI, foi sequestrada pelo Talibã. A situação dramática terminou com a morte da mulher de 36 anos, em decorrência de feridas que se mostraram fatais. Ou essa foi a versão da história divulgada no ano que tudo aconteceu. 

Desde então, muitas partes dessa narrativa foram questionadas. A primeira delas é relativa à maneira como ela morreu.

O que foi dito antes é que durante o resgate de Linda e outros capturados, um dos membros do Talibã atirou na direção da mulher seu colete suicida - uma roupa especial usada para que os membros possam se livrar de serem capturados vivos, causando a própria morte pela ativação de um dispositivo no colete -, provocando a explosão que resultou em sua morte. 

A outra versão

Não muito tempo depois, uma investigação conjunta realizada por autoridades dos Estados Unidos e Reino Unido revelou que a morte da ativista teria sido causada por um erro humano de um dos soldados da equipe norte-americana de resgate. 

Ele teria atirado uma granada de fragmentação muito perto de Norgrove, e foram os destroços que a atingiram que causaram seus ferimentos. O acontecimento foi verificado através de uma câmera de segurança, por um dos comandantes da força-tarefa, que mais tarde questionou os soldados e pôde confirmar que um deles tinha de fato jogado uma dessas granadas, sem perceber que atingiria a ativista. 

Oficial Joseph Votel, que liderou a investigação sobre a causa da morte de Linda. 

 

Mais polêmicas

A causa de morte, contudo, é uma controvérsia menor no caso Linda. A grande bomba veio em 2017, quando uma reportagem investigativa do The Intercept afirmou que a mulher, na verdade, não era uma pacifista - e sim uma espiã trabalhando por baixo dos panos para o MI6, o serviço secreto de inteligência do Reino Unido. 

Foi nesse contexto que veio uma matéria do The Guardian rebatendo de forma direta as alegações feitas pelo outro veículo jornalístico, chamando atenção para a “atmosfera de crescente acusação e desconfiança” no qual trabalhadores humanitários estariam cada vez mais englobados. 

“Não havia nenhum dinheiro extra entrando de qualquer outro lugar, teria ficado evidente como uma ferida no polegar”, disse o pai da jovem em entrevista ao The Guardian, em resposta à ideia de que a filha tinha um emprego secreto.

Amigos da falecida também teriam confirmado que Norgrove era uma pacifista de longa data, sendo inclusive contra a presença de militares britânicos no Afeganistão. 

Na época da morte da ativista, figuras de relevância lamentaram o trágico episódio, tal como  o Coordenador Humanitário das Nações Unidas da época, o diretor da empresa humanitária no qual ela trabalhava e o Primeiro Ministro da Escócia. 

Esse último, em uma declaração que ganhou um ar de ironia dramática depois das reviravoltas de 2017, disse: “A Sra. Norgrove era uma trabalhadora humanitária dedicada que estava fazendo tudo o que podia para ajudar as pessoas no Afeganistão - espero que esse legado de serviço em uma causa humanitária possa ser um pouco de conforto para seus entes queridos em seus momentos de luto".


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