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Seria o Príncipe Alberto Vítor, neto da Rainha Vitória, o atroz Jack, o Estripador?

A vida desse jovem nobre britânico está repleta de mistérios e especulações, que afirmam que ele pode ter sido homossexual ou até mesmo um assassino em série!

André Nogueira Publicado em 09/03/2020, às 07h00 - Atualizado às 07h56

Príncipe Alberto Vítor
Príncipe Alberto Vítor - Wikimedia Commons

A vida de Alberto Vítor, o Duque de Clarence e Avandale, foi repleta de mistérios e enigmas. Muito se discute sobre a sanidade e sobre a sexualidade de Eddy (como era conhecido), o que envolveu sua figura em diversos rumores que são até hoje estudados por historiadores e entusiastas. Um deles é o caso do Escândalo de Cleveland Street, onde ele poderia estar incluído numa lista de frequentadores de um bordel homossexual.

Mas o boato que mais se destaca sobre o neto da Raiha Vitória pode significar que Eddy era um atroz criminoso: há especulações de que esse nobre herdeiro era, na verdade, o homicida serial Jack, o Estripador. Essa teoria foi iniciada pelo escritor francês Philippe Julian em 1962, de maneira ainda muito hipotética e sem base argumentativa.

Julian aludia a ideia de que Alberto era autor dos crimes de Jack em uma biografia do jovam rapaz. Já em 1970, um artigo de nome Jack, o Estripador: uma solução? foi publicado pelo cirurgião Thomas Stowell  na revista The Criminologist, em que o entusiasta descrevia a família e a aparência do suspeito dos crimes, realizando uma caricatura que claramente podia ser atrelada a Alberto Vítor.

Desenho especulando o rosto de Jack, o Estripador / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pouco tempo depois, surgiram especulações de que o Príncipe Alberto tivera concebido um filho com uma mulher de um bairro suburbano em Londres e, junto com talvez alguns nomes do Alto Escalão, teria apagado pessoas no intuito de encobrir suas ações indecorosas. Porém, essa teoria é pouquíssimo creditada.

Eddy possui álibis para diversos casos conhecidos dos assassinatos de Jack, o Estripador. Por exemplo, as mortes de 30 de setembro de 1888 (Elizabeth e Catherine) ocorreram num momento em que é atestado que Alberto estava em um encontro entre a Rainha Vitória e a Família Real germânica, no Castelo de Balmoral, Escócia.

Assim ocorreu com diversos outros casos de assassinatos em Londres, o que é fácil de conferir, dado que Alberto, como figura relevante da Corte britânica, tem sua vida muito bem documentada. Diversas fontes, como atas, cartas, diários, jornais e relatórios comprovam que Eddy estava em cenários distantes aos crimes de Jack, em diversos casos.

Eddy / Crédito: Wikimedia Commons

 

O ponto é que a reputação de Alberto Vítor era bastante debilitada na Inglaterra por alguns fatores: incialmente, havia a fama de que ele não era muito versado em temas acadêmicos, por conta de incompetências de seu tutor. Ao mesmo tempo, havia o rumor de que ele era homossexual, o que era criminoso na época.

Ainda sim, ele se posicionava politicamente, demonstrando posições liberais que afrontavam a ideologia padrão da monarquia; ele era mais ligado à defesa da autonomia da Irlanda, por exemplo.

A vida de Alberto passa até hoje por altos níveis de especulação, mas, é ainda impossível, documentalmente, atrelá-lo a Jack, o Estripador, ao mesmo tempo em que não há fontes o suficiente para qualquer conclusão relativo a sua participação no Escândalo de Cleveland Street. Hoje, há um movimento de readequação da figura desse nobre, acabando com as calúnias contra ele.


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