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Sexo com o diabo e tortura: a cruel saga de Lilias Aldie, acusada de bruxaria

No século 18, uma mulher odiada por moradores da antiga vila de, Torryburn, na Escócia, passou por episódios humilhantes até a morte

Paola Churchill Publicado em 18/04/2020, às 09h00

Reconstrução do rosto de Lilias Aldie
Reconstrução do rosto de Lilias Aldie - Universidade de Dundee

O nome da pequena vila de Torryburn, na Escócia, poderia passar batido ao redor do mundo se não fosse por Lilias Adie. Isso porque, ao ser acusada de bruxaria no século 18, passou a ser perseguida por todos no vilarejo, que a consideravam um nome cruel e amarga.

Os moradores nunca a deixavam em paz, e Adie vivia um terror psicológico diário. Não tinha amigos, pois todos temiam que qualquer envolvimento pudesse levar a magia das trevas para a própria vida. Além disso, ela era frequentemente hostilizada quando saia de casa, sendo xingada ou humilhada pelas ruas. A vida da escocesa era um verdadeiro inferno.

Como nunca houveram provas do envolvimento de Adie com bruxaria, nada poderia ser feito contra ela, no entanto, tudo mudou quando uma grande doença atingiu o povoado e matou muitas pessoas, no ano de 1704. Não tinham dúvidas, aquela enfermidade só tinha uma culpada: Lilias Aldie.

Afinal, a senhora, que era acusada de manter relações sexuais com o diabo, decidiu se vingar de todos aqueles que a perseguiram durante anos. Em uma histeria, aldeões raivosos chegaram até o casebre e a levaram para ser presa e cumprir pena por seus supostos pecados.

Eles queriam uma confissão. Mesmo que Lilias negasse qualquer envolvimento com a doença que assolou a cidade ou com a bruxaria em sí, as pessoas não davam ouvidos a ela e a torturavam todos os dias, das maneiras mais cruéis que alguém poderia imaginar.

Além de ser chicoteada, foram jogados baldes d’água gelada para impedir que ela dormisse. O local que ela fora aprisionada era tão imundo, que passou a ser infestado por ratos. 

Crânio de Lilias Aldie/Crédito: Universidade de Dundee

 

Após um mês sendo machucada psicologicamente e fisicamente, estava esgotada de viver aqueles horrores. Assim, confessou que havia se envolvido com bruxaria e tido contato próximo com o Satanás. No julgamento, ela deu detalhes sobre o evento.

Afirmou que fez sexo com o Tinhoso, sendo ele responsável por fazer com que ela renunciasse a sua fé. Ela, inclusive, deu detalhes sobre como ele era fisicamente por ter “uma pele pálida e fria e os pés com cascos como uma vaca”.

Adie ainda relatou que conhecia outras bruxas. Detalhou como elas se reuniam para passar a mensagem do Senhor das trevas. Apesar de questionada várias vezes, não forneceu o nome de suas irmãs.

A feiticeira foi sentenciada a morte na fogueira, mas um dia após seu julgamento, foi encontrada morta na cela. Não se sabe com precisão o que resultou no seu óbito. Todavia, a teoria mais aceita revela que a mulher se suicidou para não ter que enfrentar um fim violento ao ser consumida pelas chamas. 

Ela foi enterrada em uma praia na vila de Torryburn, mas seu túmulo foi colocado sob uma grande pedra por medo dos moradores. Eles temiam que a bruxa pudesse ser reanimada e que ela ressuscitasse algum tempo depois de sua morte.

Mas, nem morta encontrou paz: caçadores de antiguidades roubaram seus restos mortais por volta de 1852, e seu crânio chegou ao Museu Museu da Universidade de St. Andrew em 1904.

Douglas Speirs, arqueólogo do Conselho de Fife, disse à CNN no ano passado que, segundo os registros, cerca de 3.500 mulheres foram assassinadas com o pretexto de que eram bruxas na Escócia entre os anos de 1560 e 1727, mas algumas estimativas chegam a 6.000.

"Chegou a hora de afastar a narrativa da figura de Halloween da bruxa divertida e reconhecer o preconceito histórico de gênero e o sofrimento a que as mulheres foram expostas em nome da caça às bruxas", disse.


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